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	<title>Arquivos justiça para miguel - Mundo Negro</title>
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	<description>Uma mídia negra diferente!</description>
	<lastBuildDate>Thu, 01 Oct 2020 21:52:07 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-BR</language>
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		<title>Caso Miguel: Sarí Corte Real tem os bens bloqueados pela justiça de Pernambuco</title>
		<link>https://mundonegro.inf.br/caso-miguel-sari-corte-real-tem-os-bens-bloqueados-pela-justica-de-pernambuco/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Rakeche Nascimento]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 01 Oct 2020 21:52:06 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[ÚLTIMAS NOTÍCIAS]]></category>
		<category><![CDATA[justiça para miguel]]></category>
		<category><![CDATA[Justiça por Miguel]]></category>
		<category><![CDATA[miguel]]></category>
		<category><![CDATA[Sarí Corte Real]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O prefeito de Tamandar&#233;, S&#233;rgio Hacker, e sua esposa, Sar&#237; Corte Real tiveram seus bens bloqueados nesta quinta-feira (1&#186;), ap&#243;s determina&#231;&#227;o do Tribunal Regional do Trabalho da 6&#170; Regi&#227;o (TRT-6). A decis&#227;o atende a um pedido do Minist&#233;rio P&#250;blico do Trabalho de Pernambuco para garantir o pagamento&#160; da&#160; indeniza&#231;&#227;o&#160; por&#160; dano&#160; moral, referente ao processo [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>O prefeito de Tamandaré, Sérgio Hacker, e sua esposa, Sarí Corte Real tiveram seus bens bloqueados nesta quinta-feira (1º), após determinação do Tribunal Regional do Trabalho da 6ª Região (TRT-6).</p>



<p>A decisão atende a um pedido do Ministério Público do Trabalho de Pernambuco para garantir o pagamento&nbsp; da&nbsp; indenização&nbsp; por&nbsp; dano&nbsp; moral, referente ao processo que julga os vínculos empregatícios de Marta&nbsp; Maria&nbsp; Santana&nbsp; Alves e sua filha, Mirtes Renata, que trabalhavam como empregadas domésticas na residência do casal até junho deste ano.</p>



<p>Mãe e filha encerraram os vínculos com os patrões após a morte do filho de Mirtes, de cinco anos de idade. Ele caiu no 9º andar do edifício Píer Maurício de Nassau, mais conhecido como Torre Gêmeas, localizado no Bairro de São José, área central do Recife, onde o casal possui um apartamento.</p>



<p>A criança, conforme investigação da Polícia Civil, acidentou-se após ser deixada sozinha no elevador do condomínio por Sarí, enquanto sua empregada – e mãe do menino – passeava na rua com o cachorro da patroa.</p>



<p>Após a enorme repercussão do caso, a nível nacional, irregularidades nas relações empregatícias de Marta, Mirtes e outra funcionária do casal, Luciene Raimundo Neves, foram trazidas à tona: as três trabalhavam como domésticas nas residências da família, mas tinham vínculos formais com a Prefeitura de Tamandaré/Pernambuco.</p>



<p>De acordo com a decisão do TRT-6, Sérgio Hacker e Sarí poderão pagar um valor de até R$ 2 milhões na ação coletiva por danos morais. </p>



<p>Na sua decisão, o juiz frisa os argumentos da promotoria, afirmando que  &#8220;a discriminação  estrutural relações  de  trabalho  doméstico,  com  &#8216;práticas,  hábitos,  situações  e  falas  embutidos  em  nossos costumes  e  que  promove,  direta  ou  indiretamente,  a  segregação  ou  o  preconceito.  É  a naturalização  da  violência  social,  marcada  pela  estigmatização  da  pessoa  e  pela  imposição  de características   negativas   e   de   subalternidade”.  </p>



