Violência digital e mulheres negras: poderíamos falar mais sobre nós, mas temos medo

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Violência digital e mulheres negras: poderíamos falar mais sobre nós, mas temos medo
Imagem de IA

A internet tem se tornado um ambiente cada vez mais hostil para mulheres — especialmente para mulheres negras. Entre o desejo de compartilhar uma vitória profissional ou uma foto exaltando a própria beleza, surge o medo de que o próximo comentário seja um julgamento, uma ofensa disfarçada de opinião ou, em casos mais graves, uma ameaça direta à integridade física.

Os números são alarmantes. Segundo dados divulgados em 2022 pelo professor Dr. Luiz Valério Trindade, doutor pela Universidade de Southampton, no Reino Unido, 81% dos discursos de ódio online têm como alvo mulheres pretas e pardas, com idade entre 25 e 35 anos e em ascensão social.

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Não se trata apenas de haters aleatórios. As denúncias de misoginia na internet mais que triplicaram no último ano, crescendo 224,9%, segundo levantamento da SaferNet. Em 2024, foram registradas 2.686 denúncias de violência ou discriminação contra mulheres; já em 2025, foram 8.728 registros.

Muitas ofensas podem parecer inofensivas, mas são a faísca que alimenta um ciclo de desrespeito que, muitas vezes, escala para a violência física no mundo real. Para mulheres negras, as “opiniões” ainda têm o agravante do racismo: “Melhor você alisar o cabelo, é mais limpo e profissional”; “Só a promoveram para cumprir a cota”; e “Você é muito raivosa, ninguém pode falar nada”.

Redesenhando o ambiente digital

Para enfrentar essa realidade, a SEPHORA Hearts Not Hate lançou sua campanha para o Brasil. A iniciativa, que chega ao país no Mês da Mulher, propõe uma reflexão profunda sobre como a misoginia tenta impedir a presença das mulheres nas redes sociais.

A proposta é transformar a realidade de forma coletiva. Ocupar as redes, mas preservando a saúde mental e a integridade física.

Estratégias de autodefesa e denúncia:

  • Não hesite em filtrar: Bloquear e silenciar contas que drenam sua energia não é falta de diálogo, é preservação da integridade.
  • Produza provas: Em casos de violência digital, reúna prints, links e URLs.
  • Denuncie formalmente: Registre um Boletim de Ocorrência em delegacias especializadas (Delegacia da Mulher ou de Crimes Cibernéticos).
  • Busque apoio: Em casos de emergência, ligue 190. Para acolhimento e orientações, ligue 180 para a Central de Atendimento à Mulher.

Redesenhar o ambiente digital é uma escolha coletiva sobre quais vozes decidimos amplificar para garantir a nossa liberdade.

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