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	<title>Arquivos machismo - Mundo Negro</title>
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	<description>Uma mídia negra diferente!</description>
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		<title>“Até a Última Gota”: quando o racismo, o machismo e o classismo esgotam uma mulher negra</title>
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		<dc:creator><![CDATA[(MN) Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 19 Jun 2025 08:55:02 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[Até a Última Gota]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Texto: Luciano Ramos (Cont&#233;m spoilers)* Em At&#233; a &#218;ltima Gota, o diretor Tyler Perry nos oferece um filme que &#233; mais do que drama. &#201; den&#250;ncia. &#201; espelho. &#201; ferida aberta. A personagem Janyah &#8212; magistralmente interpretada por Taraji P. Henson &#8212; n&#227;o &#233; apenas uma mulher negra em desespero. Ela &#233; o retrato vivo [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong><em>Texto: Luciano Ramos</em></strong></p>



<p><strong>(Contém spoilers)*</strong></p>



<p>Em <strong><a href="https://mundonegro.inf.br/taraji-p-henson-vive-mae-em-situacao-extrema-em-filme-de-tyler-perry-que-estreia-em-junho/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Até a Última Gota</a></strong>, o diretor <strong>Tyler Perry </strong>nos oferece um filme que é mais do que drama. É denúncia. É espelho. É ferida aberta. A personagem <strong>Janyah </strong>— magistralmente interpretada por <strong>Taraji P. Henson </strong>— não é apenas uma mulher negra em desespero. Ela é o retrato vivo das consequências devastadoras do racismo estrutural, do machismo e da desigualdade de classe que moldam, controlam e, por fim, esmagam a vida de milhões de mulheres negras no mundo real.</p>



<p>Janyah é mãe solo, cuidadora, profissional dedicada. Mas no sistema em que vive, isso nunca é suficiente. Ela acorda às 5h da manhã, enfrenta dois empregos mal remunerados, carrega a responsabilidade integral pelo cuidado da filha doente e lida com uma burocracia institucional fria, cega e racista. Ao longo de um único dia, ela é despejada, demitida, descredibilizada, ignorada por instituições públicas e privadas — tudo isso enquanto tenta salvar a vida da filha, que precisa de um tratamento urgente.</p>



<p>Mas por que essa história nos atravessa tão fundo? Porque não é ficção. É estrutura. É cotidiano.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="1024" height="683" src="https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2025/06/DSC03019_R-1024x683.jpg" alt="" class="wp-image-91439" srcset="https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2025/06/DSC03019_R-1024x683.jpg 1024w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2025/06/DSC03019_R-300x200.jpg 300w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2025/06/DSC03019_R-150x100.jpg 150w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2025/06/DSC03019_R-768x512.jpg 768w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2025/06/DSC03019_R-1536x1024.jpg 1536w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2025/06/DSC03019_R-2048x1365.jpg 2048w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2025/06/DSC03019_R-630x420.jpg 630w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2025/06/DSC03019_R-696x464.jpg 696w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2025/06/DSC03019_R-1068x712.jpg 1068w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2025/06/DSC03019_R-1920x1280.jpg 1920w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption class="wp-element-caption">Taraji P. Henson em &#8216;Até a Última Gota&#8217; (Crédito: Chip Bergmann/Perry Well Films 2/Cortesia Netflix)</figcaption></figure>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Racismo estrutural: a negação da humanidade</strong></h2>



<p>O racismo aqui não aparece com capuz, nem com insultos gritados. Ele aparece com um sorriso burocrático, com a falta de atendimento no hospital, com o gerente do banco que a humilha, com a assistente social que desacredita sua palavra. O racismo impede que Janyah seja vista como uma mulher digna de confiança, de cuidado, de escuta.</p>



