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	<title>Arquivos Mulheres Negras no STF - Mundo Negro</title>
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		<title>De que mulheres para o STF estamos falando?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[(MN) Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 16 Oct 2025 13:26:19 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Por: Fayda Belo &#8211; advogada, TEDx Speaker e consultora em crimes de g&#234;nero e direito antidiscriminat&#243;rio Com o an&#250;ncio da aposentadoria do ministro Lu&#237;s Roberto Barroso, reacendeu-se o debate sobre a urg&#234;ncia de uma nova indica&#231;&#227;o feminina para o Supremo Tribunal Federal, hoje composto por dez homens e apenas uma mulher, a ministra C&#225;rmen L&#250;cia. [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><strong><em>Por: Fayda Belo – advogada, TEDx Speaker e consultora em crimes de gênero e direito antidiscriminatório</em></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Com o anúncio da aposentadoria do ministro <strong>Luís Roberto Barroso</strong>, reacendeu-se o debate sobre a urgência de uma nova indicação feminina para o <strong><a href="https://mundonegro.inf.br/falta-diversidade-de-genero-e-raca-no-supremo-diz-flavia-oliveira-sobre-cotados-de-lula-para-substituir-barroso/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Supremo Tribunal Federal</a></strong>, hoje composto por dez homens e apenas uma mulher, a ministra <strong>Cármen Lúcia</strong>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas antes de celebrar a ideia de “mais uma mulher”, é preciso fazer uma pergunta essencial: de que mulheres estamos falando?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Desde o Império, o poder no Brasil foi planejado, exercido e reproduzido por homens. <strong>Em mais de 130 anos de existência, o STF teve apenas três mulheres em sua composição, e todas elas, mulheres brancas.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Esse dado revela o quanto os espaços de poder e decisão no universo jurídico ainda permanecem reféns de uma lógica patriarcal e colonial, sustentada por um racismo epistêmico que invisibiliza, deslegitima e silencia a intelectualidade das mulheres negras.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O racismo epistêmico retira das mulheres negras o direito de serem reconhecidas como elaboradoras de conhecimento, formuladoras de teoria e intérpretes legítimas da justiça, desqualificando o conteúdo do saber e as credenciais pelo corpo que as carrega, impedindo que o sistema jurídico se beneficie da pluralidade de intelectualidades e epistemologias que poderiam corrigir vieses, ampliar horizontes e<br>humanizar decisões.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quando o debate público sobre a vaga no STF se limita a “ter uma mulher”, sem racializar à discussão, ele reproduz o mecanismo de reconhecer o gênero como critério de inclusão, mas mantém a branquitude como critério de legitimidade e a exclusão continuam apenas sem o constrangimento do racismo declarado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O discurso de que “basta ser uma mulher” parece progressista, mas é uma armadilha retórica, pois desracializa o debate e transforma o gênero em uma categoria isolada, produzindo uma igualdade seletiva que beneficia apenas algumas mulheres e deixa intactas as estruturas que mantêm as demais à margem.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Da mesma forma, o argumento de que não importa a cor, desde que seja uma mulher soa inclusivo, mas é, na verdade, a defesa da manutenção da branquitude como norma, o que no Direito, é o que se chama de discriminação indireta: não se proíbe explicitamente a presença de mulheres negras, mas se estrutura o discurso e o processo de escolha de modo a garantir o mesmo resultado de exclusão.7</p>



<p class="wp-block-paragraph">Trata-se de uma forma de perpetuar um sistema de justiça que se diz imparcial, mas continua estruturalmente excludente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A indicação que o presidente <strong>Lula </strong>fará para a vaga deixada por Barroso é, portanto, uma oportunidade histórica de romper com essa lógica. Não se trata apenas de corrigir o desequilíbrio de gênero, mas de enfrentar o pacto da branquitude que mantém mulheres negras afastadas das mais altas instâncias do poder jurídico.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O Brasil não precisa apenas de mais uma mulher no Supremo. <strong>O Brasil precisa que essa mulher seja uma mulher negra</strong>, porque a história já mostrou que é possível ampliar a presença feminina sem alterar as hierarquias raciais que sustentam o poder.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por isso, a não indicação de uma mulher negra não será apenas uma omissão política, será também um ato de continuidade colonial, que reafirma quais corpos podem decidir e quais só podem ser julgados. </p>



<p class="wp-block-paragraph">O que está em debate, portanto, não é apenas gênero, mas quais experiências, saberes e epistemologias o Estado brasileiro considera dignos de ocupar o vértice do seu sistema de justiça.</p>
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