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	<title>Arquivos Lauro de Freitas - Mundo Negro</title>
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	<description>Uma mídia negra diferente!</description>
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		<title>Enquanto o racismo educa em silêncio, a Bahia grita por transformação</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Priscilla Arantes]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 11 Oct 2025 19:55:02 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por: Priscilla Arantes Educa&#231;&#227;o infantil baiana protagoniza experi&#234;ncias pioneiras de repara&#231;&#227;o e pertencimento Chegamos ao m&#234;s da crian&#231;a, e confesso: este ano carrega um significado especial pra mim. Sou m&#227;e de uma menina negra de seis anos, e juntas, encerramos um ciclo fundamental da vida dela: a primeira inf&#226;ncia. Um ciclo que, para muitas fam&#237;lias, [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong><em>Por: Priscilla Arantes</em></strong></p>



<p><em>Educação infantil baiana protagoniza experiências pioneiras de reparação e pertencimento</em></p>



<p>Chegamos ao mês da criança, e confesso: este ano carrega um significado especial pra mim. Sou mãe de uma menina negra de seis anos, e juntas, encerramos um ciclo fundamental da vida dela: a primeira infância. Um ciclo que, para muitas famílias, é sinônimo de descobertas, alegrias e aprendizados; mas que, para famílias negras, também é atravessado pela urgência da proteção.</p>



<p>Porque sim, a infância negra ainda precisa ser protegida.</p>



<p>E não falo de proteção física apenas, mas da proteção simbólica, emocional, daquelas que moldam o que uma criança vai acreditar sobre si. De acordo com uma pesquisa Datafolha encomendada pela Fundação Maria Cecília Souto Vidigal (2025),<strong> <a href="https://mundonegro.inf.br/uma-em-cada-seis-criancas-de-ate-6-anos-foi-vitima-de-racismo-no-brasil-maioria-dos-casos-ocorre-em-creches-e-pre-escolas/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">uma em cada seis crianças de até seis anos no Brasil já foi vítima de racismo</a></strong>. O levantamento mostra que 10% dos cuidadores de crianças até 3 anos afirmam que elas sofreram discriminação racial, e esse número sobe para 21% entre crianças de 4 a 6 anos. Esses números não são apenas dados, são feridas abertas. E elas começam cedo.</p>



<p>O racismo na primeira infância não chega com gritos ou agressões. Ele se infiltra de forma sutil: nos elogios enviesados, nos silêncios, nas ausências, nas narrativas que ainda romantizam o padrão eurocêntrico de beleza e comportamento. Ele aparece quando a boneca preferida nunca tem o cabelo crespo, quando o livro da escola traz apenas uma cor de pele como protagonista, ou quando a criança aprende — mesmo sem palavras — que o bonito é sempre o outro.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>A infância negra sob vigilância</strong></h3>



<p>Na minha casa, a vigilância é constante. Os brinquedos são escolhidos com cuidado, as referências negras estão espalhadas por todos os cômodos. Poderia dizer que vivemos em um pequeno quilombo de bonecas e livros. Na TV, evito conteúdos que reforcem padrões coloniais de beleza, preferindo animações neutras, onde ao menos a ausência de estereótipos já é um respiro. Os livros são as minhas maiores aliadas. É ali, entre histórias e ilustrações, que consigo ativar a imaginação e proteger o que considero o bem mais precioso da minha filha: a autoestima.</p>



<p>Mas, como toda mãe, há um momento em que o meu olhar não alcança: o tempo que ela passa na escola. E foi exatamente aí que encontrei um dos capítulos mais bonitos e transformadores da nossa jornada.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Quando a escola decide se transformar</strong></h3>



<p>Durante muito tempo, acreditei que o compromisso racial seria uma luta solitária, travada dentro de casa, entre conversas e reforços diários de identidade. Até perceber que não, educar para a equidade é um dever coletivo, e a escola precisa ser parte ativa desse processo.</p>



<p>Foi com esse espírito que encontrei a Escola Villa Criar, localizada em Lauro de Freitas, na região metropolitana de Salvador, a cidade mais negra do Brasil, onde 79,7% da população se autodeclara negra, segundo o Censo de 2022. A Villa Criar é uma instituição construtivista, que segue a abordagem Reggio Emilia, valorizando a escuta, a autonomia e o protagonismo da criança. Um perfil comum para famílias de classe média branca. Mas o que realmente me surpreendeu foi algo mais profundo: a intencionalidade com que a escola decidiu se transformar.</p>