<p>Janyah não é enxergada como mãe. É tratada como ameaça. Como suspeita. Como problema. O sistema não se importa com sua dor — e pior: não acredita nela. Isso é o que o racismo estrutural faz com mulheres negras todos os dias. Ele opera silenciosamente, em camadas, retirando direitos, secando oportunidades, apagando afetos. E quando elas reagem, são tratadas como loucas, perigosas, irracionais.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" width="1024" height="683" src="https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2025/06/DSC02792_R-1024x683.jpg" alt="" class="wp-image-91440" srcset="https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2025/06/DSC02792_R-1024x683.jpg 1024w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2025/06/DSC02792_R-300x200.jpg 300w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2025/06/DSC02792_R-150x100.jpg 150w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2025/06/DSC02792_R-768x512.jpg 768w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2025/06/DSC02792_R-1536x1024.jpg 1536w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2025/06/DSC02792_R-2048x1365.jpg 2048w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2025/06/DSC02792_R-630x420.jpg 630w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2025/06/DSC02792_R-696x464.jpg 696w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2025/06/DSC02792_R-1068x712.jpg 1068w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2025/06/DSC02792_R-1920x1280.jpg 1920w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption class="wp-element-caption">Taraji P. Henson em &#8216;Até a Última Gota&#8217; (Crédito: Chip Bergmann/Perry Well Films 2/Cortesia Netflix)</figcaption></figure>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Machismo e a ausência do cuidado partilhado</strong></h2>



<p>Janyah está sozinha. Nenhuma figura masculina a apoia. O pai da criança é ausente. No trabalho, homens brancos ocupam posições de poder e controle, enquanto ela é explorada e descartada. Essa solidão feminina não é casual. É estrutural. O machismo retira dos homens a responsabilidade pelo cuidado e joga nas costas das mulheres — especialmente das mulheres negras — o peso de sustentar o mundo. Se algo dá errado, a culpa também é delas.</p>



<p>A dor de Janyah não é apenas pela filha. É também pela carga solitária, insuportável, de ser tudo para todos e ainda ser desacreditada. A masculinidade, neste contexto, aparece como ausência. E essa ausência é uma forma de violência.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" width="1024" height="683" src="https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2025/06/DSC03330_R-1024x683.jpg" alt="" class="wp-image-91441" srcset="https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2025/06/DSC03330_R-1024x683.jpg 1024w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2025/06/DSC03330_R-300x200.jpg 300w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2025/06/DSC03330_R-150x100.jpg 150w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2025/06/DSC03330_R-768x512.jpg 768w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2025/06/DSC03330_R-1536x1024.jpg 1536w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2025/06/DSC03330_R-2048x1365.jpg 2048w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2025/06/DSC03330_R-630x420.jpg 630w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2025/06/DSC03330_R-696x464.jpg 696w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2025/06/DSC03330_R-1068x712.jpg 1068w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2025/06/DSC03330_R-1920x1280.jpg 1920w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption class="wp-element-caption">Taraji P. Henson em &#8216;Até a Última Gota&#8217; (Crédito: Chip Bergmann/Perry Well Films 2/Cortesia Netflix)</figcaption></figure>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Classismo e o ciclo da pobreza</strong></h2>



<p>O classismo se materializa em cada porta fechada. Janyah mora num prédio em condições precárias, pega ônibus lotado, raciona comida, não tem acesso a crédito, não tem tempo para o próprio sofrimento. Quando sua filha adoece, ela não tem a quem recorrer. O sistema não oferece amparo, mas armadilhas: se ela falta ao trabalho, perde o emprego; se deixa a filha sozinha, é negligente; se pede ajuda, é suspeita.</p>



<p>A falta de acesso a recursos básicos — moradia, saúde, renda — empurra Janyah para uma espiral de desespero que culmina numa ação extrema: o assalto a banco. Mas o filme deixa claro: essa não é uma história sobre crime. É uma história sobre abandono.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="683" src="https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2025/06/STRAW_DAY3_03778_R2-1024x683.jpg" alt="" class="wp-image-91443" srcset="https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2025/06/STRAW_DAY3_03778_R2-1024x683.jpg 1024w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2025/06/STRAW_DAY3_03778_R2-300x200.jpg 300w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2025/06/STRAW_DAY3_03778_R2-150x100.jpg 150w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2025/06/STRAW_DAY3_03778_R2-768x512.jpg 768w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2025/06/STRAW_DAY3_03778_R2-1536x1024.jpg 1536w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2025/06/STRAW_DAY3_03778_R2-2048x1365.jpg 2048w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2025/06/STRAW_DAY3_03778_R2-630x420.jpg 630w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2025/06/STRAW_DAY3_03778_R2-696x464.jpg 696w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2025/06/STRAW_DAY3_03778_R2-1068x712.jpg 1068w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2025/06/STRAW_DAY3_03778_R2-1920x1280.jpg 1920w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption class="wp-element-caption">Taraji P. Henson em &#8216;Até a Última Gota&#8217; (Crédito: Chip Bergmann/Perry Well Films 2/Cortesia Netflix)</figcaption></figure>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>O limite entre o colapso e a resistência</strong></h2>



