“O conceito do que é talento é uma construção colonial”: Executiva Flávia Porto dá dicas para desenvolvimento profissional de pessoas negras

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“O conceito do que é talento é uma construção colonial”: Executiva Flávia Porto dá dicas para desenvolvimento profissional de pessoas negras
Flávia Porto (Foto: Arquivo pessoal)

Conselheira e cofundadora do Instituto Pactuá, Flávia Porto conduziu workshop que trouxe reflexões sobre liderança estratégica, ancestralidade, negócios e tecnologia.

“A sorte encontra os preparados.” Essa é uma das principais reflexões levantadas por Flávia Porto, executiva de RH, ao conduzir recentemente o workshop “Licença para Decolar”, promovido pelo Instituto Pactuá. A atividade integrou a programação do Programa de Desenvolvimento de Lideranças Negras (PDLN), realizado em parceria com a Saint Paul Exame, e reuniu diversos participantes para formação.

O workshop trouxe reflexões sobre liderança estratégica, ancestralidade, negócios e tecnologia. Segundo a executiva, a ancestralidade ocupa um papel central no desenvolvimento profissional de pessoas negras. “Na grande maioria das vezes, o conceito do que é talento é uma construção colonial, fazendo com que as pessoas negras, cuja trajetória ancestral é diferente, não sejam reconhecidas como tal. Com isso, o autoconhecimento, combinado com autorregulação e estratégia, é chave para a aceleração e o crescimento na vida profissional”, afirma Flávia, que também é conselheira e cofundadora do Instituto Pactuá, em entrevista ao Mundo Negro.

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Flávia tem vasta experiência como executiva de RH e empreendedora, com carreira construída no Brasil e no exterior, e já atuou em grandes empresas como Dell, Reckitt e Yara Brasil.

Durante o encontro realizado on-line, Flávia propôs que profissionais passem a gerir suas trajetórias como organizações gerem seus negócios, com planos de ação contínuos. “Conhecer nossa missão pessoal, nossa visão e nossos valores conduz a estratégia de avanço, fazer análise das nossas fraquezas, riscos e oportunidades, construindo networking e planos de ação com constante atualização e monitoramento, que chamo de plano de desenvolvimento individual”, diz. A tecnologia, nesse processo, aparece como aliada, seja por meio de plataformas de networking ou do uso de inteligência artificial para simular cenários de carreira.

Outro ponto central do encontro foi abordar o equilíbrio entre performance e comunicação. “Digo que não basta termos ambição, temos que cuidar da reputação profissional, que se faz com histórico de performance e boa conduta. No entanto, apenas performar bem não é o suficiente: temos que dar visibilidade à nossa performance, não apenas ao que entregamos, mas a como entregamos”, explica.

“Precisamos dar visibilidade às pessoas que precisam saber das suas ambições — indo além das conversas protocolares de carreira que as empresas oferecem. Dar visibilidade às lideranças, pares, pares da sua liderança e outros parceiros de trabalho faz com que mais pessoas se tornem nossas ‘defensoras’ ou influenciadoras do nosso nome em oportunidades que possam surgir”, completa. Flávia lembra ainda que muitas vagas estratégicas não são divulgadas publicamente, o que torna as redes de relacionamento ainda mais decisivas.

Questionada sobre como os profissionais negros podem comunicar suas ambições de forma assertiva em ambientes corporativos que ainda são marcados por desigualdades raciais, a executiva chama atenção para a necessidade de equilíbrio.

“Muitas vezes, pessoas negras, quando altivas, são lidas como arrogantes. Conscientes disso, precisamos ser um pouco mais cuidadosos, sabendo que quem decide por nós tem lentes diferentes, nem sempre apreciativas, mas de altíssima exigência, visto que não somos naturalmente idealizados nos espaços de poder e decisão, mas de servidão e colaboração. Falar de forma objetiva, com uma conversa estruturada, compartilhando seu plano de desenvolvimento, trazendo histórias e feitos relevantes para sua trajetória é um bom começo”, afirma.

Para encerrar, como parte dos conselhos para o desenvolvimento de líderes negros, Flávia destacou a importância de assumir o protagonismo da própria trajetória. “Conhecer ocupantes de posições de seu interesse, navegar no território desejado, levar o plano de desenvolvimento individual tão a sério quanto levamos nossas responsabilidades profissionais, não esperando as oportunidades baterem à sua porta. A sorte encontra os preparados, e cuidar intencionalmente da carreira também dá trabalho — mas os resultados são relevantes.”

Este conteúdo é fruto de uma parceria entre Mundo Negro e Instituto Pactuá.

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