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	<title>Arquivos feira preta - Mundo Negro</title>
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	<description>Uma mídia negra diferente!</description>
	<lastBuildDate>Fri, 20 Feb 2026 18:34:15 +0000</lastBuildDate>
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		<title>Sustentabilidade cultural como resistência: a gastronomia paraense em diálogo com o território carioca</title>
		<link>https://mundonegro.inf.br/sustentabilidade-cultural-como-resistencia-a-gastronomia-paraense-em-dialogo-com-o-territorio-carioca/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[(MN) Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 23 Jan 2026 20:55:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Guia Black Chefs]]></category>
		<category><![CDATA[feira preta]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por Adriana Veloso Falar de gastronomia amaz&#244;nica &#233;, necessariamente, falar de sustentabilidade cultural. No Par&#225;, a comida &#233; um sistema vivo de transmiss&#227;o de saberes, organiza&#231;&#227;o social e resist&#234;ncia hist&#243;rica dos povos afro-ind&#237;genas que moldaram a regi&#227;o. Ao trazer a cozinha paraense para o Rio de Janeiro, compreendi que esse movimento n&#227;o se tratava apenas [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><em>Por Adriana Veloso</em></p>



<p>Falar de gastronomia amazônica é, necessariamente, falar de sustentabilidade cultural. No Pará, a comida é um sistema vivo de transmissão de saberes, organização social e resistência histórica dos povos afro-indígenas que moldaram a região. Ao trazer a cozinha paraense para o Rio de Janeiro, compreendi que esse movimento não se tratava apenas de deslocamento geográfico, mas de um encontro cultural, no qual a alimentação se torna linguagem, mediação e afirmação identitária.</p>



<p>Quando deixei Belém e cheguei ao Rio, trouxe comigo técnicas, ingredientes e memórias, mas, sobretudo, uma responsabilidade: apresentar a cultura paraense de forma íntegra, respeitando suas origens e dialogando com um novo território. O Pará concentra uma das maiores biodiversidades alimentares do país, com uma cultura culinária fortemente baseada na pesca artesanal, no extrativismo vegetal e em práticas transmitidas oralmente entre gerações. Ingredientes como pirarucu, tambaqui, tucupi, maniva e farinhas artesanais são expressões diretas dessa relação profunda entre alimento, território e cultura.</p>



<p>Ao se instalar em solo carioca, essa gastronomia passa a dialogar com outras referências culturais, ritmos urbanos e hábitos alimentares distintos. Esse encontro não pressupõe adaptação que descaracteriza, mas troca. A sustentabilidade cultural, nesse contexto, manifesta-se justamente na capacidade de manter a essência da cozinha paraense enquanto ela se relaciona com novos públicos, novas escutas e novas formas de circulação.</p>



<p>Os pescados na brasa simbolizam esse diálogo. A técnica ancestral, presente nas culturas afro-indígenas amazônicas, encontra no Rio um novo cenário, sem perder seu sentido original. O uso do fogo, o respeito ao tempo do peixe e a valorização do ingrediente em sua forma mais pura reafirmam que tradição e contemporaneidade podem coexistir. Cozinhar peixe na brasa, em território carioca, é afirmar que os saberes tradicionais seguem vivos e atuais.</p>



<p>Ao longo desse percurso, entendi que a gastronomia é uma das ferramentas mais eficazes de introdução cultural. Muitas vezes, antes de ser chef, precisei ser mediadora. Explicar que o açaí, no Pará, é base alimentar e sustento, consumido com peixe e farinha, ou que o tacacá precisa estar quente para cumprir seu papel sensorial e simbólico, faz parte desse processo de aproximação. Quando o público carioca se abre para esses códigos, a comida deixa de ser exótica e passa a ser compreendida como cultura.</p>



<p>A escolha do subúrbio do Rio de Janeiro, no bairro do Riachuelo, como ponto de partida do Pescados na Brasa, reforça essa ideia de encontro. A cultura paraense é coletiva, de rua, de convivência. No contato cotidiano com a vizinhança, criamos um espaço onde a Amazônia se manifesta de forma viva, afetiva e acessível. A chegada a outros territórios da cidade, como o Leblon, amplia esse diálogo e reafirma que a cozinha de raiz, quando sustentada por rigor cultural, ocupa qualquer espaço.</p>



<p>Ao lado do Júnior, meu parceiro de vida e de trabalho, definimos o Pescados na Brasa como uma Embaixada Afetiva. Nosso compromisso com a sustentabilidade cultural está em garantir que os ingredientes cheguem à mesa com sua história preservada, respeitando os ciclos naturais, a pesca artesanal e os modos tradicionais de preparo. Resistir, nesse caso, é não ceder à simplificação ou à descaracterização de uma cultura complexa.</p>



<p>A cultura alimentar paraense é reconhecida como uma das mais ricas do Brasil não apenas pela diversidade de ingredientes, mas pela forma como articula memória, território e identidade. Quando esse repertório encontra o Rio de Janeiro, cria-se um espaço de aprendizado mútuo, onde a gastronomia cumpre seu papel social e educativo.</p>



<p>Mais do que um restaurante, o Pescados na Brasa é um território de encontro. Um espaço onde a cozinha paraense se afirma como resistência cultural e, ao mesmo tempo, se coloca em diálogo com a cidade, mostrando que alimentar também é criar pontes, fortalecer identidades e preservar saberes.<br><br>Texto: <strong>Adriana Veloso</strong> &#8211; O tempero dos peixes é dele e as receitas da cozinha são dela. Adriana Veloso e José Maria (Júnior) saíram do Pará e vieram para o Rio de Janeiro há 12 anos: ele, restaurador de artes barrocas, veio antes a trabalho, e ela veio acompanhar o marido, trabalhando como balconista em uma drogaria. Os peixes que o Júnior levava para os churrascos de amigos – já que Adriana não come carne vermelha nem frango, apenas frutos do mar – eram os mais cobiçados. O sucesso era tanto, que incentivado por eles, começaram a fazer peixes na brasa, além dos acompanhamentos, para vender num estacionamento da Av. 24 de Maio, no Riachuelo, em agosto de 2019. Era apenas para &#8220;pegar e levar&#8221;, mas em poucos meses os clientes paravam para beber e papear enquanto esperavam a comida, fazendo dali um “point”. Foi assim que eles saíram em busca de uma casa para expandir o negócio, no mesmo bairro. Nasceu o Pescados na Brasa, em novembro de 2019, um bar com peixes do norte assados e comidas típicas.  O que era um complemento de renda acabou virando um restaurante, sonho da Adriana há muitos anos – ter uma &#8220;peixaria&#8221;, que é como se chamam os restaurantes de peixe em Belém –, ainda na sua terra, onde trabalhou por muito tempo como garçonete, caixa e gerente de restaurantes. Negócio em família&#8230; Além do casal, Gabrielly Veloso, a filha, é o braço direito deles na operação da casa. E quem manda os insumos nortistas de lá pra cá? Os sogros!<br><br>*Esse conteúdo é fruto de uma parceria entre Mundo Negro e Feira Preta</p>
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		<title>Culinária Afrodiaspórica: da Gestão ao Prato</title>
		<link>https://mundonegro.inf.br/culinaria-afrodiasporica-da-gestao-ao-prato/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[(MN) Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 19 Dec 2025 08:56:25 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Guia Black Chefs]]></category>
		<category><![CDATA[feira preta]]></category>
		<category><![CDATA[instagram]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por: Laila Santos, co-fundadora e gestora do Restaurante Manden Baob&#225; Falar da culin&#225;ria afrodiasp&#243;rica no Brasil, &#233; o reconhecimento de que comer tamb&#233;m &#233; uma forma de manter viva uma hist&#243;ria que atravessa continentes. Compreender o h&#225;bito alimentar como extens&#227;o de uma conjuntura hist&#243;rica que une a nutri&#231;&#227;o, criatividade e principalmente, um coletivo, &#233; fundamental [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong><em>Por: Laila Santos, co-fundadora e gestora do Restaurante Manden Baobá</em></strong></p>