<p></p>



<p>Informações coletadas por: Diário de Pernambuco</p>
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		<title>#JustiçaPorMiguel: A interseccionalidade de uma tragédia anunciada</title>
		<link>https://mundonegro.inf.br/justicapormiguel-a-interseccionalidade-de-uma-tragedia-anunciada/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[(MN) Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 08 Jul 2020 21:29:28 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[justiça para miguel]]></category>
		<category><![CDATA[Sari corte]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Beatriz Caitana da Silva * beatriz.caitana@gmail.com Como no Brasil, em se tratando de desigualdades, n&#227;o existem coincid&#234;ncias, a morte do menino Miguel em Recife no passado m&#234;s de junho, aconteceu quando ele estava com a m&#227;e, uma mulher negra, trabalhadora dom&#233;stica na casa do prefeito da cidade de Tamandar&#233; (PE). A m&#227;e do Miguel, assim [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Beatriz Caitana da Silva  * <br></p>



<p><a href="mailto:beatriz.caitana@gmail.com">beatriz.caitana@gmail.com</a></p>



<p>Como no Brasil, em se tratando de desigualdades, não existem coincidências, a morte do menino Miguel em Recife no passado mês de junho, aconteceu quando ele estava com a mãe, uma mulher negra, trabalhadora doméstica na casa do prefeito da cidade de Tamandaré (PE). A mãe do Miguel, assim como milhares de mulheres no Brasil, o levou para o trabalho pois estar junto da mãe era a única opção para não deixá-lo sozinho em casa. Para muitas crianças significa proteção, para ele não foi. Sabia aos 5 anos de idade o lugar que lhe foi reservado, tanto que sua primeira reação foi decidir ir atrás de alguém que lhe transmitisse cuidado, a sua mãe, que tinha confiado à “patroa” o cuidado da criança.&nbsp;</p>



<p>A sua segunda reação foi escolher ou ser colocado justamente no elevador de “serviço” e andar pelo prédio a procura dela. E no final, a tragédia. Talvez o elevador de serviço fosse o único do prédio que levava ao fatídico 9º andar de manutenção do prédio, talvez se ele tivesse usado o elevador “social” o desfecho teria sido diferente. Mas a quem é dado o direito de andar num ou noutro elevador? E a quem lhe é roubado o direito de poder escolher?&nbsp;</p>



<p>Em termos de representação social, o pequeno Miguel tentou afastar-se daquela “casa”, no sentido mais lato que o termo possa assumir. Afastar-se da casa-habitação com tantos elementos físico-materiais que não lhe eram familiar, incluindo o elevador, que silenciosamente pelo poder do ter lhe escancararam o lugar desigual que sua condição económica lhe destinava. Afastar-se da casa-espaço, que sendo a casa o espaço social de interação, de relações sociais e de valor cultural; pelo poder de escolher a quem protejo, com quem me importo e com quem me relaciono e me simpatizo, impôs, novamente ao Miguel um lugar desfavorável. Nunca a noção de interseccionalidade de desigualdades fez tanto sentido dentro de uma mesma história com contornos tão distintos como esta. E é sobre estes contornos, que gostaria de refletir.&nbsp;</p>



<p>O primeiro aspecto é o fato de que esta situação ocorreu durante a pandemia no Brasil. Não é novidade e tão pouco nos surpreende que no nível político a gestão da crise seja irresponsável, e no nível social a ideia de vida em sociedade com sistemas de ação nos quais os atos individuais de uns influenciam a todos não é de todo respeitado por uma grande parcela da população. O resultado é óbvio e está bastante explorado nas evidências epidemiológicas divulgadas diariamente. Não é este o foco do texto, mas sim aquilo que são os efeitos secundários da existência do coronavírus no país, em que ou se morre do vírus ou se morre de consequências indiretas da sua resolução negligente e da condição de exclusão socioeconômica de muitos.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>No caso do Miguel, foi o modo como cada indivíduo gere a situação da pandemia na sua vida particular, na interação com as pessoas que a circunda, no espaço público em que circula, e na relação com a espacialidade urbana que contribuiu para o fato. Ou seja, contrariando as orientações da OMS sobre os trabalhos essenciais, nos quais o serviço doméstico não faz parte, a mãe dele esteve a trabalhar, sem opção de escolha no preciso sentido de Sen (2018). A “patroa”, tinha duas trabalhadoras domésticas em casa num período de pandemia, expondo todos ao risco.&nbsp; O que revela nossa herança colonial de fetiche sobre o “serviço doméstico” que se tornou menos uma função laboral baseada numa necessidade, e mais uma credencial de ascensão de classe baseada em status social e um elemento diferenciador em determinados grupos sociais.&nbsp;</p>



