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	<title>Arquivos O amor tem cor? - Mundo Negro</title>
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	<description>Uma mídia negra diferente!</description>
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		<title>Quem te ensinou que o amor não tem cor?</title>
		<link>https://mundonegro.inf.br/quem-te-ensinou-que-o-amor-nao-tem-cor/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Ricardo Corrêa]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 08 Jun 2026 16:42:33 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[Amor]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#8220;Nestes seios brancos que minhas m&#227;os onipresentes acariciam, &#233; da civiliza&#231;&#227;o branca, da dignidade branca que me aproprio.&#8221; &#8212; Frantz Fanon Imposs&#237;vel encarar com naturalidade a opini&#227;o de algumas pessoas negras e brancas de que &#8220;o amor n&#227;o tem cor&#8221;, ainda mais se considerarmos o tamanho da produ&#231;&#227;o intelectual negra revelando os mecanismos racistas presentes [&#8230;]</p>
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<p><em>&#8220;Nestes seios brancos que minhas mãos onipresentes acariciam, é da civilização branca, da dignidade branca que me aproprio.&#8221;</em> — <strong>Frantz Fanon</strong></p>



<p>Impossível encarar com naturalidade a opinião de algumas pessoas negras e brancas de que &#8220;o amor não tem cor&#8221;, ainda mais se considerarmos o tamanho da produção intelectual negra revelando os mecanismos racistas presentes na sociedade brasileira. Mas reconheço a força da ideologia dominante na produção e manutenção do racismo fazendo com que acreditássemos que &#8220;somos todos iguais&#8221;.</p>



<p>A construção do afeto numa sociedade marcada por múltiplas diferenças (raça, classe e gênero) não escapa da hierarquização de pessoas. O homem e a mulher ideais carregam os atributos elencados pelos que detêm o poder simbólico e concreto. Considerando tal aspecto, o papel da colonização tornou-se fundamental na moldagem do desejo dos colonizados. Como a animalização e a objetificação dos povos escravizados se fizeram presentes desde a formação da sociedade brasileira, o referencial positivo de humanidade tornou-se propriedade da população branca.</p>



<p>Quem ousaria amar um objeto? Essa herança não explícita esconde-se nas consciências e vai além: o corpo negro também pode ser útil como instrumento de prazer. O estereótipo da hipersexualização, o &#8220;negrão gostoso&#8221; e a &#8220;mulata assanhada&#8221;, excitou gerações de pessoas. </p>



<p>A intelectual <strong>Lélia González </strong>nos lembra do estigma das mulheres negras, consideradas especialistas em sexo, e cita o ditado popular que sintetiza essa visão social: <em>&#8220;branca para casar, mulata para fornicar, negra para trabalhar&#8221;</em>. Daí testemunhamos uma parcela de homens negros em ascensão social entregando-se à intimidade com mulheres brancas; mulheres negras empurradas para o espaço da solidão, por vezes, sem encontrar saída que não as condicione ao universo branco. E, somadas a todas essas complexidades, outras formas de amar encontram resistência no afeto dentro da própria comunidade.</p>



<p>Ao longo da vida, ouvi casos de pais negros cobrando dos filhos que se relacionassem com pessoas brancas, no intuito de embranquecer a família. Nisso incluía-se a suposição de uma vida objetivamente menos sofrida: o branco consegue melhores oportunidades profissionais, não é perseguido pela polícia e tem menor risco de morrer por violência, além de poder abrir espaços de acesso para o negro. No livro de Neusa Santos Souza, uma entrevistada disse que a avó falava que a negra deveria transar com &#8220;o branco para limpar o útero&#8221;. Nem há como medirmos o grau desse tipo de violência.</p>



<p>Mas esses conselhos não contavam que a relação inter-racial resultaria num ônus pesado para a saúde mental dos negros — o racismo estaria presente a todo instante, dentro da própria família. Nas famílias brancas, a educação para o afeto tinha como foco o que não é novidade: a manutenção da herança colonial, o fortalecimento da branquitude.</p>



<p>No entanto, a comunidade negra segue resistindo. O resgate da humanidade negra, colocado dentro da luta antirracista, trouxe a subversão até do que sugere o próprio título deste texto. As lutas dos movimentos negros abriram importantes caminhos na maneira de olharmos para dentro de nós e para o povo negro. A identidade negra e a produção de espaços para a manifestação da nossa cultura nos aproximam mais. Amamo-nos. Criamos resistência psíquica para não nos deixarmos seduzir pelo discurso da branquitude. </p>



<p>Eu sei que a hipocrisia e a alienação dificilmente irão acabar, mas podemos afirmar, sem meias palavras, que &#8220;o amor tem cor&#8221;. Hoje estamos conscientes de quem somos. Ainda bem!</p>



<p><strong>REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS</strong></p>



<p>FANON, Frantz. <strong>Peles negras, máscaras brancas</strong>. Tradução de Sebastião Nascimento. 1. Ed. São Paulo: Ubu Editora, 2020.</p>



<p>GONZÁLEZ, Lélia. <strong>Por um feminismo afro-latino-americano: </strong>ensaios, intervenções e diálogos. Organização de Flavia Rios e Márcia Lima. 1. Ed. Rio de Janeiro: Zahar, 2020.</p>



<p>SOUZA, Neusa Santos. <strong>Tornar-se negro:</strong> ou as vicissitudes da identidade do negro brasileiro em ascensão social. 2. Ed. Rio de Janeiro: Zahar, 2021.</p>
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