<p>Falar da culinária afrodiaspórica no Brasil, é o reconhecimento de que comer também é uma <strong>forma de manter viva uma história que atravessa continentes</strong>. Compreender o hábito alimentar como extensão de uma conjuntura histórica que une a nutrição, criatividade e principalmente, um coletivo, é fundamental para entendermos que a presença africana é estrutura da nossa cultura. Essa compreensão é chave para os debates sobre <strong>culinária afro-brasileira</strong>, <strong>gastronomia africana, afroempreendedorismo gastronômico</strong> e <strong>gastronomia identitária</strong>.</p>



<p>O ato de cozinhar é muito além de preparo de alimentos, mas sim uma forma de manter viva uma herança cheia de afetos que atravessa gerações, sendo peça fundamental para iniciarmos essa conversa tão importante: a junção da <strong>culinária afrodiaspórica</strong> e a <strong>gestão gastronômica</strong>.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>O que é culinária afrodiaspórica?&nbsp;</strong></h3>



<p>Falar de <strong>culinária afrodiaspórica no Brasil</strong>, é o resgate de um conjunto de práticas que une ingredientes e técnicas baseadas nas memórias espalhadas pelo território oriundas do período escravocrata. Ela nasce do encontro entre culturas africanas diversas e as condições impostas pela diáspora. Por isso, é tão criativa e resistente, se adaptando com ingredientes do nosso solo tão fértil, mostrando que o alimentar além de essencial, é afetivo, ancestral e ligado ao território &#8211; pilares importantes da <strong>culinária africana contemporânea</strong>.</p>



<p>Muitas vezes o termo é usado de forma superficial, mas ele reflete uma história complexa: são <strong>alimentos</strong>, modos de <strong>preparo</strong> e formas de <strong>organização</strong> que <strong>sobreviveram</strong> embora a grande tentativa contínua de <strong>apagamento cultural</strong>.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>O interesse do público também mudou&nbsp;</strong></h3>



<p>Dentro desse cenário de resgate e valorização da <strong>gastronomia afro-brasileira</strong>, os dados mostram que o público brasileiro está cada vez mais interessado em experiências culinárias conectadas à identidade, memória e cultura:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>+48%</strong> de aumento nas buscas por gastronomia regional desde 2023</li>



<li><strong>+71%</strong> dos brasileiros dizem que comer é uma forma de expressar identidade cultural</li>



<li><strong>+32%</strong> de<a href="https://abrasel.com.br/noticias/noticias/turismo-internacional-cresce-brasil-anima-setor-bares-restaurantes/"> crescimento no turismo gastronômico</a> nacional</li>
</ul>



<p>Fonte: Google Trens, 2025 | Datafolha, 2024 | Ministério do Turismo, 2025</p>



<p>Esses números reforçam que a culinária afrodiaspórica ocupa um lugar cada vez mais reconhecido, buscado e valorizado no país, impulsionando o <strong>turismo gastronômico</strong>, o <strong>empreendedorismo negro</strong>, a <strong>educação alimentar afrocentrada</strong> e a criação de novos negócios no setor.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Conhecimento transmitido pela prática&nbsp;</strong></h3>



<p>Grande parte da culinária africana foi preservada pela oralidade por circunstâncias óbvias. Não precisamos falar de gerações muito passadas, mas as minhas avós não sabem escrever e o ensinamento de boca-a-boca sempre foi a comunicação primordial. Bem como eu aprendi a cozinhar arroz e feijão olhando minha mãe e minha vó fazerem quando pequena, nossos ancestrais ensinavam pela observação e pelo fazer; não existiam receitas escritas: a memória estava no ensinamento e no gesto.</p>



<p>Esse modo de aprender permanece vivo. Porém, com a necessidade de termos um garantidor de qualidade na gastronomia, as fichas técnicas, fichas de preparo, montagem, controle de estoque e demais ferramentas de gestão são fundamentais para conseguirmos levar exatidão sem perder o tempero e a continuidade.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="768" height="1024" src="https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2025/12/IMG_3502-768x1024.jpeg" alt="" class="wp-image-95119" srcset="https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2025/12/IMG_3502-768x1024.jpeg 768w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2025/12/IMG_3502-225x300.jpeg 225w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2025/12/IMG_3502-113x150.jpeg 113w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2025/12/IMG_3502-1152x1536.jpeg 1152w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2025/12/IMG_3502-315x420.jpeg 315w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2025/12/IMG_3502-150x200.jpeg 150w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2025/12/IMG_3502-300x400.jpeg 300w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2025/12/IMG_3502-696x928.jpeg 696w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2025/12/IMG_3502-1068x1424.jpeg 1068w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2025/12/IMG_3502.jpeg 1536w" sizes="(max-width: 768px) 100vw, 768px" /><figcaption class="wp-element-caption">Foto: Arquivo pessoal</figcaption></figure>



<p>Formações como a <a href="https://paginas.feirapreta.com.br/fpcria-gastronomia-sp"><strong>Feira Preta Cria Gastronomia</strong></a>, que tive a honra de ser facilitadora a convite da <strong>Feira Preta</strong> em São Paulo, traz uma metodologia única e assuntos abordados no dia-a-dia das empreendedoras negras. O objetivo é potencializar negócios gastronômicos, auxiliando na vivência real das empreendedoras, entendendo como veicular de forma potente desde a <strong>criação</strong> ao <strong>consumo</strong>.</p>



