Zezé Motta completa 82 anos em 27 de junho. Relembre 10 personagens que definiram sua trajetória no cinema e na TV, de Xica da Silva a A Nobreza do Amor.
Zezé Motta completa 82 anos nesta sexta-feira, 27 de junho de 2026, consolidada como uma das artistas mais importantes da história do audiovisual brasileiro. Com carreira iniciada nos palcos em 1967 e estreia na televisão em 1968, a atriz e cantora natural de Campos dos Goytacazes acumulou mais de 70 filmes, 50 produções para a TV e mais de dez discos, construindo uma trajetória que atravessou ditadura militar, redemocratização e transformações profundas na representação de pessoas negras nas telas brasileiras.
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O marco central da carreira veio em 1976, quando Zezé protagonizou “Xica da Silva”, dirigido por Cacá Diegues. O filme levou mais de três milhões de espectadores aos cinemas, tornou-se um dos maiores sucessos de bilheteria da história do cinema brasileiro e garantiu à atriz o prêmio de Melhor Atriz no Festival de Brasília, além do Coruja de Ouro, o Prêmio Air France e o Prêmio Governador do Estado. A repercussão internacional do longa projetou o nome de Zezé para além das fronteiras do país e estabeleceu um ponto de referência incontornável para discussões sobre protagonismo negro e representação de mulheres negras no cinema nacional.
Ao longo de mais de cinco décadas, Zezé construiu um repertório de personagens que ora desafiaram os limites impostos ao audiovisual negro brasileiro, ora revelaram as contradições de uma indústria que tardou a oferecer papéis à altura de seu talento. Algumas de suas principais obras mostram como a atriz atravessou gêneros, emissoras e décadas sem abrir mão de personagens com profundidade narrativa.
Shirley em Vai Trabalhar, Vagabundo
Cinema, 1973
Doméstica da Zona Sul que cruza o caminho do malandro Dino no Jockey Club e movimenta o enredo da comédia dirigida por Hugo Carvana, com trilha de Chico Buarque. O filme venceu o Festival de Gramado na categoria Melhor Filme.
Xica da Silva em Xica da Silva
Cinema, 1976
Mulher escravizada que conquista a alforria ao seduzir o contratador de diamantes João Fernandes e ascende socialmente na Minas Gerais do século XVIII. O filme levou mais de três milhões de espectadores aos cinemas e rendeu a Zezé o prêmio de Melhor Atriz no Festival de Brasília.
Dandara em Quilombo
Cinema, 1984
Companheira de Zumbi dos Palmares e figura central da resistência negra no Quilombo dos Palmares do século XVII. A produção, co-realizada com a França, foi selecionada para a disputa da Palma de Ouro no Festival de Cannes.
Sônia em Corpo a Corpo
TV Globo, 1984
Arquiteta de classe média bem-sucedida que se envolve romanticamente com um homem branco, filho de um milionário. A trama de Gilberto Braga foi a primeira no horário nobre da Globo a colocar um relacionamento inter-racial no centro da narrativa.
Fátima em A Próxima Vítima
TV Globo, 1995
Matriarca de uma família negra de classe média alta em Copacabana. A novela foi pioneira ao apresentar esse perfil familiar no horário nobre brasileiro, algo raro na dramaturgia nacional até então.
Conceição em Orfeu
Cinema, 1999
Personagem do filme que transpôs o mito grego para o Carnaval do Rio de Janeiro contemporâneo, com direção de Cacá Diegues e elenco que reuniu parte dos maiores nomes do cinema brasileiro dos anos 1990.
Carolina Maria de Jesus em Carolina
Cinema, 2003
Interpretação da escritora autora de “Quarto de Despejo” no curta de Jeferson De, premiado no Festival de Gramado e ponto de partida de uma parceria entre a atriz e o diretor que resultou nos longas “Bróder” (2010) e “M8: Quando a Morte Socorre a Vida” (2019).
Nair em 3%
Netflix, 2016
Personagem presente em todas as temporadas da primeira série brasileira produzida pela Netflix, distopia que alcançou audiência em mais de 190 países e tornou-se a série de língua não inglesa mais assistida nos Estados Unidos durante parte de sua exibição.
Ilza em M8: Quando a Morte Socorre a Vida
Cinema, 2020
Personagem do filme dirigido por Jeferson De que acompanha a trajetória de um jovem negro calouro de medicina em uma universidade federal. Zezé foi indicada ao Grande Prêmio Brasileiro de Cinema na categoria Melhor Atriz Coadjuvante pela atuação. O longa entrou para o catálogo da Netflix em 2021 e figurou entre os mais assistidos no Brasil na plataforma.
Dona Menina em A Nobreza do Amor
TV Globo, 2026
Benzedeira e parteira de Barro Preto, no Nordeste, figura de sabedoria e referência espiritual da comunidade na novela das seis ambientada entre o reino fictício africano de Batanga e o interior brasileiro, com elenco majoritariamente negro.
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