<p>Quando Janyah entra no banco, ela carrega uma arma, mas carrega também um pedido de socorro. Um pedido para ser vista, ouvida, cuidada. É o grito de quem já perdeu tudo, até mesmo a filha — e não teve tempo de chorar. A cena final, em que descobrimos que Aria já havia morrido, expõe a profundidade do trauma: Janyah estava negando a morte como forma de sobrevivência psíquica.</p>



<p>A dor não é individual. É coletiva. É o retrato da negligência institucional que insiste em tratar mulheres negras como descartáveis, mesmo quando elas gritam por dignidade.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="683" src="https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2025/06/STRAW_DAY6_07215_R-1024x683.jpg" alt="" class="wp-image-91442" srcset="https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2025/06/STRAW_DAY6_07215_R-1024x683.jpg 1024w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2025/06/STRAW_DAY6_07215_R-300x200.jpg 300w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2025/06/STRAW_DAY6_07215_R-150x100.jpg 150w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2025/06/STRAW_DAY6_07215_R-768x512.jpg 768w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2025/06/STRAW_DAY6_07215_R-1536x1024.jpg 1536w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2025/06/STRAW_DAY6_07215_R-2048x1365.jpg 2048w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2025/06/STRAW_DAY6_07215_R-630x420.jpg 630w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2025/06/STRAW_DAY6_07215_R-696x464.jpg 696w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2025/06/STRAW_DAY6_07215_R-1068x712.jpg 1068w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2025/06/STRAW_DAY6_07215_R-1920x1280.jpg 1920w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption class="wp-element-caption">Teyana Taylor e Rockmond Dunbar em &#8216;Até a Última Gota&#8217;. (Crédito: Chip Bergmann/Perry Well Films 2/Cortesia Netflix ©2025)</figcaption></figure>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Precisamos ouvir Janyah</strong></h2>



<p>Até a Última Gota é um filme sobre violência. Mas não a violência espetacularizada das armas. É a violência cotidiana que esmaga lentamente. A violência de ser invisível, desacreditada, usada, abandonada.</p>



<p>Se Janyah chegou ao limite, é porque o sistema falhou. O crime, aqui, é o abandono. É a ausência de políticas públicas. É a naturalização do sofrimento negro. É a misoginia. É o racismo. É a pobreza.</p>



<p>Este filme não deve ser apenas assistido. Deve ser debatido. Deve nos constranger. Porque cada “Janyah” que se cala ou enlouquece sem ser ouvida é mais uma prova de que seguimos falhando — enquanto sociedade, enquanto política, enquanto humanidade</p>
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		<title>Meninos e homens jovens negros e a relação com a pornografia: Quais os impactos para as suas vidas? </title>
		<link>https://mundonegro.inf.br/meninos-e-homens-jovens-negros-e-a-relacao-com-a-pornografia-quais-os-impactos-para-as-suas-vidas/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[(MN) Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 12 Apr 2025 09:00:02 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
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<p><em><strong>Texto: Luciano Ramos</strong></em></p>



<p>Para quem acompanha os meus textos aqui no site<strong> Mundo Negro </strong>e nas minhas redes sociais, já sabe do diálogo que eu faço acerca das masculinidades e os elementos de validação social a que os meninos são submetidos, o tempo todo, para alcançar o reconhecimento. Desde muito cedo, os meninos precisam performar uma masculinidade que eles nem tiveram a chance de dizer se acreditam ou não. E no caso dos meninos negros, isso se torna, ainda mais compulsório. Já que eles aprendem, precocemente, por meio do racismo, que homem negro não é homem. <strong>Ser reconhecido como homem significa cumprir com alguns estereótipos. E um deles é o acesso a pornografia.  </strong></p>