<p>Essa formação respeita trajetórias, reconhece os saberes e reforça o valor da <strong>culinária afro diaspórica</strong> como linguagem de resistência, economia criativa e expressão cultural.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Gestão ancestral: Ubuntu como forma de trabalho&nbsp;</strong></h3>



<p>No Restaurante <strong>Manden Baobá</strong>, entendemos que a culinária começa na gestão. Inspirada na filosofia Ubuntu,<em>“eu sou porque nós somos”</em> a organização da equipe parte da ideia do senso de <strong>comunidade</strong>.</p>



<p>Cada pessoa é vista como parte essencial do processo, e não apenas como colaboradora. Essa abordagem está presente desde a criação dos pratos até o pós-atendimento. É a junção entre <strong>gestão coletiva</strong> e <strong>ancestralidade</strong> com <strong>propósito</strong> que sustenta a essencia do negócio.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>O prato como consequência&nbsp;</strong></h3>



<p>Quando olhamos para a culinária afrodiaspórica e africana a partir da gestão, da transmissão e da criatividade, entendemos que o prato é o último &#8211; não menos importante &#8211; passo de um processo maior. A riqueza cultural que se tem a nível de África é gigantesca. Em várias regiões, alimentos como o <strong>fufu</strong> &#8211; massa feita de mandioca, milho amarelo, inhame ou banana-da-terra &#8211; estão mais presentes do que o arroz. A Múcua, fruto da árvore de Baobá ou Embondeiro, como fruto nutritivo ricin em Vitamina C.</p>



<p>Essa diversidade mostra como a culinária é ligada ao território e à criatividade de cada povo. Mostra que o criativo é combinação de fatores, ingredientes e referências.</p>



<p>No <a href="https://www.instagram.com/restaurantemandenbaoba?igsh=engwMG0wZzZydjZo" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><strong>Manden Baobá</strong></a>, cada preparação carrega essa base: uma mistura de memória, identidade, tempero e cuidado. Não se trata apenas de comida, mas de um movimento cultural vivo que conecta <strong>história</strong> e <strong>gestão</strong>.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" width="1024" height="683" src="https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2025/12/IMG_8467-1024x683.jpg" alt="" class="wp-image-95120" srcset="https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2025/12/IMG_8467-1024x683.jpg 1024w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2025/12/IMG_8467-300x200.jpg 300w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2025/12/IMG_8467-150x100.jpg 150w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2025/12/IMG_8467-768x512.jpg 768w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2025/12/IMG_8467-1536x1024.jpg 1536w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2025/12/IMG_8467-2048x1365.jpg 2048w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2025/12/IMG_8467-630x420.jpg 630w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2025/12/IMG_8467-696x464.jpg 696w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2025/12/IMG_8467-1068x712.jpg 1068w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2025/12/IMG_8467-1920x1280.jpg 1920w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption class="wp-element-caption">Pratos do Manden Baobá (Foto: Willy Roberto)</figcaption></figure>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Culinária afrodiaspórica é patrimônio vivo&nbsp;</strong></h3>



<p>A culinária afrodiaspórica é um patrimônio que se renova diariamente e que segue firme mesmo diante das dificuldades históricas.</p>



<p>Da <strong>gestão</strong> ao <strong>prato</strong>, tudo se conecta à ancestralidade e ao compromisso de valorizar a cultura africana em suas diversas formas. Para quem trabalha com gastronomia africana ou afrodiaspórica, olhar para o prato exige olhar também para gestão, para equipe, economia, território e principalmente, a ancestralidade.</p>



<p>É nessa junção que conseguimos criar um negócio sólido, promovendo experiências profundas e memória preservada &#8211; tanto para quem faz acontecer, quanto para quem quer conhecer.</p>



<p>Unindo história e estratégia, vamos muito mais longe. <strong>Ubuntu!</strong></p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p><em>Texto: <strong>Laila Santos</strong> — Empreendedora, comunicóloga, co-fundadora e gestora do <strong>Restaurante</strong> <strong>Manden Baobá</strong> (Vila Mariana – São Paulo). Criadora de soluções que valorizam a culinária africana por meio da gastronomia, geração de renda e educação cultural. Facilitadora da formação <strong>Feira Preta Cria Gastronomia</strong>, atua na construção de experiências, negócios e narrativas que fortalecem o afroempreendedorismo gastronômico no Brasil.</em></p>



<p>Esse conteúdo é fruto de uma parceria entre Mundo Negro e Feira Preta.</p>
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		<title>O sabor que cura o mundo: gastronomia amazônica, saberes ancestrais e o futuro que cozinha no presente</title>
		<link>https://mundonegro.inf.br/o-sabor-que-cura-o-mundo-gastronomia-amazonica-saberes-ancestrais-e-o-futuro-que-cozinha-no-presente/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[(MN) Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 21 Nov 2025 17:55:03 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Guia Black Chefs]]></category>
		<category><![CDATA[feira preta]]></category>
		<category><![CDATA[gastronomia amazônica]]></category>
		<category><![CDATA[instagram]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por: Denis Lima, Professor de Gastronomia e Engenheiro de Alimentos A Amaz&#244;nia cozinha antes de falar: identidade, territ&#243;rio e ancestralidade Aqui o tempo tem cheiro: de tucupi fresco, de castanha estalando no fogo, de peixe curado na brasa e de terra molhada depois da chuva. &#201; nessa alquimia de natureza e afeto que se revela [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong><em>Por: Denis Lima, Professor de Gastronomia e Engenheiro de Alimentos</em></strong></p>



<p><strong>A Amazônia cozinha antes de falar: identidade, território e ancestralidade</strong></p>



<p>Aqui o tempo tem cheiro: de tucupi fresco, de castanha estalando no fogo, de peixe curado na brasa e de terra molhada depois da chuva. É nessa alquimia de natureza e afeto que se revela a nossa gastronomia um saber que não nasceu em livro, mas em fogueiras, panelas de barro e mãos que aprenderam com a floresta. A comida na Amazônia é mais que sustento, cosmologia, resistência e memória. Representa a ciência dos povos que cultivam o equilíbrio com a terra muito antes de existir a palavra “sustentabilidade”.</p>



