O primeiro negócio de Rafael Zulu quebrou. Era um bar, abriu porque ele sempre foi apaixonado pela noite, e fechou porque ele não sabia o que estava fazendo.
“Quando você está num negócio que não entende, não faz um business plan e não cuida, está fadado ao fracasso. Foi o que aconteceu”, ele conta, em entrevista exclusiva ao Mundo Negro.
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Hoje, Zulu é sócio de empresas em frentes bem distintas. Due.inc, no corporativo. Tardezinha, no entretenimento. Adore, incorporadora que está entre as maiores construtoras de Pernambuco. Negócios de hospedagem e tecnologia. Mais o trabalho de ator, que nunca parou, e agora a estreia como apresentador do Papo de Segunda, no GNT.

A trajetória dele interessa por uma razão específica. A maioria das pessoas que empreende no Brasil não é herdeira, começa do zero. E a maior parte das histórias de sucesso circuladas por aí esconde o tombo do começo. Zulu não esconde.
“Acredito que todo mundo que quebra algum dia sai fortalecido para os próximos negócios”, afirma. “Inclusive, sempre digo: ter um sócio que já quebrou na vida é algo positivo, pois esse cara não vai querer passar por aquilo novamente.”

Depois do bar, ele mudou o método. A regra passou a ser uma só.
“Sempre optei por ter sócios que já eram ligados à área. Eu não me meto num negócio do qual não sei absolutamente nada”, diz. “Sempre fui curioso e quis entender de tudo um pouquinho.”
A Tardezinha entrou na vida dele quando ele já tinha, nas palavras dele, “uma capacidade maior de entendimento empresarial”. Se cercou de gente que entendia do negócio. Com a Adore foi igual: sócios do meio da construção civil, com o conhecimento técnico que ele não tinha.

O que Zulu coloca na mesa é o que ele construiu fora do negócio específico. “No final do dia, eu empresto meu relacionamento e meu conhecimento em Marketing, que é minha formação, atuando diretamente nesse setor. Se você entra num negócio com a tranquilidade de querer aprender com quem já está ali, as coisas tendem a dar certo.”
É a lógica de um ecossistema, e ele nomeia assim. “O mercado corporativo exige muito tempo de escritório, e meus sócios contribuem para que eu possa atuar em outras frentes, entendendo que minha presença na TV também abastece o nosso negócio. É um ecossistema que gira.”
A pergunta que segue naturalmente é sobre rotina. Como alguém dá conta de atuação, empresas, apresentação de um programa semanal de TV e ainda mantém a família como prioridade declarada?
“A paternidade pesa, mas confesso que não atrapalha em nada, porque meus filhos crescem com a certeza de que o papai precisa voar para que eles possam voar também”, responde Zulu.
Ele é pai de Luiza, de 19 anos, que segundo ele já cresceu entendendo essa lógica, e de Kalu. “Tudo o que faço é conversado com minha esposa e minha filha.”
A organização, ele diz, vem antes. “Consigo organizar minha vida porque sou um cara organizado. Faço um milhão de coisas, mas sei parar um dia inteiro para ficar com a família.”
E quando não dá para parar, a família vai junto. “Se viajo para um trabalho fora do Rio, por vezes cato o bonde e todo mundo vai comigo. Minha família nunca atrapalhou porque, antes de eles chegarem, eu já trabalhava. Não vou abrir mão da minha vida e do meu trabalho, eles estarão comigo nos meus sonhos.”
Para os próximos cinco anos, a aposta não é concentrar em uma frente. É manter todas.
“Eu me dei conta de que dou conta de ocupar todas essas gavetinhas”, afirma. “A Tardezinha é sazonal, o que é maravilhoso. No ano em que ela acontece, demanda muito, mas geralmente nos finais de semana. Agora no Papo de Segunda, a segunda-feira é um dia tomado, mas o restante da semana a gente administra. É um caos organizado! E eu amo o caos organizado. Não saberia não fazer esse tanto de coisa que eu faço.”
O Papo de Segunda estreia sua 18ª temporada no dia 27 de abril, segunda, às 22h30, no GNT. Rafael Zulu chega ao programa junto com Gil do Vigor, compondo com João Vicente de Castro e Francisco Bosco uma das formações mais diversas da atração em mais de uma década de história.
Sobre entrar no sofá de um programa que ele mesmo já assistiu como fã, Zulu é direto. Ser um dos dois homens pretos da nova formação já diz algo.
“Como um homem preto num programa, a gente sabe que liga a televisão e não se reconhece muitas vezes. Eu me vejo muito pouco na TV, hoje um pouco mais na teledramaturgia”, ele diz. “Então, eu acho que estar ali já é um ato de resistência. Um homem preto ocupando um espaço daquele ali, sem falar nada, já representa uma espécie de militância.”
Ele adianta que não vai se furtar. “Quero falar sobre as minhas questões e as questões da minha comunidade, do meu povo. Se ainda precisamos falar, é porque as coisas ainda estão acontecendo aí fora. Eu seria muito cobrado pela minha comunidade se não trouxesse nossos temas para dentro de uma conversa como essa.”
No fim, a trajetória de Rafael Zulu entrega uma síntese rara. A de um homem preto que ocupa TV aberta, TV paga, conselho de empresa e obra em Pernambuco ao mesmo tempo, e que olha para trás sem esconder o primeiro tombo. O bar que quebrou virou método. O método virou negócio. E o negócio virou ecossistema.
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