<p>Em geral, segundo as pesquisas, o primeiro contato dos meninos com a pornografia é entre 09 e 13 anos. <strong>A relação de meninos e homens jovens negros e o consumo da pornografia é um tema que envolve diversas dimensões incluindo questões de raça, gênero, sexualidade e representações midiáticas.</strong> Vale ressaltar que há uma carência de estudos específicos focados exclusivamente nesse grupo racial, algumas pesquisas oferecem <em>insights </em>relevantes. </p>



<p><strong>Alguns estudos apontam que a pornografia <em>mainstream </em>frequentemente perpetua estereótipos raciais, especialmente em conteúdos classificados como “interraciais”.</strong> Nessas produções, os homens negros são frequentemente retratados de maneira hipersexualizada e associados a estereótipos de virilidade exacerbada. Além disso, eles são colocados em cena numa perspectiva agressiva e violenta, fortalecendo a ideia de desumanização destes indivíduos, impactando a autoimagem e as relações interpessoais dos jovens negros. O consumo de pornografia irá influenciar a maneiro como jovens negros percebem e constroem as suas masculinidades. Ao internalizar padrões irreais e estereotipados, eles, certamente, enfrentarão conflitos com suas reais identidades e as expectativas impostas pela sociedade. </p>



<p>É impossível não entrar na polêmica de como os filmes pornográficos, também, moldam as relações afetivas sexuais e os desejos dos homens negros, em relação às mulheres brancas, em detrimento das mulheres negras. Aqui não há uma crítica, há uma constatação. <strong>Os filmes pornográficos interraciais que colocam a mulher branca na posição de submissão e de fragilidade criam nos homens negros uma espécie de fetiche de algo que eles precisam vivenciar. </strong></p>



<p>Vale lembrar que masculinidade, tal como temos experimentado, até agora, é poder. Ainda que num aspecto ilusório o homem negro busca o exercício da masculinidade ideal <strong><a href="https://mundonegro.inf.br/masculinidades-negras-a-armadilha-da-hipersexualizacao/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">(se você, ainda, não leu meus artigos aqui, te convido a ler e entender bem o que eu quero dizer)</a></strong>, ou seja, sentir-se poderoso, em alguma medida. Logo, a experiência sexual interracial lhe dá essa falsa sensação. Como os desejos e os afetos são construções sociais, esse desejo se molda, também, por meio dos filmes pornográficos. </p>



<p>A promoção de discussões abertas e educativas sobre sexualidade, raça e mídia é fundamental para a desconstrução de estereótipos e fomento de uma compreensão mais saudável e realista da sexualidade entre meninos e homens jovens negros.</p>
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		<title>Marina Silva critica violência política de gênero após fala sobre &#8216;enforcá-la&#8217;: &#8220;psicopatas&#8221;</title>
		<link>https://mundonegro.inf.br/marina-silva-critica-violencia-politica-de-genero-apos-fala-sobre-enforca-la-psicopatas/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[(MN) Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 20 Mar 2025 13:00:19 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[ÚLTIMAS NOTÍCIAS]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A ministra do Meio Ambiente e Mudan&#231;a do Clima, Marina Silva, reagiu nesta quarta-feira (19) &#224;s declara&#231;&#245;es do senador Pl&#237;nio Val&#233;rio (PSDB-AM), que, durante um evento no Amazonas na &#250;ltima sexta-feira (14), disse: &#8220;Imagine o que &#233; tolerar a Marina seis horas e dez minutos sem enforc&#225;-la&#8221;. A fala do parlamentar gerou rep&#250;dio e foi [&#8230;]</p>
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<p>A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, <strong>Marina Silva</strong>, reagiu nesta quarta-feira (19) às declarações do senador <strong>Plínio Valério</strong> (PSDB-AM), que, durante um evento no Amazonas na última sexta-feira (14), disse: &#8220;Imagine o que é tolerar a Marina seis horas e dez minutos sem enforcá-la&#8221;. A fala do parlamentar gerou repúdio e foi classificada pela ministra como uma incitação à violência contra mulheres.</p>