<p>A gastronomia amazônica constitui um campo de conhecimento que transcende o ato de alimentar-se. Ela é a síntese da história, da biodiversidade e das relações humanas com o território. Como instrutor e pesquisador da área gastronômica, percebo que cada ingrediente<br>da Amazônia carrega uma narrativa própria, marcada por ancestralidade e resistência cultural. O uso do tucupi, do jambu, da mandioca e do açaí, por exemplo, expressa um modo de vida e uma identidade coletiva. Esses ingredientes, quando trabalhados nas práticas pedagógicas, permitem que os alunos compreendam a cozinha como um espaço de pertencimento, memória e valorização territorial.</p>



<p>Ensinar gastronomia amazônica é, portanto, ensinar pertencimento. É compreender que cada preparo conta uma história e que o ato de cozinhar pode ser uma forma de preservar saberes, valorizar comunidades e promover respeito à floresta e aos povos que dela vivem.</p>



<p><strong>Saberes ancestrais e a dimensão educativa da gastronomia</strong></p>



<p>Os saberes ancestrais da Amazônia são transmitidos pela oralidade, pela convivência e pela prática. São conhecimentos que integram ciência e espiritualidade, técnica e sensibilidade. Como educador, percebo que cada aula é uma oportunidade de aproximar os alunos dessas heranças culturais e de reconhecer a sabedoria dos povos originários, ribeirinhos e quilombolas. As práticas culinárias tradicionais como o uso medicinal do jambu, o preparo do tucupi fermentado e o manejo sustentável da mandioca revelam um conhecimento profundo sobre o equilíbrio entre o homem e a natureza.</p>



<p>Integrar esses saberes aos processos educativos significa transformar o ensino culinário em instrumento de consciência e emancipação. Quando o aluno compreende o valor simbólico e curativo do alimento, ele passa a cozinhar com consciência, reconhecendo que cada prato é também um gesto de cura, de memória e de respeito à ancestralidade.</p>



<p>Essa prática educativa reforça o papel da gastronomia como ferramenta de empoderamento cultural. Ao trazer para a sala de aula ingredientes, histórias e técnicas tradicionais, formam-se profissionais multiplicadores desses saberes, capazes de inovar sem romper com as raízes que sustentam a cultura alimentar amazônica.</p>



<p><strong>O futuro que se cozinha no presente: educação, sustentabilidade e inovação</strong></p>



<p>Quando falamos em mudanças climáticas e COP30, não falamos de um futuro distante, falamos daquilo que já está na panela agora. Cada colher de farinha de mandioca, cada tucumã descascado, cada azeite de dendê preparado por mãos negras e indígenas é uma tecnologia de sobrevivência climática. A gastronomia da floresta ensina o tempo do cuidado: plantar respeitando o ciclo da lua, colher sem esgotar o solo, compartilhar o excedente com a comunidade. É agricultura familiar, circular e espiritual, onde nada se perde e tudo se transforma.</p>



<p>Pensar no futuro da gastronomia amazônica é pensar também no papel da educação como instrumento de mudança. A formação gastronômica contemporânea precisa integrar teoria, prática e consciência ambiental. O futuro da cozinha amazônica nasce no presente,<br>nas aulas que estimulam o uso sustentável dos recursos, o respeito à biodiversidade e o protagonismo das comunidades locais.</p>



<p>Com esse espírito, o Instituto Feira Preta, em parceria com o Assaí Atacadista e a Academia Assaí, realizou a turma “Feira Preta Cria Gastronomia na Amazônia”. A iniciativa reforça a importância de formar cozinheiros comprometidos com o território, com a economia<br>local e com a valorização dos saberes tradicionais. Ao unir ensino, afeto e sustentabilidade, a gastronomia torna-se uma prática de transformação capaz de curar não apenas o corpo, mas também a memória e o planeta.</p>



<ol class="wp-block-list"></ol>



<p>Desse modo, o “sabor que cura o mundo” nasce da consciência que se constrói em sala de aula e nas cozinhas comunitárias. É o sabor do respeito à floresta, à cultura e às pessoas. O futuro que cozinha no presente é aquele em que cada profissional formado compreende<br>que alimentar é também educar, cuidar e transformar.</p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p><em>Texto: <strong>Denis Lima</strong>. Engenheiro de alimentos formado pela Universidade Federal do Pará, especialista em Vigilância Sanitária e Qualidade dos Alimentos e técnico em Alimentação Escolar pela SECTEC. Atualmente é mestrando em Desenvolvimento Rural e Empreendimentos Agroalimentares pelo IFPA – Campus Castanhal e graduando em Tecnologia de Alimentos pela UEPA. Com nove anos de experiência na indústria de alimentos e bebidas, atua em funções de liderança de equipe, aliando conhecimento técnico e visão estratégica. Além disso, é instrutor e articulador em projetos de formação e fortalecimento de empreendedores do setor alimentício, com foco em qualidade, segurança alimentar e valorização da produção local.</em></p>



<p>Esse conteúdo é fruto de uma parceria entre Mundo Negro e Feira Preta.</p>
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		<title>Do prato ao plano: Afroempreendedorismo gastronômico entre identidade e gestão</title>
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		<dc:creator><![CDATA[(MN) Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 24 Oct 2025 17:55:03 +0000</pubDate>
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<p><strong><em>Por: Lourence Alves</em></strong></p>



<p>O empreendedorismo, olhado em uma afro perspectiva, e compreendido para além da lógica puramente mercadológica, revela-se como uma prática de afirmação identitária e continuidade histórica. Em contextos como o da formação <strong>Feira Preta Cria</strong>, essa perspectiva emerge de forma viva, colocando em evidência como negócios liderados por pessoas negras não são apenas unidades produtivas, mas também espaços de criação, preservação e reinvenção de saberes ancestrais.</p>



<p>Ao dialogar com a cozinha afro-brasileira, carrega em si o compromisso de navegar entre memórias e inovações, de maneira similar ao que ocorre no preparo de um prato que, ao mesmo tempo, resgata tradições e incorpora novas possibilidades.</p>



<p>Assim, cada empreendimento se torna também um ato político, que reverte o ciclo histórico de marginalização e se ancora em valores coletivos, culturais e comunitários.</p>



<p>As tecnologias negras, nesse contexto, não se limitam ao campo das inovações contemporâneas, mas englobam sistemas de conhecimento e prática desenvolvidos e refinados ao longo de séculos. Trata-se de um repertório que envolve desde métodos de cultivo e manejo agroecológico, até técnicas culinárias de aproveitamento integral e preservação dos alimentos, articulando sustentabilidade e sabor.</p>