<p>Maioritariamente informal, o trabalho doméstico representa para uma parte significativa das mulheres negras a única opção de inserção no mercado de trabalho. Em 2018, existiam mais de 6 milhões de trabalhadoras domésticas, deste total, 92% eram mulheres (IPEA, 2019). Em tempos de Covid-19 é ainda mais evidente a sua desproteção social, que na ausência do Estado possuem poucos meios para fazer face às exigências de quem emprega.</p>



<p>O segundo é o fato de que a trabalhadora doméstica e seu filho são negros, e aqui se revela mais uma camada da relação de intersecção de fatores de desigualdade, a racial. Tantos pensadores negros alertam para o perigo de se ignorar a cor como categoria reflexiva. Os resquícios coloniais de norte a sul, sutis ou explícitos, justificam a tendência das sociedades ocidentais de cristalizar aspectos próprios da identidade de povos e raças. O que conduz a um padrão de visibilizar a cor nas situações em que se enaltece o feito meritocrático do sujeito, e invisibilizá-la quando o assunto é discutir políticas de reconhecimento, distributivas e de igualdade de modo a espacializar o melhor possível o acesso à justiça, à saúde, à educação.&nbsp;</p>



<p>Por outro lado, o racismo na esfera privada, como é o lugar do serviço doméstico, é ainda mais difícil de ser enfrentado. Pois ele ocorre nas entranhas de sistemas familiares amorais, os quais misturam valores, confiança, conhecimento, acesso, para envolver trabalhadoras domésticas, em alguns casos, numa falsa sensação de proteção e solidariedade mútua. O fato é que estamos diante de uma relação laboral desigual, a qual somada a categoria cor, torna ainda mais vulneráveis mulheres negras.&nbsp;</p>



<p>Não se trata de um juízo de valor sobre o trabalho em si, mas sobre as condições objetivas que as mulheres possuem na negociação, na defesa e na relação estabelecida, desigual pela posição que ocupam já a partida, e desigual pela mensagem que a sua cor corporificada representa, a de subalternidade. Não por acaso Spivak (1988) atribuiu às mulheres negras especial atenção por preencherem todos os requisitos da subalternidade no mundo contemporâneo. Os quais as situam num lugar periférico, não dentro mas fora do círculo, ou pelas linhas abissais de Santos (2007), invisíveis, mas no espaço doméstico bem configuradas para separar as partes.&nbsp;</p>



<p>O&nbsp; terceiro aspecto diz respeito à condição etária do Miguel. Sendo ele um indivíduo em desenvolvimento, com cinco anos de idade, por lei, é obrigação do Estado, da família e da sociedade a garantia da sua proteção, quer seja no espaço privado, quer seja no espaço urbano. E a esse respeito, todos nós falhamos de alguma forma. A Convenção dos Direitos da Criança, aquela com maior número de países signatários até o presente, desde 1989 exige prioridade absoluta na proteção social das crianças. A condição peculiar que se encontram assim o requer.&nbsp;</p>



