Morre aos 111 anos Viola Ford Fletcher, a sobrevivente mais velha do Massacre de Tulsa

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Morre aos 111 anos Viola Ford Fletcher, a sobrevivente mais velha do Massacre de Tulsa
Foto: NAARC

Viola Ford Fletcher, a sobrevivente mais velha do Massacre Racial de Tulsa de 1921, morreu aos 111 anos, informou o prefeito Monroe Nichols. Fletcher tinha 7 anos quando a comunidade negra de Greenwood foi destruída por uma ofensiva de violência supremacista que permanece como um dos ataques raciais mais graves da história dos Estados Unidos. O acervo do Tulsa Historical Society & Museum reúne documentos oficiais, registros civis, fotografias, depoimentos e mapas que ajudam a reconstruir o cotidiano de Greenwood antes do ataque, as dinâmicas que levaram ao massacre e o processo de apagamento que se seguiu.

Antes de 1921, Greenwood era conhecida como a “Wall Street Negra”, resultado direto do movimento de autossuficiência econômica de famílias negras que, após a Reconstrução, migraram para Oklahoma em busca de trabalho, segurança relativa e acesso à terra. Arquivos preservados pelo museu apontam para um distrito com dezenas de comércios, consultórios, escolas, hotéis, teatros e jornais locais, um polo econômico que contrastava com o ambiente de segregação e com o avanço organizado de grupos supremacistas na região.

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O massacre teve início após a acusação contra um jovem negro, amplificada por jornais locais e usada como justificativa para convocar um linchamento. Quando moradores de Greenwood se mobilizaram para impedir o ataque, a situação foi transformada em pretexto para uma ação coordenada de multidões armadas. Entre a noite de 31 de maio e a manhã de 1º de junho, testemunhos reunidos pelo museu descrevem fogo cruzado, invasões domiciliares e prédios incendiados em sequência. Registros municipais e relatórios posteriores indicam que aeronaves foram usadas para lançar artefatos incendiários, ampliando a destruição e impossibilitando a fuga de moradores.

A devastação alcançou cerca de 35 quarteirões. O número de mortos, que à época foi subnotificado, é hoje estimado em até 300, enquanto milhares ficaram sem abrigo. Apesar da magnitude do ataque, nenhum responsável foi julgado. Documentos oficiais analisados por pesquisadores mostram que autoridades municipais e estaduais atuaram para suprimir evidências, impedir indenizações, restringir investigações e normalizar a narrativa de “distúrbio civil”, perpetuando décadas de silêncio e perda documental.

Ao longo da vida, Viola Ford Fletcher combateu esse apagamento. Seus depoimentos, presentes em audiências públicas, entrevistas e registros do próprio acervo de Tulsa, detalham o que viu: corpos nas ruas, casas em combustão, a fuga de vizinhos e a destruição completa da estrutura comunitária que sustentava Greenwood. Sua atuação contribuiu para a reabertura de debates sobre responsabilidade histórica, reparação e preservação de memórias de violência racial no país.

A morte de Fletcher encerra a presença de uma das últimas testemunhas diretas do massacre e marca a continuidade do trabalho de preservação desse capítulo histórico. Para obter acesso completo aos registros, consulte o acervo do Tulsa Historical Society & Museum.

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