<p>Esse caminho de empreender, lança mão de tecnologias que se atualizam em soluções criativas e unem tradição e inovação, permitindo que o negócio se torne um veículo de transmissão de saberes. Ao reconhecer que cada panela, cada receita e cada utensílio carregam marcas dessa engenharia social e cultural, compreende-se que o empreendedor negro opera, muitas vezes, como um guardião e propagador dessas tecnologias.</p>



<p>As estratégias negro-femininas são um eixo estruturante dessa trama, pois é majoritariamente através das mulheres negras que esses saberes e negócios se mantêm vivos. Nas feiras, mercados e cozinhas, elas tecem redes de apoio, constroem alianças e praticam a arte do mercar como uma forma de resistência econômica e cultural.</p>



<p>Essas estratégias combinam cuidado, perspicácia e visão de futuro, reinventando-se constantemente para driblar as desigualdades estruturais. Ao trazer para o afroempreendedorismo essa força organizadora e criativa, o trabalho das mulheres negras reafirma que não há dissociação entre gerar renda e manter vínculos comunitários, entre gerir um negócio e alimentar um território — no sentido literal e simbólico.</p>



<p>Gerir um negócio gastronômico dentro da lógica do afroempreendedorismo exige compreender que a dimensão cultural não exclui a necessidade de um planejamento sólido.</p>



<p>Uma das ferramentas mais eficazes para estruturar essa visão é o <em>Business Model Canvas</em>, que permite visualizar, de forma integrada, todos os elementos-chave do empreendimento: proposta de valor, segmentos de clientes, canais de distribuição, fontes de receita, recursos e parcerias essenciais, estrutura de custos e atividades principais.</p>



<p>Ao elaborar o Canvas, o empreendedor ou empreendedora negra consegue alinhar a identidade e os valores do negócio com estratégias objetivas de atuação, evitando decisões fragmentadas e facilitando o acesso a parceiros e investidores.</p>



<p>No campo da gestão financeira, a sustentabilidade do negócio depende de um controle rigoroso de receitas e despesas, de preferência utilizando ferramentas simples e acessíveis. Planilhas eletrônicas, aplicativos de fluxo de caixa e sistemas de controle de vendas podem ser aliados poderosos, muitos deles disponíveis gratuitamente.</p>



<p>Esse cuidado financeiro também se conecta ao princípio da autonomia: saber exatamente o custo de cada prato e a margem de lucro praticada é fundamental para não comprometer a viabilidade do empreendimento. É nessa prática que a economia afetiva encontra a economia de mercado, garantindo que o valor simbólico do trabalho seja acompanhado de um retorno financeiro justo.</p>



<p>A tão temida ficha técnica é outro instrumento essencial na gestão de um negócio de alimentação, pois permite padronizar receitas, controlar porções e calcular com precisão o custo de cada preparo. Além de garantir consistência e qualidade para o cliente, a ficha técnica possibilita um acompanhamento realista do impacto de variações de preço dos insumos e orienta tomadas de decisão sobre ajustes de cardápio.</p>



<p>Um caminho de desmistificação dessa ferramenta pode ser o de pensar nela, também, como documento de preservação cultural, registrando não apenas medidas e processos, mas também histórias, origens e significados de cada prato.</p>



<p>Navegar pela cozinha afro-brasileira é uma viagem que transcende o paladar e nos leva a um território de memórias, ancestralidade e resistência. Aproveitar essa travessia nos desafia a perceber como o preparo dos alimentos não é apenas uma expressão de técnicas, mas também uma forma de celebrar vidas, histórias e culturas que foram construídas a partir de cruzamentos complexos entre territórios e pessoas.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img decoding="async" width="768" height="1024" src="https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2025/10/IMG_2318-768x1024.jpg" alt="" class="wp-image-94424" srcset="https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2025/10/IMG_2318-768x1024.jpg 768w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2025/10/IMG_2318-225x300.jpg 225w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2025/10/IMG_2318-113x150.jpg 113w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2025/10/IMG_2318-1152x1536.jpg 1152w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2025/10/IMG_2318-1536x2048.jpg 1536w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2025/10/IMG_2318-315x420.jpg 315w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2025/10/IMG_2318-150x200.jpg 150w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2025/10/IMG_2318-300x400.jpg 300w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2025/10/IMG_2318-696x928.jpg 696w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2025/10/IMG_2318-1068x1424.jpg 1068w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2025/10/IMG_2318-scaled.jpg 1920w" sizes="(max-width: 768px) 100vw, 768px" /><figcaption class="wp-element-caption">Lourence Alves (Foto: Divulgação)</figcaption></figure>
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<p>O manejo estratégico das mídias sociais é hoje um pilar indispensável para qualquer negócio gastronômico, e no afroempreendedorismo ele assume ainda a função de ampliar vozes e narrativas historicamente silenciadas. Plataformas e mídias digitais oferecem recursos gratuitos para divulgação, interação e vendas, permitindo que micro e pequenos empreendedores alcancem públicos para além de seus territórios imediatos.</p>



<p>O conteúdo precisa ir além da promoção de produtos, contando histórias, mostrando bastidores, compartilhando saberes e evidenciando o diferencial cultural e afetivo que sustenta o negócio.</p>



<p>Um caminho de encantamento é o de olhar para as cozinhas brasileiras a partir dos ingredientes. É uma trilha que nos ajuda a descolonizar as referências gastronômicas hegemônicas, desfazendo mitos como o da feijoada sendo apenas um prato de restos.</p>



<p>Para isso, reconhecer as técnicas usadas, como o uso integral dos alimentos, que manifestam uma relação de respeito e saber profundo com a natureza, evidenciado no preparo cuidadoso dos feijões e suas variações, é fundamental.</p>



<p>Refletir sobre nossa alimentação e suas origens abre espaço para um entendimento mais profundo do que significa cozinhar em solo brasileiro com uma perspectiva afro-diaspórica. Ressignificar o quiabo, por exemplo, envolve valorizar seu espessamento natural, caracterizando-o como um ícone de inovação e não uma característica indesejável (baba), desvendando assim um mundo de sabores que foram amordaçados pela narrativa dominante.</p>



<p>Ao explorarmos a complexidade da cozinha afro-brasileira, é igualmente essencial reconhecer o papel das mulheres negras que, ao longo dos séculos, foram as protagonistas silenciosas que mantiveram vivas essas tradições. Seja nos tabuleiros ou nas feiras, suas habilidades mercantis e a arte do mercar são formas de resistência econômica e social.</p>



<p>A sabedoria que emanava dos quintais, aquela habilidade de cultivar e utilizar as plantas alimentícias, nos ensina que, muito antes de modismos e convenções, já existiam práticas voltadas para a sustentabilidade e o respeito ao ciclo natural das plantas. Esse é um legado de adaptação e sobrevivência que deve ser celebrado e protegido.</p>