<p>&#8220;Com a vida dos outros não se brinca. Quem brinca com a vida dos outros ou faz ameaça aos outros de brincadeira e rindo, só os psicopatas são capazes de fazer isso&#8221;, afirmou <strong>Marina Silva</strong> durante participação no programa <em>Bom Dia, Ministra</em>, transmitido pela Empresa Brasil de Comunicação (EBC). Ela ressaltou que a divergência política não pode se transformar em incentivo à violência.</p>



<p>A ministra também associou a declaração do senador a uma postura misógina. &#8220;Dificilmente isso seria dito se o debate fosse com um homem. É dito porque é com uma mulher preta, de origem humilde e uma mulher que tem uma agenda que, em muitos momentos, confronta os interesses de alguns&#8221;, acrescentou.</p>



<p><strong>Marina Silva</strong> destacou que a violência política de gênero é uma realidade constante, mesmo para mulheres em posições de destaque. &#8220;Se uma mulher que consegue se tornar governadora, prefeita, deputada, senadora ou ministra sofre violência política de gênero; [sofrem ainda] mais as mulheres de um modo geral, aquelas que não estão em posição muitas vezes de visibilidade&#8221;, afirmou.</p>



<p>O episódio ocorreu durante um evento em que<strong> Plínio Valério</strong> criticava a participação de <strong>Marina Silva</strong> em uma audiência da CPI das ONGs. A fala do senador gerou reações também no Senado. Nesta quarta, o presidente da Casa, <strong>Davi Alcolumbre</strong>, usou a sessão plenária para repreender Valério, sugerindo que ele reconsiderasse suas palavras. &#8220;Fazer uma referência a essa fala, até mesmo justificar se foi uma fala equivocada&#8221;, disse Alcolumbre.</p>



<p>No entanto, o senador amazonense manteve sua posição. &#8220;Se você perguntar: ‘você faria de novo?’. Não. ‘Mas está arrependido?’. Não, porque eu não ofendi&#8221;, declarou Valério.</p>
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		<title>Akon causa revolta após falas machistas: &#8220;os homens são os reis e divinos deste universo&#8221;</title>
		<link>https://mundonegro.inf.br/akon-causa-revolta-apos-fala-machista-os-homens-sao-os-reis-e-divinos-deste-universo/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[(MN) Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 29 Jan 2023 12:16:41 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Celebridades]]></category>
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		<category><![CDATA[akon]]></category>
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		<category><![CDATA[rapper]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Em entrevista para o&#160;The Joe Budden Podcast, concedida no m&#234;s de dezembro, Akon deu sua opini&#227;o sobre rela&#231;&#227;o de g&#234;nero em &#193;frica&#160; Em entrevista para o &#160;The Joe Budden Podcast&#160;, concedida no m&#234;s de dezembro, o rapper Akon, de 49 anos, causou pol&#234;mica ao reproduzir uma s&#233;rie de falas machistas sobre o &#8220;papel&#8221; das mulheres, [&#8230;]</p>
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<p><em>Em entrevista para o <strong>The Joe Budden Podcast</strong>, concedida no mês de dezembro, <strong>Akon</strong> deu sua opinião sobre relação de gênero em África </em></p>



<p>Em entrevista para o  <strong><em>The Joe Budden Podcast</em></strong> , concedida no mês de dezembro, o rapper <a href="https://mundonegro.inf.br/akon-causa-polemica-ao-dizer-que-artistas-africanos-possuem-mais-presenca-de-palco-do-que-norte-americanos-negros/">Akon</a>, de 49 anos, causou polêmica ao reproduzir uma série de falas machistas sobre o “papel” das mulheres, afirmando que homens seriam superiores.</p>



<p>Akon teria começado dizendo que homens e mulheres &#8220;nunca ser iguais, porque os homens são os reis e divinos deste universo”. Ao dizer que preferia as mulheres africanas, o rapper justificou dizendo que elas tratam homens como reis porque não estão competindo ou “lutando por igualdade, porque entendem que mulheres e homens nunca podem ser iguais”, afirmou.</p>



