O assassinato brutal do cão comunitário Orelha, ocorrido na Praia Brava, em Florianópolis, gerou uma onda de indignação nacional e denúncias de favorecimento devido ao poder aquisitivo dos envolvidos. O animal, um cão dócil de aproximadamente 10 anos que vivia no bairro, foi atraído por um grupo de quatro adolescentes durante a madrugada para ser torturado.
Orelha sofreu agressões extremas antes de morrer. Segundo relatos, o cão foi espancado brutalmente e teve a cabeça perfurada com pregos, o que resultou na exposição de seu cérebro. Ele foi encontrado ainda vivo e agonizando por moradores na manhã seguinte e levado ao veterinário, mas não resistiu à gravidade dos ferimentos e morreu na mesa de cirurgia.
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Além do ataque a Orelha, as investigações apontam que o grupo tentou afogar outro cachorro comunitário, um vira-lata caramelo, levando-o para o fundo do mar. Este segundo animal conseguiu escapar nadando e sobreviveu.
Os quatro adolescentes suspeitos foram identificados como Mateus Silva Ferreira, Igor Zampieri, Evandro Dauks e Pedro Kolausky. O caso ganhou repercussão pelo perfil socioeconômico dos jovens, que pertencem a famílias da elite local conectadas a grandes empresas:
- Um dos jovens é filho do proprietário do Majestic Palace Hotel.
- Outro é filho do dono da rede Marca na Vieiras.
- Há também o filho da proprietária da loja Fashion Nomade.
- Mateus Ferreira da Silva é filho de Marcos Fernando da Silva, proprietário da Audio Soluções Contábeis e da One Capital Consultoria.
A investigação enfrenta obstáculos éticos e judiciais. O porteiro que filmou as agressões para servir de prova foi ameaçado pelos pais dos adolescentes. Além disso, a juíza que inicialmente julgaria o caso declarou-se parcial por possuir relações próximas com as famílias dos agressores.
No dia 27 de janeiro, foi confirmado que dois dos suspeitos viajaram para Orlando, nos Estados Unidos, com destino à Disney. Em nota enviada ao portal DN+, uma das famílias defendeu a viagem: “O fato de nosso filho estar em viagem programada há muitos meses é transformado em algo suspeito, em fuga de responsabilidade. Nada disso procede, queremos que todo esse caso seja solucionado o mais rápido possível”.
A Polícia Civil de Santa Catarina cumpriu mandados de busca e apreensão nas residências dos envolvidos para recolher dispositivos eletrônicos e segue com o inquérito para apurar tanto o ato infracional dos menores quanto a conduta dos adultos por suposta coação.
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