<p>Portanto, o convite que esse conhecimento nos traz é ir além do prato. É um chamado para reviver memórias e reimaginar futuros através de uma conexão profunda com quem somos e de onde viemos.</p>



<p>Assim, fazemos da cozinha um espaço não apenas de nutrição, mas de identidade, lembrança e criação de novas narrativas que ressoam e respeitam nossas histórias coletivas e individuais. Essa jornada é, e sempre foi, sobre liberdade e identidade, consolidadas em cada refeição que partilhamos.</p>



<p>Ao integrar essas ferramentas — Canvas, gestão financeira, ficha técnica e mídias sociais — empreender é também construir uma base sólida que sustenta tanto a perenidade econômica quanto a coerência identitária do negócio.</p>



<p>Essa articulação entre técnica e cultura é o que permite que a cozinha afro-brasileira, com sua profundidade histórica e riqueza de significados, se estabeleça como força no mercado sem abrir mão de seus valores.</p>



<p>O resultado é um empreendimento que não apenas gera renda, mas também produz pertencimento, circulação de saberes e fortalecimento comunitário, alinhando gestão eficiente com a missão de transformar a realidade a partir da comida.</p>



<p>Portanto, pensar o afroempreendedorismo a partir da cozinha afro-brasileira e das experiências formativas como a Feira Preta Cria é reconhecer que se trata de uma prática de liberdade. É navegar por um oceano onde memória, identidade e inovação se encontram, criando novas rotas para a economia e para a cultura.</p>



<p>Cada prato preparado, cada produto vendido e cada história contada se tornam parte de uma narrativa maior, que afirma a potência das comunidades negras em construir futuros sustentáveis e autônomos.</p>



<p>Essa é uma travessia que nos convida a ir além do prato: a ver a cozinha, o mercado e o empreendimento como territórios de disputa e criação, onde se plantam sementes de dignidade e se colhem frutos de transformação social.</p>



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<p><em>Texto: <strong>Lourence Alves [<a href="https://www.instagram.com/lourencealves/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">@lourencealves</a>]</strong>. Professora na Universidade Federal da Bahia, pesquisadora, cozinheira e escritora. Filha de Iemanjá e mãe de Carolina Maria, navega entre panelas, livros e memórias, unindo a cozinha e a palavra como territórios de afeto e resistência. Doutora em Alimentação, Nutrição e Saúde, dedica-se a estudar e ensinar a gastronomia em diálogo com culturas afrocentradas, religiosidades e saberes que desafiam o colonial.</em></p>



<p>Esse conteúdo é fruto de uma parceria entre Mundo Negro e Feira Preta.</p>



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		<title>A cultura africana como alicerce da cozinha baiana</title>
		<link>https://mundonegro.inf.br/a-cultura-africana-como-alicerce-da-cozinha-baiana/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[(MN) Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 22 Sep 2025 16:14:02 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Guia Black Chefs]]></category>
		<category><![CDATA[afrochefe]]></category>
		<category><![CDATA[candomblé]]></category>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><em>Por: Afrochefe Jorge Washington </em></p>



<p>Com a chegada forçada de milhões de africanos escravizados ao Brasil, especialmente à Bahia, práticas alimentares de diferentes etnias foram recriadas com os ingredientes disponíveis no novo território. <strong>O dendê, o leite de coco, o quiabo, a pimenta, o inhame e outros alimentos de origem africana passaram a ser combinados com produtos locais </strong>e europeus, criando uma culinária única e profundamente simbólica, que é também marca de resistência.</p>



<p>Os pratos afro-baianos são expressões vivas da cosmovisão africana. <strong>Acarajé, vatapá, caruru, abará e moqueca não são apenas alimentos, mas manifestações da religiosidade afro-brasileira</strong>, especialmente do Candomblé e de como a sabedoria africana se tornou um conhecimento vivo que atravessa gerações. Muitos deles são oferecidos aos orixás, cada qual com seus significados, cores e ingredientes específicos.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Culinária como Patrimônio e Resistência</strong></h3>



<p>A gastronomia afro-baiana é um patrimônio cultural imaterial, reconhecido pela sua importância histórica e simbólica. O ofício das baianas de acarajé, por exemplo, foi registrado pelo <strong>IPHAN </strong>como patrimônio cultural do Brasil. Essas mulheres são guardiãs de um saber ancestral que ultrapassa a cozinha — são também figuras centrais na preservação das tradições afro-religiosas, no fortalecimento da identidade negra e na economia informal que antes, nas mãos das quituteiras, garantiu a sobrevivência e liberdade de muitos. </p>



<p>Em um contexto de opressão histórica, a culinária foi (e ainda é) uma forma de resistência. Cozinhar com dendê e rezar para os orixás era, durante muito tempo, uma forma de manter a fé viva, mesmo sob perseguição. Ao preparar a comida nós e nossos ancestrais mantivemos nossas raízes culturais, transformando a cozinha em um espaço de liberdade e ancestralidade.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Religiosidade e Sagrado nos Sabores</strong></h3>



<p>Na culinária afro-baiana, a comida é também sagrada. Cada prato tem uma ligação com os rituais do Candomblé. O acarajé, por exemplo, é oferecido a <strong>Iansã</strong>, orixá dos ventos e das tempestades. O amalá é prato de <strong>Xangô</strong>, feito com quiabo e carne. Mais do que alimento, esses pratos são oferendas, pontes entre o mundo terreno e o espiritual.</p>



<p>Essa dimensão simbólica transforma a cozinha em um terreiro — um espaço onde se celebra a vida, a fé e a ancestralidade. Comer um prato afro-baiano é, muitas vezes, participar de um rito, mesmo que inconscientemente.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Saberes e Sabores que Moldam a Identidade Baiana</strong></h3>



<p>A presença da cultura africana na Bahia é marcante em todos os aspectos da vida cotidiana, e a gastronomia é uma das formas mais potentes dessa expressão. Aqui em Salvador e no Recôncavo Baiano, os sabores da África estão em cada esquina, em feiras, mercados e tabuleiros. É por meio desses alimentos que reafirmamos nossa identidade cultural e transmitimos, de geração em geração, os saberes da cozinha de terreiro e da oralidade ancestral.</p>