<p>Em seu discurso, ele ainda pontuou: “Como aqui, mesmo se você disser a palavra &#8216;papel&#8217; para uma mulher aqui, ela ficará ofendida.&nbsp;&#8216;Ei, faça o seu papel e deixe-me fazer o meu.&#8217;&nbsp;&#8216;Função?&nbsp;O que diabos você quer dizer com papel?&nbsp;Como todo mundo tem um papel.&nbsp;Há uma infraestrutura para a vida.&nbsp;E se uma mulher não entende sua posição e o papel que ela desempenha na vida, todo mundo fica confuso”.</p>



<p>Em mais um show de absurdos, ao falar sobre procriação, Akon ainda teria dito que são os homens que criam a vida: “A mulher não cria a vida, ela apóia a criação da vida.&nbsp;Homens, nós somos deuses.&nbsp;Somos nós que criamos a vida.&nbsp;Deixe-me dar-lhe a ciência disso.&nbsp;Um homem agora pode criar uma vida sem uma mulher&#8230; uma mulher não pode criar uma vida sem um homem.</p>



<p>Se eu quisesse criar a vida agora sem uma mulher, eu simplesmente atiraria no meu esperma, colocaria em uma incubadora e esperaria nove meses&#8230; talvez até menos com a ciência de hoje&#8230; uma mulher não pode fazer isso.&nbsp;Os homens perderam a noção do poder que realmente possuem e passaram para a mulher.&nbsp;Aqui na América, os homens têm medo de seu poder”, afirmou.&nbsp;</p>
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		<title>Onde entra a responsabilidade afetiva na discussão sobre masculinidade negra? </title>
		<link>https://mundonegro.inf.br/onde-entra-a-responsabilidade-afetiva-na-discussao-sobre-masculinidade-negra/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Mauro Baracho]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 24 Jan 2023 19:37:26 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[ÚLTIMAS NOTÍCIAS]]></category>
		<category><![CDATA[homens negros]]></category>
		<category><![CDATA[machismo]]></category>
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<p>Dois acontecimentos recentes colocaram o debate sobre masculinidades negras em evidência. O primeiro foi o final do <em>reality show </em>“Casamentos às Cegas”, em que o participante Will (homem negro) disse “não” à participante Verônica (mulher negra), no altar. Na ocasião, Will alegou não estar preparado para se casar e estar confuso em relação aos seus sentimentos. O mais recente foi a separação do casal Luís Navarro e Ivi Pizzott. Em seu comunicado sobre a separação, o ator disse estar confuso com a vida e que por isso daria um tempo no relacionamento para “reencontrar sua essência”. No texto, ele também diz querer tempo para ficar sozinho, refletir, olhar-se no espelho, ler um livro. Obviamente, que o pronunciamento do rapaz não pegou bem, sobretudo, dentro da comunidade negra. </p>



<p>Historicamente, uma das formas de homens brancos humilharem homens negros era os fazendo passar por instáveis emocionalmente e incapazes de prover o sustento de suas famílias. Assim, estes homens brancos poderiam surgir como os verdadeiros patriarcas. Entendo que o racismo nos desumaniza, nos desestabiliza, e estar confuso sobre a vida, e sobre os sentimentos é algo normal dado este contexto. Porém, as situações mencionadas envolvem outras pessoas igualmente violentadas pelo racismo. Neste sentido, devemos levantar o importante debate sobre nossa responsabilidade para com as mulheres negras nas relações afetivas. </p>



<p>Não querer se casar, tudo bem. Mas decidir não se casar no altar depois de todos os preparativos, das famílias reunidas, é um problema. Querer estar sozinho para refletir, dar um tempo, ok. Mas querer estar sozinho para refletir, dar um tempo, quando se está em um casamento tendo duas filhas pequenas, sendo uma recém-nascida, não é algo razoável. Isso se torna um problema maior quando a outra pessoa envolvida neste processo é uma mulher negra. Estes abandonos, inevitavelmente, remontam a velhas histórias de preterimento. Não à toa, várias pessoas estão especulando que o motivo da separação de Navarro e Pizzott seja uma mulher branca. </p>