<p>O Estado falhou, pois à mãe não foi dada escolha de estar em casa com seu filho, alimentada por uma situação vulnerável muito anterior a pandemia. Os adultos envolvidos e com contato direto com a criança falharam, pois é responsabilidade coletiva e comunitária o cuidado e a proteção delas. Os modos culturais próprios de comunidades tradicionais, como as indígenas e quilombolas, em muito nos ensinam sobre o cuidado coletivo de suas jovens gerações. A ponto que estão tão protegidas estando livres nos seus territórios quanto privadas em suas habitações.&nbsp;</p>



<p>Os experimentos sociais são indicadores, pouco válidos à luz do rigor científico, mas úteis para revelar comportamentos humanos comuns. E no quesito cor e infância, é um prato cheio. Num teste social disponível na internet, sobre “O que você faria se visse uma criança negra e outra branca sozinha no espaço público?” Concluiu que quanto mais clara é a cor de pele, maior é a preocupação dos transeuntes. Por outras palavras, naturalizamos facilmente a associação negro + infância + abandono + ruas na paisagem urbana, e portanto, uma criança negra sozinha na rua nos impacta menos.&nbsp;</p>



<p>Situar as camadas da interseccionalidade não é uma tarefa que se esgota aqui para não reduzir a sua complexidade, mas findo esse percurso preliminar, só resta então, denunciar o que já estava posto: que mais cedo ou mais tarde, tragédias como esta apareceriam, reafirmando as distâncias, as linhas abissais entre as pessoas no que se refere aos recursos que possuem para enfrentar a pandemia. E também a realidade sistêmica subjacente, de luta de classes, do racismo estrutural, e das questões de gênero. Tragédias estimuladas não pelo COVID-19, pois já fazem parte da estrutura de sociedades profundamente desiguais como a brasileira, mas aprofundadas por.&nbsp;</p>



<p>Assim, não foi o vírus, mas a interseccionalidade de fatores que colocaram mãe e filho numa condição tão vulnerável e periférica, que eles próprios também foram contaminados no trabalho, semelhante a realidade de muitas famílias de trabalhadores domésticos no país. Embora o vírus seja invisível, as desigualdades não. E parafraseando Gilberto Gil quando falou numa canção da realidade do negro como aquele que limpa a sujeira do branco em resposta ao ditado colonial do “negro quando não suja na entrada, suja na saída”, falta agora saber, quem é que vai limpar essa “sujeira” social? Ainda que ela, na verdade, seja irreparável.</p>



<p>*<sup> </sup>Socióloga, pesquisadora no projeto URBiNAT &#8211; de regeneração urbana inclusiva, do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, e doutoranda em sociologia pela FEUC.</p>



<p><strong>Bibliografia:&nbsp;</strong></p>



<p>PINHEIRO, L. et al. Os desafios do Passado no trabalho doméstico do século XXI: reflexões para o caso brasileiro a partir dos dados da PNAD contínua: Texto para discussão. [s.l.] IPEA, 2019.</p>



<p>SANTOS, B. DE S. Para além do Pensamento Abissal: Das linhas globais a uma ecologia de saberes*. Revista Crítica de Ciências Sociais, n. 78, p. 3–46, 1 out. 2007.&nbsp;</p>



<p>SEN, A. Desenvolvimento como liberdade. [s.l.] Companhia das Letras, 2018.&nbsp;</p>



<p>SPIVAK, G. Can the Subaltern Speak? Cary Nelson and Lawrence Grossberg (eds) ed. London: Macmillan, 1988.&nbsp;</p>



