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	<title>Arquivos Juíza - Mundo Negro</title>
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		<title>Juíza é alvo de ataques racistas em petição escrita pelo advogado José Francisco Barbosa Abud: “resquícios de senzala”</title>
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		<dc:creator><![CDATA[(MN) Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 21 Mar 2025 13:18:07 +0000</pubDate>
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<p class="wp-block-paragraph">Um advogado do Rio de Janeiro está sendo acusado de racismo após enviar uma petição à juíza <strong>Helenice Rangel</strong>, da 3ª Vara Cível de Campos dos Goytacazes, contendo trechos considerados racistas e ofensivos. No documento, <strong>José Francisco Barbosa Abud</strong> se referiu à magistrada como &#8220;magistrada afrodescendente com resquícios de senzala e recalque ou memória celular dos açoites&#8221; e mencionou &#8220;decisões prevaricadoras proferidas por bonecas admoestadas das filhas das Sinhás das casas de engenho&#8221;.</p>



<p class="wp-block-paragraph">De acordo com a juíza, o comportamento inadequado do advogado não é recente. Ela relata que ele já vinha enviando e-mails debochados, irônicos e desrespeitosos, além de utilizar palavras de baixo calão, principalmente dirigidas a magistradas e servidores. &#8220;Sua conduta é ameaçadora. Precisamos dar um basta a essa sensação de impunidade&#8221;, afirmou <strong>Helenice Rangel</strong> em despacho.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O caso foi remetido ao juiz <strong>Leonardo Cajueiro Azevedo</strong> após a magistrada se afastar do processo. Cajueiro encaminhou o caso ao Ministério Público, solicitando a instauração de um procedimento criminal para apurar possíveis crimes de racismo, injúria racial e apologia ao nazismo. O advogado<strong> José Francisco Barbosa Abud</strong> já é investigado internamente pela OAB.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A presidente da Seccional Rio de Janeiro da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-RJ), <strong>Ana Tereza Basilio</strong>, determinou a abertura imediata de uma investigação para apurar a conduta do advogado. &#8220;Racismo é crime e deve ser combatido por toda a sociedade&#8221;, afirmou a juíza <strong>Eunice Haddad</strong>, presidente da Associação dos Magistrados do Estado do Rio (Amaerj), que classificou o caso como &#8220;inaceitável&#8221;.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) emitiu uma nota manifestando solidariedade à juíza <strong>Helenice Rangel</strong> e repudiando as manifestações racistas do advogado. &#8220;Tais condutas são incompatíveis com o respeito exigido nas relações institucionais e configuram evidente violação aos princípios éticos e legais que regem a atividade jurídica&#8221;, diz o comunicado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O TJRJ afirmou ainda que o caso foi encaminhado ao Ministério Público e à OAB para apuração rigorosa das responsabilidades nas esferas criminal e disciplinar. &#8220;O comportamento do advogado, além de atingir diretamente a honra pessoal e profissional da magistrada, representa uma grave afronta à dignidade humana e ao exercício democrático da função jurisdicional&#8221;, concluiu a nota.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>José Francisco Barbosa Abud</strong> pode enfrentar sanções tanto na esfera criminal quanto na ético-profissional, dependendo do resultado das apurações.</p>
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