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Um dossiê divulgado na manhã desta segunda-feira (27) pela Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra) revelou o perfil das pessoas trans mais atingidas pela violência no Brasil em 2024. O dados mostram que no ano passado foram assassinadas 122 pessoas trans e travestis no país, o que representa uma redução de 16% em relação a 2023, quando foram registrados 145 assassinatos. Apesar da diminuição, o Brasil segue sendo o país que mais mata pessoas trans no mundo pelo 16º ano consecutivo.
A maioria das vítimas de assassinatos no ano passado era jovem, negra e pobre. Entre os casos em que foi possível determinar a raça, 78% das vítimas eram pessoas negras — sendo 45 identificadas como pardas e 22 como pretas. Além disso, a média de idade das vítimas foi de 32 anos, refletindo a baixa expectativa de vida da população trans no Brasil, que é de apenas 35 anos. Jovens entre 15 e 29 anos são especialmente vulneráveis, com risco de assassinato cinco vezes maior do que outras faixas etárias. Mulheres trans e travestis também estão entre as maiores vítimas de violência.
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No último domingo (26), durante a II Marsha Trans Brasil, a Deputada Estadual, Érika Hilton fez um discurso reforçando a luta por uma existência plena: “Nós temos desespero pela vida porque a morte bate na nossa porta todos os dias. Porque a vida para nós é uma luta incansável. Para chegar até aqui, vimos muitas das nossas e dos nossos sendo deixados pelo caminho”, destacou.
A condição socioeconômica também está no topo dos fatores críticos para sobrevivência de pessoas trans. A maior parte das vítimas vivia em situação de pobreza, com muitas recorrendo ao trabalho sexual como única fonte de renda. Essa precarização não apenas aumenta a exposição à violência, como reforça o ciclo de exclusão.
Gênero e expressão
Travestis e mulheres trans representam 97% das vítimas de assassinatos registrados. Pessoas que expressam sua identidade de gênero de forma não normativa estão ainda mais vulneráveis, com a estética e a aparência frequentemente sendo usadas como justificativas para atos de violência.
Em comparação, homens trans e pessoas transmasculinas representam uma minoria nos dados de assassinatos, evidenciando um risco desproporcional enfrentado pelas pessoas transfemininas.
O dossiê da Antra reforça que a violência contra a população trans no Brasil é atravessada por um contexto racializado. A ausência de dados mais detalhados sobre raça em 90% das fontes analisadas é um indicativo da invisibilização dessas pessoas. Mesmo com essa limitação, os números disponíveis apontam para uma realidade em que ser jovem, negra, trans e pobre representa o ponto máximo de vulnerabilidade no país.
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