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		<title>Justiça para Miguel: O movimento negro e nordestino foi às ruas motivado pela morte do garoto de 5 anos</title>
		<link>https://mundonegro.inf.br/justica-para-miguel-o-movimento-negro-e-nordestino-foram-as-ruas-motivados-pela-morte-do-garoto-de-5-anos/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[(MN) Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 06 Jun 2020 01:12:31 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[ÚLTIMAS NOTÍCIAS]]></category>
		<category><![CDATA[justiça para miguel]]></category>
		<category><![CDATA[miguel]]></category>
		<category><![CDATA[vidas negras importam]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Texto e imagens: Joe Andrade * Estamos em uma pandemia mundial as recomenda&#231;&#245;es da&#160; OMS &#233; para que fiquemos em casa, mas o&#160; assassinato brutal&#160; de Miguel Ot&#225;vio Santana da Silva, de 5 anos fez com que a popula&#231;&#227;o recifense sa&#237;sse nas ruas para protestar contra a impunidade que &#233; privil&#233;gio branco nesse pa&#237;s. Miguel [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Texto e imagens: Joe Andrade *</p>



<p>Estamos em uma pandemia mundial as recomendações da&nbsp; OMS é para que fiquemos em casa, mas o&nbsp; assassinato brutal&nbsp; de Miguel Otávio Santana da Silva, de 5 anos fez com que a população recifense saísse nas ruas para protestar contra a impunidade que é privilégio branco nesse país.</p>



<p>Miguel foi morto&nbsp; na última terça-feira (02), após cair do 9º andar do condomínio de luxo Píer Maurício de Nassau, conhecido como Torres Gêmeas, localizado no bairro de São José, no centro&nbsp; do Recife.&nbsp; A mãe do Miguel trabalhava como empregada doméstica para Sarí Gaspar&nbsp; Côrte Real e o atual prefeito de Tamandaré Sergio Hacker Corte Real que mesmo o país passando por uma pandemia não dispensaram suas empregadas.</p>



<p>Sari pediu para que Mirtes levasse sua cadela para passear, nesse intervalo de tempo a mãe do Miguel confiou em sua patroa para observar o seu filho, a próxima vez que Mirtes veria seu filho seria estirado no chão, morto. Sarí Gaspar&nbsp; Côrte Real&nbsp; foi autuada por homicídio culposo por ter deixado a criança sozinha no elevador, a&nbsp; primeira dama pagou 20 mil reais de fiança e responde em liberdade.</p>



<p>O ato contra essa impunidade&nbsp; foi organizado pela família do Miguel e recebeu um grande apoio do movimento negro local, faixas, gritos de revolta e uma tremenda dor tomou conta do ambiente.</p>



<p>Um pouco antes do protesto começar, carros passavam buzinando e ouvia-se gritos ‘’ ASSASSINA!’’.&nbsp; Nossas vidas valem 20 mil reais? E se fosse o contrário? Provavelmente o rosto de Mirtes estaria estampado nos principais jornais. A impunidade quando o assassino é um sujeito branco fica evidente nesse caso.&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-embed-twitter wp-block-embed is-type-rich is-provider-twitter"><div class="wp-block-embed__wrapper">
https://twitter.com/sitemundonegro/status/1268989611587616769
</div></figure>



<p>Estamos em isolamento social, quebramos uma recomendação importantíssima&nbsp; da OMS porém não dá para ficar em casa no meio de tanta impunidade. Mesmo dentro de casa estamos morrendo. O&nbsp; Miguel&nbsp; morreu duas vezes, quando caiu do nono andar&nbsp; e pela&nbsp; pela negligência desse Estado racista. &nbsp;</p>



<p>Existe um grande mito na internet onde acredita-se que o movimento negro brasileiro não se mobiliza quando trata-se de injustiças. Nesta sexta-feira (05/06/2020) um movimento negro e nordestino esteve nas ruas por Miguel e por tantas outras pessoas negras vítimas do nosso deste estado genocida. A mobilização acontece.&nbsp; Sem pandemia ou com pandemia nós não deixaremos que essas mortes passem em branco. deixamos passar em branco!</p>



<p>Fique em casa, mas se tiver que sair que seja para protestar contra o extermínio da população negra. </p>



<p> * Joe Andrade é estudante de Teatro na UFPE é criadora da página Desenrolando no Facebook.</p>
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