<p>Quando levei minhas inquietações, encontrei uma equipe que já havia desenhado um projeto antirracista robusto. A coordenadora pedagógica, Brisa Marcelino, me disse uma frase que se tornou norteadora:</p>



<p>“Esse é o maior legado que podemos oferecer para as crianças de hoje, que serão os adultos de amanhã. O reconhecimento das raízes africanas presentes na nossa história e o sentimento de pertencimento de quem faz parte direta dela.”</p>



<p>Essa fala resume o que a escola vem colocando em prática: o antirracismo como princípio educativo, não como pauta eventual. Hoje, o projeto da Villa Criar é uma carta de compromisso com a sociedade. A instituição cumpre integralmente as exigências da BNCC (Base Nacional Comum Curricular) e as leis federais 10.639/2003, que tornou obrigatório o ensino da história e cultura afro-brasileira, e 11.645/2008, que incluiu também a cultura indígena no currículo escolar.</p>



<p>Os educadores passam por formações contínuas, recebem materiais atualizados e participam de trocas com profissionais de referência em educação antirracista. As crianças aprendem sobre o continente africano com a mesma naturalidade com que aprendem sobre Portugal,&nbsp; entendendo o Brasil não como uma “descoberta”, mas como o encontro de povos.</p>



<p>As saídas pedagógicas também são intencionais: a última delas foi uma visita ao Museu Casa do Benin, no Pelourinho, com as turmas de 5 e 6 anos, um mergulho real na ancestralidade e na história viva da nossa cidade.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Quando o antirracismo é o centro e não o tema</strong></h3>



<p>Mas se a Villa Criar representa uma escola que se <strong>reconstrói com intencionalidade</strong>, há em Salvador uma instituição que nasceu com o antirracismo no DNA: a Escola de Educação Infantil Maria Felipa.</p>



<p>Idealizada pela escritora e pesquisadora Dra. Bárbara Carine e pela educadora Maju Passos, ambas especialistas em equidade racial e de gênero, a Maria Felipa <strong>é pioneira no Brasil em educação 100% afrocentrada</strong>.</p>



<p>Seu nome homenageia uma mulher negra marisqueira, estrategista e guerreira do Recôncavo Baiano, símbolo de resistência e liderança feminina.</p>



<p>Lá, cada detalhe do cotidiano escolar, da escolha dos brinquedos ao cardápio, das cores das paredes às metodologias pedagógicas, é pensado a partir da perspectiva afrocentrada.</p>



<p>A Maria Felipa não apenas ensina sobre o continente africano, ela parte dele. É uma escola que propõe uma revolução epistemológica: romper com a ideia de que o conhecimento válido é apenas o produzido sob lentes eurocêntricas. Em vez de adaptar o currículo às pautas raciais, ela faz da cultura afro-brasileira o centro estruturante do aprendizado.</p>



<p>Esse movimento, liderado por educadoras baianas, mostra o poder de transformação que a educação pode exercer quando decide ser agente ativo de mudança e não espectadora do racismo estrutural.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>A Bahia ensina</strong></h3>



<p>Essas duas experiências, Villa Criar e Maria Felipa, se encontram em pontos diferentes da mesma estrada: a da transformação. Uma representa a coragem da reconstrução intencional dentro de uma estrutura tradicional de ensino. A outra, a ousadia de recriar o mundo a partir das nossas raízes.</p>



<p>E o que ambas provam é que a Bahia não é apenas um território de resistência, é um laboratório vivo de uma nova educação, onde o antirracismo não é conceito, é prática.</p>



<p>A educação é, por essência, um caminho sem volta. E quando uma criança negra cresce em um ambiente onde é valorizada, onde se vê representada e respeitada, não há retorno possível para o apagamento. Ela carrega em si o espelho da mudança que o país precisa ver.</p>



<p>A infância é o alicerce da sociedade que desejamos construir. E se o racismo começa cedo, a revolução também precisa começar cedo, nas escolas, nos livros, nos currículos e nas consciências.</p>



<p>Porque, no fim das contas, educar antirracista não é um favor: é uma responsabilidade civilizatória.<em><br><br></em></p>
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