<p>A culinária afro-baiana é o reflexo de uma herança africana que resistiu à escravidão, à marginalização e ao preconceito. Ela é uma celebração da cultura negra, um canal de memória, espiritualidade e pertencimento. Ao valorizar a gastronomia afro-baiana, reconhecemos o poder da cultura na construção dos sabores que definem não apenas um território, mas também a alma de um povo.</p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p><em><strong>Texto: Jorge Washington [<a href="https://www.instagram.com/jorgewashingtonr/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">@jorgewashingtonr</a>].</strong> Um talentoso profissional que atua em duas áreas diferentes: como Afrochefe e como Ator. Sua paixão pela culinária é evidente em seu trabalho como Afrochefe, onde ele incorpora ingredientes como ancestralidade e  afetividade em suas criações. Desde jovem, Jorge Washington ajudava sua mãe Georgina nas compras da feira, cortando temperos, tratando carnes e aprendendo as  melhores formas e estratégias para deixar cada preparo saboroso. Ele é conhecido por  pratos como bacalhau martelo, galinha ao molho pardo, moqueca de feijão, xinxim de  bofe, moqueca de miraguaia, além de suas próprias criações e adaptações, como  maxixada de carne seca, moqueca de carne seca com mamão verde, fígado com  maxixe, entre outros. Jorge Washington, ou como ele prefere ser chamado, o Afrochefe, traz consigo sua herança africana e promove a culinária baiana através do  Projeto Culinária Musical, buscando promover reflexão, intercâmbio, conhecimento e estímulo à arte gastronômica. </em></p>



<p>Esse conteúdo é fruto de uma parceria entre Mundo Negro e Feira Preta.</p>
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		<title>Da plantação à mesa: um olhar sobre a cadeia produtiva a partir da experiência no campo</title>
		<link>https://mundonegro.inf.br/da-plantacao-a-mesa-um-olhar-sobre-a-cadeia-produtiva-a-partir-da-experiencia-no-campo/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[(MN) Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 22 Aug 2025 17:55:03 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Guia Black Chefs]]></category>
		<category><![CDATA[feira preta]]></category>
		<category><![CDATA[instagram]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Nara Rodrigues Em junho deste ano, tive a honra de participar do projeto Feira Preta Cria Gastronomia, realizado em Cachoeira, na Bahia, a convite do Instituto Feira Preta e do Instituto Assa&#237;. Estive ali como especialista, mas sobretudo como agricultora familiar que vive na pele os desafios e as possibilidades de transformar a terra [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><em>por Nara Rodrigues</em></p>



<p>Em junho deste ano, tive a honra de participar do projeto Feira Preta Cria Gastronomia, realizado em Cachoeira, na Bahia, a convite do Instituto Feira Preta e do Instituto Assaí. Estive ali como especialista, mas sobretudo como agricultora familiar que vive na pele os desafios e as possibilidades de transformar a terra em alimento e o alimento em sustento digno. Compartilhei erros, acertos e estratégias que tenho utilizado para transformar minha produção agrícola em produtos valorizados, nutritivos e desejados — caminhos que me levaram à tão sonhada autonomia financeira por meio do trabalho no campo.</p>



<p>Esse percurso, no entanto, não foi linear. Como muitos pequenos produtores, comecei com mais vontade do que estrutura. Cresci entre os pés de cacau, e quando pude, investi todo meu capital na compra da terra. Tinha certeza de que seria um bom negócio. Mas a falta de planejamento e a ausência de visitas a outros produtores para entender os desafios da cadeia produtiva foram erros importantes que comprometeram o início da jornada.</p>



<p>Por outro lado, acertei ao manter o hábito de registrar tudo: gastos, ganhos e o lucro real das vendas. Isso me deu clareza para perceber que a venda de amêndoas de cacau e frutas frescas, sozinha, não sustentaria o sonho — sequer cobria os custos de manter um funcionário fixo. Era preciso reorganizar a produção e o modelo de negócio.</p>



<p>Comecei então a buscar formações gratuitas e a adaptar o ritmo da roça à minha própria força de trabalho. Passei a contratar mão de obra apenas nas épocas de colheita, pagando por diárias. O valor era mais alto, mas o custo total, menor e pontual. Ainda assim, outro desafio persistia: a perda de alimentos frescos — frutas, ervas, sementes — que estragavam no campo por falta de compradores e pela desvalorização dos ingredientes regionais.</p>



<p>Foi aí que encontrei um novo rumo. Resgatei meus conhecimentos prévios em produção de geleias, desidratação de frutas e fabricação de chocolates. Comecei com pequenos equipamentos que já possuía, e mais tarde, passei a alugar maquinário para aumentar a produtividade sem elevar o custo fixo com pessoal. Aos poucos, fui transformando os excedentes em produtos prontos para consumo e levando essa nova linha de produção para as feiras locais.</p>



<p>Desse esforço nasceu a Mimos da Mata, meu microempreendimento individual. Hoje, produzimos e comercializamos chocolates artesanais, doces, plantas medicinais, manteigas e óleos vegetais — todos elaborados com matéria-prima cultivada em minha terra, respeitando os ciclos naturais e os saberes da agricultura familiar.</p>



<p>Com o tempo, a rede de apoio também cresceu. Hoje, contamos com três colaboradoras eventuais, uma colaboradora fixa na produção dos Mimos e um colaborador responsável pelo trabalho na terra. Também contamos com o apoio do coletivo Mulheres Pretas do Chocolate, além de amigos e amigas que se somam a nós nessa caminhada. Cada pessoa que escolhe comprar nossos produtos ajuda a financiar esse projeto que é, ao mesmo tempo, pessoal, coletivo e ancestral.</p>



<p>O caminho da roça até a mesa passa por muitas mãos, decisões e aprendizados. Aprendi que agregar valor à produção local é mais do que uma estratégia econômica: é um ato de resistência, um resgate cultural e um compromisso com a sustentabilidade. Quando respeitamos os tempos da terra, dos frutos e da nossa própria força, conseguimos criar alimentos que nutrem de verdade — o corpo, a memória e os territórios.</p>



<p><strong>Síntese: aprendizados e dicas práticas para quem quer empreender no campo</strong></p>



<p>A experiência me ensinou que alguns elementos são fundamentais para transformar a produção agrícola em um negócio sustentável e próspero. Abaixo, compartilho algumas dicas que podem ajudar outras pessoas nesse caminho:</p>



<p>1. Identificação e gestão dos recursos disponíveis</p>



<p>Antes de investir, olhe ao redor: o que sua terra oferece? Que equipamentos você já tem? Que saberes você domina? Começar com o que está disponível reduz riscos e acelera resultados.</p>



<p>2. Criatividade é essencial</p>



<p>Transformar frutas que iriam se perder em doces e geleias, usar ervas para chás ou cosméticos, vender kits ou presentes temáticos&#8230; tudo isso é forma de dar valor à produção. Criar, experimentar e inovar é parte do processo.</p>