<p>Os episódios mencionados revelam uma lacuna importante na discussão sobre masculinidades negras: as relações de gênero. É verdade que a forma como estamos discutindo masculinidade negra foca nas dores e silenciamentos dos homens negros, e pouco falamos de que mesmo sendo negros, somos homens que foram criados e estão imersos em uma cultura machista. Afastar-se do cotidiano familiar não é uma opção que se apresenta da mesma forma para homens e mulheres. As relações de gênero são relações de poder, mesmo quando racializadas, e a parte mais beneficiada não nota as vantagens que tem no processo. </p>



<p>Ao falar destes ocorridos, não quero generalizar negativamente os homens negros, e digo que compartilho de inseguranças parecidas, mas quero alertar que precisamos falar sobre nossa forma de se relacionar com as mulheres negras. Sobre como pedimos às mulheres negras que entendam nossas dores e estejam ao nosso lado, mas pouco nos comprometemos a entender e a estar ao lado delas. Masculinidade é uma experiência coletiva, e a gente quer e deve falar sobre nossas dores, confusões, abandonos. Isso é uma forma de quebrar os estereótipos de violência que nos colocaram. Mas neste processo também é importante repensar a forma  com a qual lidamos com as mulheres com quem nos relacionamos. Isso é fundamental para nos diferenciarmos dos homens brancos que tanto criticamos.</p>
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		<title>Homens pretos precisam responsabilizar outros homens e assim proteger mulheres pretas</title>
		<link>https://mundonegro.inf.br/homens-pretos-precisam-responsabilizar-outros-homens-e-assim-proteger-mulheres-pretas/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[(MN) Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 15 Jul 2021 16:42:43 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[Homens]]></category>
		<category><![CDATA[machismo]]></category>
		<category><![CDATA[masculinidade negra]]></category>
		<category><![CDATA[masculinidade tóxica]]></category>
		<category><![CDATA[Mulheres]]></category>
		<category><![CDATA[violência contra mulher negra]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Muitos anos atr&#225;s eu estava sentado em uma lanchonete perto da faculdade e um rapaz, aparentando 23 ou 24 anos gritava com uma garota. Eu e todos os outros homens do lugar ficamos olhando. A garota saiu chorando e o rapaz entrou na lanchonete e sentou em uma mesa onde havia outros homens esperando. A [&#8230;]</p>
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<p>Muitos anos atrás eu estava sentado em uma lanchonete perto da faculdade e um rapaz, aparentando 23 ou 24 anos <strong>gritava com uma garota</strong>. Eu e todos os outros homens do lugar ficamos olhando. A garota saiu chorando e o rapaz entrou na lanchonete e sentou em uma mesa onde havia outros homens esperando. A conversa iniciou e prosseguiu animada como se nada errado tivesse acontecido.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1000" height="838" src="https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2021/07/ae020d73-c297-4619-8f54-4867c2ac05e4.jpg" alt="" class="wp-image-37651" srcset="https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2021/07/ae020d73-c297-4619-8f54-4867c2ac05e4.jpg 1000w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2021/07/ae020d73-c297-4619-8f54-4867c2ac05e4-300x251.jpg 300w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2021/07/ae020d73-c297-4619-8f54-4867c2ac05e4-150x126.jpg 150w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2021/07/ae020d73-c297-4619-8f54-4867c2ac05e4-768x644.jpg 768w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2021/07/ae020d73-c297-4619-8f54-4867c2ac05e4-696x583.jpg 696w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2021/07/ae020d73-c297-4619-8f54-4867c2ac05e4-501x420.jpg 501w" sizes="(max-width: 1000px) 100vw, 1000px" /><figcaption>Imagem: Getty Image</figcaption></figure>



<p>Esse é o exemplo mais brando que posso dar sem criar um <strong>gatilho em mulheres que sofreram abuso</strong>. Mas sobre como as mulheres tem lutado para acabar com o ciclo de violência que machuca e dilacera geração após geração, minhas colegas podem dissertar com muito mais propriedade e primor. Quero falar sobre <strong>a necessidade dos homens começarem a responsabilizar outros homens</strong>.</p>



