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	<title>Arquivos Panafricanismo - Mundo Negro</title>
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	<description>Uma mídia negra diferente!</description>
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		<title>Qual é a sua agenda?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[(MN) Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 07 Aug 2021 12:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[Afrocentricidade]]></category>
		<category><![CDATA[Hitoricidade]]></category>
		<category><![CDATA[Panafricanismo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por Jonathan Raymundo Um dos conceitos que mais curto em Hist&#243;ria &#233; o de historicidade. Este conceito tenta compreender as din&#226;micas que est&#227;o envolvidas na forma&#231;&#227;o dos valores, das cren&#231;as, dos h&#225;bitos e institui&#231;&#245;es sabendo que essas realidades se transformam no tempo, n&#227;o s&#227;o est&#225;ticas, s&#227;o hist&#243;ricas. Para a Historicidade, a experi&#234;ncia &#8211; compreendendo o [&#8230;]</p>
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<p><em>Por Jonathan Raymundo </em></p>



<p>Um dos conceitos que mais curto em História é o de historicidade. Este conceito tenta compreender as dinâmicas que estão envolvidas na formação dos valores, das crenças, dos hábitos e instituições sabendo que essas realidades se transformam no tempo, não são estáticas, são históricas. </p>



<p>Para a Historicidade, a experiência &#8211; compreendendo o que é experimentado e como se experimenta &#8211; é a teia que tece a realidade de um ser. Por exemplo: apesar de serem gêmeos, crescerem em uma mesma família, mesma escola, mesmos pais duas pessoas desenvolverão personalidades diferentes, porque as suas experiências individuais darão o tom. </p>



<p>Em uma linguagem psicológica, historicidade são os conjuntos de experiências que irão constituir a história de uma pessoa e que condicionará seu comportamento em uma determinada situação. Costumava sempre dizer que é impossível dar &#8220;cavalinho de pau com transatlântico&#8221;, ou seja, não tem como operar movimento bruscos com o conjunto de experiências que engendram a história de um ser, que constrói quem somos. </p>



<p>Sempre agiremos no limite do horizonte das nossas experiências e expectativas. Como os indivíduos, também são os grupos sociais, os povos, as raças. Elas possuem experiências específicas, ou seja, historicidades específicas que formam seu ser, sua psicologia, seu comportamento. </p>



<p>É o estudo dessa formação e das implicações políticas que delas decorrem que se trata também uma perspectiva afrocêntrica. Se pretos e brancos tem experiências históricas diferentes na sua formação de povo como suas agências, seu pensamento, seu comportamento, suas soluções, sua perspectiva seriam iguais? Se somarmos a isso a realidade de que há no mundo uma dominação cultural, política, econômica, ou seja, civilizatória, branca, na discussão perceberemos o óbvio: se a fala/comportamento das pessoas pretas estão em consonância com as pessoas brancas que as dominam e que possuem historicidades diferentes, é porque essas falas são falas ideológicas produzidas pelo regime de poder branco, ou seja, a partir da historicidade branca. </p>



<p>Ideologia aqui como os esquemas de pensamento (material e imaterial) que promovem uma alienação. Ora, pra agir igual o branco, pensar igual o branco, se comportar igual e ter a mesma agenda política que o branco, o negro precisa estar alienado da sua própria experiência histórica, alienado de si próprio, ou seja, colonizado. </p>



<p>Como um povo que convive com uma taxa de aniquilamento onde se morre um filho, um pai, um primo, um tio a cada 23 minutos pode dar a mesma resposta de um povo que não sabe o que é genocídio? Como uma mulher negra pode dar a mesma resposta que as mulheres brancas, se as experiências são outras? Como as mães pretas podem responder a vida igual as mães brancas? </p>



<p>Ora, isso só é possível pela dominação ideológica e alienação. Enfim, esse texto é um enfrentamento, uma guerra contra a ideologia dominante e o seu processo de alienação e um convite ao despertar Negro. Como negro é uma invenção do mundo branco, é preciso &#8220;Tornar-se Negro&#8221; fora da construção de sentido colonial, como nos lembra Neusa Santos. Ou seja, é preciso tecer o próprio ser a partir da própria historicidade. </p>



<p>Toda vez que um Negro em posição de poder (de influência) ter sua fala aplaudida calorosamente por pessoas brancas, é preciso desconfiar se essa fala não passa de peça de propaganda ideológica branca e portanto, de instrumento de alienação cujo objetivo é a manutenção do domínio colonial da supremacia branca. </p>



<p>Saiba também que o poder quer o poder e que poder se exerce e não se doa. Nenhum povo fará o trabalho por você. Nem se quiserem (não irão querer, pois poder não se doa), não podem, pois sua historicidade é outra. Qual é a sua história? Seu ponto de vista? Sua interpretação da realidade e principalmente qual a agenda política que você defende, levando em conta a sua própria experiência nesse território?</p>
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