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	<title>Arquivos RGBlack - Mundo Negro</title>
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	<description>Uma mídia negra diferente!</description>
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		<title>Movimento RGBlack pretende fomentar debate sobre o viés racial presente na indústria do audiovisual</title>
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		<dc:creator><![CDATA[(MN) Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 22 Oct 2021 14:15:42 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[ÚLTIMAS NOTÍCIAS]]></category>
		<category><![CDATA[Juh Almeida]]></category>
		<category><![CDATA[RGBlack]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A iniciativa quer estimular a transforma&#231;&#227;o cultural e tecnol&#243;gica de como a pele negra &#233; retratada no mercado audiovisual AKQA&#160;lan&#231;a o movimento&#160;RGBlack&#160;&#8211;&#160;Reframing the Greatness of Black&#160;(Retratando a Grandeza da Pele Negra) em parceria com a produtora&#160;Pr&#243;digo Filmes&#160;e a diretora&#160;Juh Almeida&#160;para fomentar o debate sobre o vi&#233;s racial presente na cultura e nas tecnologias da ind&#250;stria [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><em>A iniciativa quer estimular a transformação cultural e tecnológica de como a pele negra é retratada no mercado audiovisual</em></p>



<p><strong>AKQA</strong>&nbsp;lança o movimento&nbsp;<strong>RGBlack</strong>&nbsp;–&nbsp;<em>Reframing the Greatness of Black&nbsp;</em>(Retratando a Grandeza da Pele Negra) em parceria com a produtora&nbsp;<strong>Pródigo Filmes</strong>&nbsp;e a diretora&nbsp;<strong>Juh Almeida</strong>&nbsp;para fomentar o debate sobre o viés racial presente na cultura e nas tecnologias da indústria audiovisual. O movimento visa promover uma transformação na forma como a pele negra é retratada e enfatizar a importância de formas de representação mais inclusivas.</p>



<p>A ideia do projeto surgiu há dois anos, durante uma análise interna da área de Impacto da AKQA, que percebeu que alguns dos trabalhos do estúdio não retratavam fielmente a beleza da pele negra. Para corrigir esses erros em projetos futuros, a equipe pesquisou técnicas de calibração de cores, iluminação, diferenças entre tons de pele, maquiagem e cabelo, examinou o uso de IA no processamento de imagens e descobriu que, para atender às necessidades do mercado-alvo dominante na década de 1940, o padrão implícito nas configurações originais dos produtos fotográficos privilegiava a pele branca. Oitenta anos depois, mesmo com a evolução da imagem digital, os padr&amp;otilde ;es usados continuam exatamente os mesmos.</p>



<p>“Vivemos em uma era visual. As imagens moldam a maneira como percebemos e entendemos o mundo ao nosso redor. Ao considerar como o racismo estrutural se reflete na tecnologia fotográfica, é essencial compreender que a tecnologia é um artefato humano projetado dentro de um contexto social e que nossas escolhas tecnológicas vão favorecer ou desfavorecer certos grupos com base nas estruturas de poder existentes”, diz Yago Freitas, produtor sênior da AKQA.</p>



<p></p>



<div class="wp-block-image"><figure class="alignleft size-large is-resized"><img decoding="async" src="https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2021/10/juh-almeida-edited.png" alt="" class="wp-image-41322" width="426" srcset="https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2021/10/juh-almeida-edited.png 828w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2021/10/juh-almeida-edited-300x300.png 300w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2021/10/juh-almeida-edited-150x150.png 150w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2021/10/juh-almeida-edited-768x768.png 768w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2021/10/juh-almeida-edited-696x696.png 696w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2021/10/juh-almeida-edited-420x420.png 420w" sizes="(max-width: 828px) 100vw, 828px" /><figcaption>Juh Almeida. Foto: Pamela Anastácio</figcaption></figure></div>



<p><strong>O legado dos “Shirley cards”&nbsp;</strong></p>



<p>Ao longo do século 20, a pele branca foi usada como referência de tecnologia aplicada a filmes coloridos. Para calibrar as cores de uma imagem, os laboratórios fotográficos usavam os chamados “Shirley cards”: uma foto de uma mulher branca com as referências de cores, exposição à luz e densidade. Com esse método de calibração, fotógrafos e designers realizavam o balanceamento das máquinas de impressão fotográfica em um padrão considerado “normal”.</p>