<p><strong>O mundo masculino tem como uma das bases um corporativismo tóxico</strong> que acena condescendente para a violência que permeia a existência do homem na sociedade. Toda vez que uma mulher é agredida e estuprada, muito se vê de promessas sobre como se reagiria se estivesse presente, mas entre amigos os abusos sutis viram graça e são perdoados como brincadeiras inocentes que não fazem parte de <strong>uma dinâmica perversa que coloca as mulheres como subalternas nas relações</strong>.</p>



<p><strong>Homens precisam censurar outros homens</strong>. Precisam dizer que virar o pescoço para olhar a bunda de uma moça que passa é escroto, precisam pedir aos amigos que não comentem assoviem mais para garotas em pontos de ônibus, portas de escola. Não cabe mais deixar a educação anti-machista para mulheres. Elas já se desgastam mais tentando se defender e ainda precisam ensinar constantemente algo que já deveria ser óbvio. É como pedir para os brancos não serem racistas enquanto eles chutam a cara de pessoas pretas.</p>



<p>A necessidade de pertencer a uma tribo faz com que muitos de nós, homens, não tomem atitudes enérgicas diante de outro homem praticando assédio. Ainda que não se ache um assediador, concorda de forma silenciosa com o abuso dos seus. O medo de ser censurado ou de ser acusado por ações passadas fala mais alto que um princípio moral que deveria ser primário: o direito da mulher não ser violentada psicológica e fisicamente.</p>



<p>Esse pacto silencioso é tão enraizado que ao assediar a mulher e descobrir que essa tem um relacionamento, os homens dirigem suas desculpas para o parceiro e não para a agredida. Oras, você tem que pedir desculpa para quem feriu. Se acontecer contigo, homem, não aceite as desculpas. Peça para pedirem desculpas diretamente à sua parceira.</p>



<p><strong>Apesar da homofobia latente entre em nossa sociedade, grupos de homens mantêm relações estritamente homoafetivas, ainda que não percebam</strong>. Eles têm homens como ídolos e referência em todas as áreas. Eles se escutam e se respeitam e dirigem amor aos grupos aos quais pertencem e isso tem de começar a ser usado como fonte de educação e (por que não?) constrangimento.</p>



<p>Se alguém questionar o abraço sem intenções sexuais em uma querida amiga, é preciso dizer “<strong>eu admiro essa mulher e ela é apenas minha amiga</strong>”. Nada de aproveitar a oportunidade para respostas evasivas que deixem no ar que algo que não está acontecendo esteja acontecendo.</p>



<p>Fazendo um recorte racial necessário, os homens negros necessitam ainda mais desfazer noções de masculinidade criados e construídos por um patriarcado branco que joga mulheres pretas para a última camada da pirâmide social, onde são tratadas como objetos descartáveis por homens brancos e também por homens pretos. <strong>A forma como os negros encaram a própria masculinidade precisa se dissociar da construção social histórica feita pelos brancos</strong>. Na condição de homem preto, o indivíduo precisa olhar com empatia a mulher preta, enxergar o sofrimento comum que é o racismo estrutural e a segunda dor, do machismo potencializado contra elas e que, ainda que não pareça, também atinge o homem negro.</p>



<p>Esse contrato torto de se manter em silêncio diante de situações violentas sai do cotidiano das conversas de bar e chega no atendimento precário que policiais dão para mulheres que chegam às delegacias para denunciar agressões. Chegam nas cortes, na decisão de juízes que não protegem as vítimas. A conivência masculina com o abuso de seus pares reverbera na morte de milhares de mulheres, na sensação de abandono que elas têm diante de leis defendidas por uma maioria de homens.Você confiaria em instituições formadas por pessoas que se calam diante da má conduta de amigos?</p>



<p><strong>Homens precisam responsabilizar outros homens abertamente. Sem medo, sem autocensura, sem se isentar de responsabilidade</strong>. E isso deve se estender para além do desrespeito apenas com mulheres do seu círculo familiar.&nbsp;</p>



<p>Responsabilizar e aceitar quando responsabilizados, aprender e mudar.</p>
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