O terceiro acusado de envolvimento no assassinato da líder quilombola Maria Bernadete Pacífico Moreira, conhecida como Mãe Bernadete, será julgado pelo Tribunal do Júri no dia 13 de outubro, às 8h, no Fórum Ruy Barbosa, em Salvador. O crime completou três anos na segunda-feira (17).
Josevan Dionísio dos Santos, conhecido como “BZ” ou “Buzuim”, é apontado pelo Ministério Público como um dos executores do assassinato, ocorrido em 17 de agosto de 2023, na comunidade quilombola Pitanga dos Palmares, em Simões Filho, na Região Metropolitana de Salvador.
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Segundo o advogado da família, Dr. Hédio Silva, as provas reunidas no processo são suficientes para sustentar a condenação do acusado. Durante o julgamento, a defesa pretende pedir a aplicação da pena máxima, de 40 anos de prisão.
“Ele foi o segundo executor. Ele atirou várias vezes. Temos prova testemunhal, prova pericial, além da arma utilizada no crime, que ele chegou a exibir nas redes sociais. Também há elementos de que participou do planejamento da execução. Diante da robustez das provas, não tenho dúvida de que será condenado. Vamos pedir a pena máxima, de 40 anos”, afirmou o advogado.
Josevan foi pronunciado por homicídio qualificado pelo uso de recurso que dificultou a defesa da vítima. O julgamento será realizado em Salvador após o Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) determinar a transferência do processo, inicialmente vinculado à comarca de Simões Filho. A decisão tornou-se definitiva em maio deste ano.
Relembre o caso
Mãe Bernadete tinha 72 anos quando foi assassinada a tiros dentro da sede da Associação Quilombola Pitanga dos Palmares. De acordo com a acusação, a atuação da liderança em defesa do território quilombola e contra a expansão do tráfico de drogas na região contrariava os interesses de uma organização criminosa que atuava na localidade.
O assassinato ocorreu seis anos após a morte do filho de Mãe Bernadete, o também líder quilombola Flávio Gabriel Pacífico dos Santos, conhecido como Binho do Quilombo. Ele foi morto a tiros em setembro de 2017.
Este será o terceiro julgamento relacionado ao assassinato de Mãe Bernadete. Arielson da Conceição Santos e Marílio dos Santos já foram julgados e condenados pelo crime. Apontado pelas investigações como mandante, Marílio morreu posteriormente durante uma operação policial.
Dr. Hédio Silva participou do julgamento mais recente e afirma que cada nova etapa representa um avanço na busca da família por justiça e responsabilização dos envolvidos.
“Não estamos falando apenas da responsabilização por um crime brutal contra uma mulher de 72 anos. Mãe Bernadete era uma liderança quilombola, uma defensora do seu território e dos direitos de sua comunidade. A resposta da Justiça precisa estar à altura da gravidade desse crime. A família seguirá acompanhando cada etapa até que todos os responsáveis sejam julgados e responsabilizados”, declarou.