Aos 61 anos, a atriz conta que a dor chegou a nota 9 de 10 e que a doença a fez aprender a ouvir o próprio corpo
Viola Davis falou pela primeira vez sobre o herpes-zóster (shingles, em inglês), infecção causada pelo mesmo vírus da catapora. O relato foi publicado nesta quinta-feira (8) em entrevista exclusiva ao programa americano TODAY e também à revista PEOPLE.
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Não se trata de um diagnóstico atual. A atriz relembra um episódio que viveu já depois dos 50 anos. No início, achou que estava gripada. Depois, a dor foi tão intensa que ela chegou a pensar ter sido picada por uma aranha venenosa. Segundo a PEOPLE, Viola descreveu o diagnóstico como “a surpresa da minha vida”.
As bolhas se espalharam pelo corpo e a dor afastou a atriz da rotina. “Eu não conseguia sair, não conseguia trabalhar”, contou, em declaração divulgada pela farmacêutica GSK. Ela diz que, na época, estava se desgastando ao conciliar a maternidade e uma carreira intensa.
Para Viola, o episódio virou um ponto de virada. Ao TODAY, ela resumiu que a doença a fez despertar para a necessidade de ouvir o próprio corpo. A atriz, que se considerava saudável e ativa, só depois entendeu que a idade, por si só, já aumenta o risco.
O relato faz parte da campanha Shingles, actually, lançada pela GSK nos Estados Unidos para incentivar pessoas acima de 50 anos a conversar com médicos sobre o risco da doença e a prevenção. A GSK é fabricante de vacina contra o herpes-zóster. Viola é porta-voz da ação, que também reúne a atriz Kristin Davis e a médica Jen Caudle.
O que é o herpes-zóster
O herpes-zóster é causado pelo mesmo vírus da catapora, o varicela-zóster. Depois que a pessoa tem catapora, geralmente na infância, o vírus fica adormecido nos nervos e pode voltar a se manifestar anos depois, quando a imunidade enfraquece.
Os sinais mais comuns são:
- Dor, ardência ou formigamento numa área da pele, às vezes dias antes das lesões
- Manchas vermelhas com bolhas, em faixa e de um lado só do corpo
- Cansaço, febre baixa e dor de cabeça
O risco cresce a partir dos 50 anos, porque a resposta do sistema imunológico diminui com a idade. Segundo dados do CDC citados pela GSK, uma em cada três pessoas terá a doença ao longo da vida, e cerca de 1 milhão de casos são registrados por ano nos EUA. Estresse intenso e imunidade baixa também são gatilhos.
Ninguém pega herpes-zóster de outra pessoa. A doença só aparece em quem já teve catapora, quando o vírus adormecido no próprio corpo volta a se manifestar. Mas o líquido das bolhas carrega o vírus e pode passar catapora para quem nunca teve a doença nem tomou a vacina contra ela. Por isso, a orientação é manter as lesões cobertas até virarem casquinha e evitar contato próximo com gestantes que nunca tiveram catapora, recém-nascidos e pessoas com imunidade baixa nesse período.
A complicação mais temida é a neuralgia pós-herpética, uma dor que pode durar meses mesmo depois que a pele cicatriza. O tratamento com antivirais funciona melhor quando começa cedo. Existe vacina contra o herpes-zóster, e a orientação é conversar com um médico sobre indicação e prevenção.
E a vacina no Brasil?
No Brasil, a vacina contra o herpes-zóster não está disponível no SUS e só pode ser tomada na rede privada. O imunizante é o Shingrix, da própria GSK, aprovado no país em 2021 para pessoas acima de 50 anos e imunossuprimidos a partir dos 18. O esquema completo tem duas doses e pode passar de R$ 2 mil.
Em janeiro de 2026, o Ministério da Saúde decidiu não incorporar a vacina ao SUS, seguindo parecer da Conitec (Portaria SCTIE/MS nº 3). A proposta avaliada previa a oferta para idosos a partir de 80 anos e pessoas imunocomprometidas a partir de 18.
A comissão reconheceu a eficácia da vacina, mas barrou a inclusão pelo custo. A GSK ofereceu a dose ao governo por R$ 403,30, enquanto a Conitec calculou que o preço precisaria cair para R$ 75,75 para ser viável. O impacto estimado era de R$ 5,2 bilhões em cinco anos.
A portaria permite que o tema volte a ser avaliado caso surjam fatos novos, como uma redução de preço. Hoje, o SUS oferece proteção contra o vírus apenas na infância, com as vacinas contra a catapora e a tetraviral.
O tema também avança no Congresso. Em 1º de setembro de 2026, a Comissão de Assuntos Sociais do Senado aprovou o Projeto de Lei 4.426/2025, que prevê a vacina gratuita no SUS para pessoas acima de 50 anos e maiores de 18 com imunidade comprometida. A medida ainda não está em vigor: o texto passa por mais uma votação na comissão e depois segue para a Câmara dos Deputados.
A doença pesa no sistema público. Segundo o Ministério da Saúde, foram registradas 30.801 internações por herpes-zóster no país entre 2008 e 2024, e 1.567 pessoas morreram pela doença entre 2007 e 2023.
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