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	<title>Arquivos Relações étnico-raciais - Mundo Negro</title>
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	<description>Uma mídia negra diferente!</description>
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		<title>Equidade de Educação para as relações étnico-raciais, uma reparação histórica</title>
		<link>https://mundonegro.inf.br/equidade-de-educacao-para-as-relacoes-etnico-raciais-uma-reparacao-historica/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Ivair Augusto Alves dos Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 01 Jun 2025 16:55:03 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
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		<category><![CDATA[Relações étnico-raciais]]></category>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Em conversa animada com o saudoso Professor <strong>Eduardo de Oliveira</strong>, autor do Hino à Negritude, ele comentou que em dada ocasião, lá pelos idos da década de 1950, estava em campanha para ser candidato a vereador no Município de São Paulo. Então teve a brilhante ideia de fazer a rifa de um liquidificador, utensilio doméstico muito disputado na época. Em um baile da moçada, ele apresentou a seguinte ideia: cada pessoa que apresentasse o seu título de eleitor ganharia um número para concorrer ao liquidificador. Foi um alvoroço no baile. Porém, qual foi a grande surpresa? No baile, que deveria ter cerca de mil pessoas, quase ninguém tinha o título de eleitor. A maioria dos presentes era analfabeta e não tinha o direito de votar.</p>



<p>O direito ao voto dos analfabetos só foi conquistado em 1985. Há pouco mais 40 anos! Pouca gente sabe, mas durante o período de escravização, as pessoas negras foram proibidas de frequentar a escola. A Lei nº 1 de 14 de janeiro de 1837 soma-se a outras leis e portarias de províncias e de instituições de ensino, que deixaram demarcado de forma explícita o impedimento de pessoas negras de estudarem. As poucas escolas públicas criadas no início do século XIX foram proibidas aos homens negros e mulheres negras.</p>



<p>Lei n. 1, de 1837, e o Decreto nº 15, de 1839, sobre Instrução Primária no Rio de Janeiro, o Artigo 3º da lei de 1837 dizia: &#8220;São prohibidos de frequentar as Escolas Publicas: 1º Todas as pessoas que padecerem de moléstias contagiosas. 2º Os escravos, e pretos ainda que sejão livres, ou libertos&#8221; <em>[sic]</em>. Ao longo do século XIX, o esforço de ensinar a ler e escrever coube às Irmandades de cor, aos Clubes Sociais Negros e às Organizações Negras, que criaram a imprensa negra e as iniciativas de professores negros como professor <strong>Pretextato</strong>, em 1856, no Rio de Janeiro e <strong>Antônio Cesarino,</strong> em 1860, na cidade de Campinas no estado de São Paulo . O Estado brasileiro se omitiu e proibiu que os negros pudessem frequentar escolas.</p>



<p>Os efeitos desta tragédia humana impactaram no acesso à educação e criaram obstáculos à participação política de homens e mulheres negras. A aprovação da Emenda Constitucional nº 25 de 1985 iniciou mudanças a esse cenário e, em seguida, a Constituição Federal de 1988 ampliou o direito ao voto de pessoas analfabetas. A Constituição Federal de 1988 estabeleceu um arcabouço reconhecendo a importância da educação para pessoas negras, em especial os Artigos 4º,5º, 205º,206º,208º,211º,212º, 212ºA, 213º e 214º. O resultado desses marcos institucionais, fruto da luta do movimento negro, é que hoje podemos formular políticas públicas de equidade para enfrentar as múltiplas desigualdades que ainda persistem em nosso sistema educacional.</p>



<p>O Ministério da Educação, no dia 14 de maio de 2024, lançou a Política Nacional de Equidade, Educação para as Relações Étnico-Raciais e Educação Escolar Quilombola (PNEERQ) coordenada pela Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização de Jovens e Adultos, Diversidade e Inclusão (Secadi). O objetivo é fortalecer ações e programas educacionais sobre relações étnico-raciais e a educação escolar quilombola, com impacto em 5.570 municípios das 27 unidades federativas. Uma verdadeira revolução, como nunca foi realizado na história da educação brasileira. É a continuidade de um processo de reparação histórica, realizada pela luta do movimento negro ao longo do século XX e XXI contra a omissão e o racismo do Estado brasileiro.</p>



<p>Neste primeiro ano, houve adesão recorde à PNEERQ: de 97,3% das secretarias municipais e 100% das secretarias estaduais. Nos estados de Alagoas, Amapá, Bahia, Ceará e Rio de Janeiro, houve a adesão de 100% dos municípios, reforçando o compromisso nacional com a implementação da política. Sua capilaridade é assegurada por uma rede nacional de governança, composta por mais de 1.500 agentes de articulação e formação distribuídos em todo o território nacional. Até 2027, a PNEERQ investirá R$ 1,5 bilhão em ações afirmativas para educação básica brasileira.</p>



<p>Para a secretária da Secadi, <strong>Zara Figueiredo</strong>, a PNEERQ, que completou um ano, é tida como a política mais estratégica do MEC para promover equidade racial na educação básica. “É a primeira vez que introduzimos um princípio de ação afirmativa na educação básica. Ela nasce da certeza de que existe uma dívida histórica com a população negra e quilombola, mas, também, do reconhecimento de todos os que vieram antes de nós e pavimentaram este caminho. Equidade racial e educação para as relações étnico-raciais dizem respeito à garantia do direito à educação, com um padrão de qualidade para essas populações”, ressalta.</p>



<p>Conhecendo o professor <strong>Eduardo de Oliveira</strong>, acredito que ele daria uma gargalhada bem gostosa de alegria com os resultados e o impacto do PNEERQ na vida de nossa gente, ele, que foi sempre otimista em relação à força do movimento negro no enfrentamento do racismo. Depois, eu o veria com o semblante sério, e com a voz animada nos convidaria a entoar os versos do Hino à Negritude:</p>



<p>“De um passado de heróico labor<br>Todos numa só voz<br>Bradam nossos avós<br>Viver é lutar com destemor<br>Para frente marchemos impávidos<br>Que a vitória nos há de sorrir<br>Cidadãs, cidadãos<br>Somos todos irmãos<br>Conquistando o melhor por vir<br>Ergue a tocha no alto da glória<br>Quem, herói, nos combates, se fez<br>Pois que as páginas da História<br>São galardões aos negros de altivez”</p>



<p>Em 28 de maio de 2014 foi promulgada a lei nº 12981 que dispõe do hino à Negritude de autoria do <strong>Professor Eduardo de Oliveira</strong> (1926-2012).</p>
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