<p>Shirleys – apelido dado às mulheres que apareciam nos cartões, em referência a Shirley Page, a primeira modelo a ser usada para esse fim – eram invariavelmente brancas, e&nbsp;essa padronagem de calibração dificultava que os tons de&nbsp;&nbsp;pele negra fossem retratados com a mesma fidelidade.&nbsp;O método resultou em imagens da pele escura com aparências&nbsp;desfocadas, chapadas e sombreadas nas revelações fotográficas.</p>



<p>As primeiras mudanças para ampliar a gama de tons marrons das emulsões químicas dos filmes ocorreram na década de 1960, principalmente devido à pressão de fabricantes de móveis e chocolates. Eles reclamavam que seus anúncios&nbsp;publicitários&nbsp;impressos não refletiam a diversidade de tons que diferenciavam seus produtos.&nbsp;</p>



<p>A partir de 1990, com o surgimento de câmeras capazes de processar tons de pele claros e escuros ao mesmo tempo, foram lançados cartões Shirley multirraciais, embora todas as modelos ainda tivessem a tez clara. Eles nunca foram amplamente adotados porque coincidiram com o surgimento da fotografia digital,&nbsp;mantendo o viés racial nas práticas contemporâneas de captura, criação e distribuição de imagens.</p>



<p><strong>Viés racial nos algoritmos de inteligência artificial&nbsp;</strong></p>



<p>Hoje, a grande maioria das ferramentas de IA usadas para edição de imagens foi treinada para ver rostos humanos usando bibliotecas de imagens digitais que também carregam esse viés preconceituoso. O resultado dessa prática é que pessoas reais são representadas erroneamente ou excluídas, exatamente como os cartões Shirley foram projetados para fazer.</p>



<p><strong>Novas perspectivas para a produção de imagens</strong></p>



<p>“O movimento RGBlack nasceu para romper essas regras e trazer novas perspectivas para quem está atrás das câmeras retratar toda a grandeza da beleza negra por meio da criação de novos cards&nbsp;de calibração projetados para diversos tipos de pele. Eles&nbsp;estão na plataforma&nbsp;<a href="http://rgblack.org/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">rgblack.org</a>,&nbsp;junto com informações sobre princípios de iluminação, beleza e colorimetria”, diz Gabriel França, diretor de criação associado da AKQA.</p>



<p>A fotógrafa e diretora Juh Almeida, da Pródigo Filmes, é uma das protagonistas desse movimento e é quem dirige o filme que recria os novos cartões com modelos negras.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>“Para mim, o objetivo principal de um projeto como o RGBlack é quebrar de uma vez por todas a transmissão da mensagem social e psicológica sutil que dita a dominância da pele branca como padrão em todos os departamentos da imagem, não só na frente e atrás das câmeras, mas também no&nbsp;backstage, fichas técnicas, bastidores e, lógico, nas mídias que nos bombardeiam dia a dia deixando evidente que não existe espaço para pessoas de pele negra. Em linhas gerais, o que queremos com esse projeto é inquietar e confrontar o imaginário enraizado nas mentes criativas de quem encabeça projetos e ainda dita a branquitude como padrão”, pontua Juh Almeida. “O tema er a também campo de estudo da minha dissertação de mestrado e meu interesse pelo assunto se manteve. Com a vontade de revolucionar de forma coletiva a indústria da imagem e de desafiar o racismo institucional, eu aceitei dirigir o projeto que propõe evitar esses erros nas futuras captações”, acrescenta a diretora.</p>



<p>O filme de lançamento do movimento RGBlack, também cocriado e dirigido por Juh, revisita os Shirley cards com um olhar negro e uma proposta de reflexão que antecede o clique. “A fotografia não é apenas um sistema de calibração de luz, mas uma tecnologia de decisões subjetivas. Quem eu vou fotografar? Qual ângulo escolher? De onde entra a luz? Por que neste cenário? Por que esta pessoa?&nbsp;A tecnologia deve ser o equalizador final, deve principalmente atender às necessidades de todos sem um preconceito inerente ou viés racista. Não podemos mais presumir que a cor branca é o padrão.” E finaliza: “Acredito muito que o RGBlack celebra e traz à luz pautas antes ignoradas e sile nciadas na indústria do cinema e da fotografia. Eu sonho grande e acredito que ressignificar a Shirley é o primeiro passo para mudar o mundo por meio da fotografia”, defende a diretora.&nbsp;</p>



<p><strong>Assista: </strong></p>



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