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	<title>Arquivos sebra - Mundo Negro</title>
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		<title>Michel Alcoforado: “Pessoas pretas, guardem dinheiro. O que brancos não estão preparados para ouvir é não”</title>
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		<dc:creator><![CDATA[(MN) Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 30 May 2026 16:16:42 +0000</pubDate>
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<p><strong><em>Por Sara Paixão do Rio de Janeiro<br></em></strong><br>A feitura do best seller “Coisa de Rico” fez do antropólogo Michel Alcoforado um dos maiores especialistas no mercado de luxo do país. Não à toa, durante a Feira Preta, no Rio, ele foi um dos convidados da mesa Sebraeapresenta: Consumo, Poder e Invisibilidade, mediado por Cris Guterres, com participação da também jornalista Luanda Vieira, e do head de diversidade da L&#8217;Oreal, Eduardo Paiva. Durante o bate-papo, Michel deu conselhos valiosos para pessoas pretas conseguirem mudar de patamar financeiro. </p>



<p>“A sociedade é racista. Nós negros é que precisamos saber muito bem é saber qual o nosso tamanho. Então a dica é: saiba o seu tamanho! Para não achar que será mais do que você é, mas também não deixar ninguém achar que você é menos do que você é. E um caminho importantíssimo é: pessoas pretas, guardem dinheiro. Porque o que os brancos não estão preparados para ouvir é não. Não quero comprar tua marca, não vou aceitar a tua oferta de trabalho, não me interessa fazer negócio com você. Então, guarda dinheiro, se der, para falar não. É dizendo não que a gente cresce e diz para o outro tamanho da gente”, defendeu ele, que completou que a escassez inviabiliza a independência: “Quando você está na precariedade, é obrigado a aceitar qualquer coisa, fica mais difícil”.<br></p>



<p>Michel lembrou ainda dos questionamentos que recebe se “Coisa de rico” deveria ter trazido uma discussão racial mais explícita. “Digo que o debate está dado, porque um branco não teria feito esse livro. Um branco não está treinado para receber tantos nãos, como eu recebi ao longo desse processo, e continuar acreditando que ia dar em algum lugar e ia conseguir entrar no mundo dos ricos”, explicou ele.&nbsp;</p>



<p>Mesmo tendo o livro mais vendido no país em 2025, acumulando uma formação multidisciplinar nas áreas de Ciências Sociais, História e Antropologia, com doutorado (PhD) e especialização internacional em antropologia do consumo, ele revelou não ter sido considerado apto para ministrar uma formação recentemente.&nbsp;</p>



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<figure class="wp-block-image size-large"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="1024" height="684" data-id="95857" src="https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/05/photo_4958865323687875059_y-1-1024x684.jpg" alt="" class="wp-image-95857" srcset="https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/05/photo_4958865323687875059_y-1-1024x684.jpg 1024w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/05/photo_4958865323687875059_y-1-300x200.jpg 300w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/05/photo_4958865323687875059_y-1-150x100.jpg 150w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/05/photo_4958865323687875059_y-1-768x513.jpg 768w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/05/photo_4958865323687875059_y-1-629x420.jpg 629w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/05/photo_4958865323687875059_y-1-696x465.jpg 696w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/05/photo_4958865323687875059_y-1-1068x713.jpg 1068w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/05/photo_4958865323687875059_y-1.jpg 1280w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption class="wp-element-caption">Mesa Sebrae Apresenta: Consumo, Poder e Invisibilidade, mediado por Cris Guterres, com participação da também jornalista Luanda Vieira, e do head de diversidade da L&#8217;Oreal, Eduardo Paiva. Foto: 📷 @ntiuira | @atl4ntica.br</figcaption></figure>
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<p>“Sugeriram o meu nome por um desses cursos em que convidam grandes personalidades para falar sobre determinado tema e o gestor do curso, um homem branco, virou uma pessoa que tinha sugerido o meu nome, a minha revelia, e disse: ‘Ainda falta um chão para o Michel conseguir dar uma aula nesse curso’. Eu pensei: ‘Falta o que mais? Falta ser branco!’”, refletiu ele.&nbsp;</p>



<p>Ainda sim, o racismo não tira a fé de Michel na chegada de dias melhores. Depois de reforçar a importância das conquistas feitas pelo Movimento Negro no Brasil, ele deu sua receita para cuidar da saúde mental.&nbsp;</p>



<p>“Aqui ninguém deu nada pra gente de graça. Todo dia de manhã, mato um leão. A gente está mudando, só que o desafio é enorme. Esse é o país que tem 380 anos de escravidão, e a gente só tem 120 anos dessa transformação (&#8230;). Minha receita toda vez que me perguntam: ‘E a saúde mental, como é que você aguenta?’ Duas sessões de análise, se você puder pagar por semana, um pouco de macumba e se precisar, vai no psiquiatra tomar duas bolinhas…. Mas vai, não dá passo para trás. Acorda de manhã e mata outro leão”, defendeu ele, que, além de profissionais de saúde e de religião de matriz africana, procura ouvir a voz da experiência: “A dica é escutar os mais velhos, olhando para a realidade, desviando das cascas de banana e sabendo para onde se quer ir. Não sei qual será meu próximo projeto, mas continuo com o objetivo de colocar a antropologia na rua. A ciência é boa demais. É preciso compartilhar conhecimento. E conhecimento guardado só pra gente presta pra nada, né?”.&nbsp;</p>
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