Will Smith escolhe seu substituto para remake de série clássica

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Jabari achou que era um trote de seu pai até que Will Smith surgiu em live pra confirmar sua escolha. "Estou pronto, muito pronto".

Will Smith já escolheu quem vai ficar com o papel que foi seu na série original de Um Maluco no Pedaço (Fresh Prince of Bel-Air). Será Jabari Banks, o eleito. Informado de modo inusitado, para os dias de hoje, com seu pai lhe adiantando que ele havia sido escolhido e comunicado na internet. O garoto confirmou em uma chamada de live pelo próprio Will Smith que, agora, será “apenas” produtor da série. Ficando o cargo de diretor, roteirista e co-produtor para Morgan Cooper.

Morgan Cooper, aliás, o responsável pelo reboot. Ele criou um trailler viral recontando as origens da série como um teaser pra um filme atualizando a série e em forma de um drama. O que deixou Will Smith empolgadaço com a possibilidade de recriar aquela história para os dias de hoje. Tanto que o pai de Jayden e Willow já demonstrou interesse em fazer duas temporadas antes mesmo de selecionar o elenco.

Acho muito justo que Um Maluco no Pedaço seja reapresentado a novas gerações em uma forma mais atual e vou citar dois motivos básicos, de onde sai toda minha argumentação. Primeiro de tudo, é preciso atualizar o formato. Já mencionei antes que muita gente esquece ou só não percebe: A série tem mais de 30 anos desde sua estreia. Talvez, porque seja reprisada quase que ininterruptamente, ela crie aquele “efeito Chaves” de isso passar batido pelo conforto e familiaridade que chega aos nossos sentidos.

Com isso, existem várias problemáticas com essa questão de tempo. Na época, a série já abordou o drama do racismo de diversas formas. Basta lembrarmos que Tia Vivian foi professora substituta na escola dos meninos e exigiu, principalmente de Will e Carlton que os únicos negros da escola estudassem muito a história do negro nos EUAs. Com aquele discurso maravilhoso sobre como é bonito ter Malcolm X na parede do quarto, mas não adiantar nada sem ter conhecimento e aplicação do saber na luta.

Falando em discurso, Tio Phil protagonizou diversas conversas onde fica claro que participou de marchas pelos direitos civis, tendo abrigado até uma amiga foragida da justiça daqueles tempos. O próprio Will conduziu situações-chave pra dar aquele nozinho na garganta. Como quando foi preso, junto de Carlton por estar “dirigindo abaixo do limite” um carrão caro. Ou ainda, na ocasião em que tentou apresentar seu primo playboy para uma irmandade na faculdade e viu que o estavam desprezando por ser rico e – segundo o líder deles – não ser representativo como um irmão negro dos subúrbios (um alô pra Agnaldo Silva neste momento).

Muitas outras situações que eu poderia ficar falando e não precisa. Inclusive, começar com previsão/intenção de duas temporadas me deixa bem feliz, porque acho que as duas temporadas originais foram o período mais produtivo da série nas questões mais universais de raça e classe social. Depois, com o foco mais em relacionamentos, isso ficou um pouco em segundo plano.

O outro aspecto que acho que será muito válido e justifica o remake é o formato. Sitcom é um formato um tanto quanto muito ultrapassado. Aquela dinâmica foi uma febre por anos, décadas, mas hoje, outros formatos já se popularizaram, até pra se adaptarem a outras formas de mídia, pois em 1992, a TV era o principal meio de comunicação em massa. Hoje a coisa tende a ficar um pouco mais setorizado, mas girando entre TV fechada e streaming. Inclusive, o formato influencia o conteúdo.

Disse isso no parágrafo anterior, porque numa sitcom, o foco é a comédia, então o foco era mais em Will Smith, um adolescente que se meteu em encrenca e foi morar com seus tios e aprontar as maiores confusões no maior clima de azaração. Desculpem pelo tom “Sessão da Tarde”, mas é o que dá pra descrever com um título tão infame como “Um Maluco no Pedaço”. Eu já tinha vibrado com o remake de Anos Incríveis pela mesmíssima premissa de abordar temas sérios de forma séria. Não que eu queria algo panfletário, muito longe disso. É uma série de ficção e não um documentário. Uma série que pode passar todo um assunto apenas movimentando personagens e situações. É maravilhoso já imaginar. Tentando não viajar no hype pra não distorcer expectativas.

Sai o foco da risadinha ensaiada e entra a forma mais séria de analisar a coisa. Pense só na letra do rap de abertura original. Ali, já vemos que a situação que começa a história de Will na série é extremamente grave. Um garoto negro de periferia sendo enviado pela mãe pra casa da irmã rica porque teme pela vida do rapaz, ameaçado por uma gangue. Na série, a piada sempre vinha amenizar, mesmo com tantos episódios terminando com reflexões, às vezes, sem nem as tradicionais risadas e palmas.

Agora, pode mergulhar nas questões sérias porque a população já está acostumada a debater recortes raciais e sociais de modo geral sem o medo de parecer o chato do discurso. Estamos mais preparados pra deglutir assuntos indigestos e ver isso melhor representado do que antigamente. Sorte demais a Jabari Banks (que já tem o sobrenome do Tio Phil, bom presságio), Will Smith, Morgan Cooper e toda equipe. Torço muito pra que Bel Air seja uma atualização da vitrine por onde nos vemos e que enriqueça a conscientização e o debate.

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