<p>3. Planejamento de negócios</p>



<p>Registrar todos os custos, lucros e formas de venda permite entender onde o negócio realmente dá retorno. Um plano simples, com metas e estratégias, já faz grande diferença.</p>



<p>4. Avaliação constante dos resultados</p>



<p>Mensalmente, compare o que foi previsto com o que foi alcançado. Essa prática ajuda a tomar decisões melhores, corrigir rotas e enxergar oportunidades.</p>



<p>5. Corte de gastos com inteligência</p>



<p>Nem sempre contratar mais gente é a solução. Às vezes, terceirizar tarefas pontuais ou alugar equipamentos pode reduzir custos e aumentar a produtividade.</p>



<p>6. Propaganda boca a boca funciona — e muito!</p>



<p>Clientes satisfeitos são os melhores divulgadores. Incentive feedbacks, conte sua história, esteja presente nas feiras, nas redes sociais e onde seu público está. Quem conhece sua trajetória passa a valorizar muito mais seus produtos.</p>



<p></p>



<p>Seja no campo ou na cidade, produzir com consciência e propósito é uma forma poderosa de transformar vidas. A terra ensina, e quem escuta com o coração aprende a cultivar não só alimentos, mas também autonomia, dignidade e futuro.</p>



<p>–</p>



<p><strong>Texto: Nara Rodrigues</strong>[@mimosdamata]. Filha de agricultores, produtora de cacau, chocolateira criadora do chocolate Roxo e empreendedora do ramo da gastronomia em Ilhéus (BA). Farmacêutica especializada em planta medicinal, mulher preta, mãe,  Livre,  apaixonada por natureza. É fundadora da Mimos da Mata, negócio que produz  chocolate sem leite ou aditivos e com alta concentração de cacau, geleias artesanais ricas em fibras, frutas e plantas medicinais desidratadas, óleos e manteigas prensadas a frio, cosméticos e produtos de limpeza naturais e biodegradáveis que vem ganhando cada vez mais espaço no mercado e fortalecendo a sua comunidade. Na Mimos da Mata, Nara é protagonista em todos os processos do negócio, do manejo dos pés de cacau à embalagem dos produtos, passando pela gestão.  </p>



<p>Esse conteúdo é fruto de uma parceria entre Mundo Negro e Feira Preta.</p>
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		<item>
		<title>A importância da legalização dos negócios por empreendedores que iniciam na Gastronomia</title>
		<link>https://mundonegro.inf.br/a-importancia-da-legalizacao-dos-negocios-por-empreendedores-que-iniciam-na-gastronomia/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[(MN) Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 24 Jul 2025 17:55:02 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>A convite do Instituto Feira Preta e do Instituto Assa&#237; participei do Feira Preta Cria &#8211; Gastronomia para construirmos junto com uma turma de 20 empreendedoras na cidade de Cachoeira o significado da import&#226;ncia de legaliza&#231;&#227;o dos neg&#243;cios por pessoas que est&#227;o comercializando alimentos e bebidas. Trouxe minha trajet&#243;ria &#224; frente da curadoria do Festival [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>A convite do<strong> </strong>Instituto Feira Preta e do Instituto Assaí participei do <strong>Feira Preta Cria &#8211; Gastronomia</strong> para construirmos junto com uma turma de 20 empreendedoras na cidade de Cachoeira o significado da importância de legalização dos negócios por pessoas que estão comercializando alimentos e bebidas. Trouxe minha trajetória à frente da curadoria do <strong>Festival Gastronomia Preta</strong>, que acontece no Rio de Janeiro, para ampliarmos a visão em relação aos benefícios de ser MEI &#8211; Micro Empreendedor Individual. Não é meu objetivo neste artigo de opinião problematizar as disfunções sociais desta categoria.</p>



<p>A frente da feira gastronômica que ocorre no Festival Gastronomia Preta desde 2023, tive a possibilidade de aprender na prática especificidades do setor de eventos que adiante tratarei neste texto.<strong> O mais importante agora é compreender que o MEI possui benefícios que muitas vezes são desconhecidos</strong>, como, por exemplo, aqueles relativos à previdência. Você sabia, por exemplo, que ao ser MEI e cumprir com suas obrigações mensais (pagar os impostos) é possível ter auxílio doença ou salário maternidade? Além destes e outros benefícios, aquele mais importante que tem relação com as vendas é a possibilidade de emissão de nota fiscal.</p>



<p>Por vezes ouvi queixas de empreendedores que deixaram de fechar uma boa venda em função de não terem a possibilidade de emitir uma nota fiscal; ou, que a nota fiscal que poderiam emitir não tinha relação com a atividade de alimentos e bebidas. Logo, a primeira coisa a saber é que <strong>não basta ter CNPJ e poder emitir nota fiscal </strong>&#8211; é necessário que a atividade registrada contemple a produção e comercialização de alimentos e bebidas. O CNAE (Classificação Nacional de Atividades Econômicas) do MEI ou de uma empresa que queira comercializar alimentos deve ser para fornecimento de alimentos e bebidas. Por exemplo, uma empresa de tecnologia com CNAE desta área não pode emitir nota fiscal para comercialização de alimentos.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="683" src="https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2025/07/Breno_Cruz_1-1-1024x683.jpeg" alt="" class="wp-image-92146" srcset="https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2025/07/Breno_Cruz_1-1-1024x683.jpeg 1024w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2025/07/Breno_Cruz_1-1-300x200.jpeg 300w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2025/07/Breno_Cruz_1-1-150x100.jpeg 150w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2025/07/Breno_Cruz_1-1-768x512.jpeg 768w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2025/07/Breno_Cruz_1-1-1536x1024.jpeg 1536w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2025/07/Breno_Cruz_1-1-630x420.jpeg 630w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2025/07/Breno_Cruz_1-1-696x464.jpeg 696w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2025/07/Breno_Cruz_1-1-1068x712.jpeg 1068w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2025/07/Breno_Cruz_1-1.jpeg 1920w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption class="wp-element-caption">Breno Cruz (Foto: Divulgação)</figcaption></figure>



<p>Legalizar sua atuação como empreendedor(a) no ramo da gastronomia pode ter impactos positivos na aceleração da sua trajetória profissional. Só é possível vender para empresas quando se tem o CNPJ. Isso acontece porque cada empresa deve prestar contas à Receita Federal sobre as transações que ela faz (compra e venda) no decorrer de cada ano. Ou seja, não há jeitinho brasileiro para essa questão: ou se tem ou não tem CNPJ para emitir nota fiscal para aquele serviço prestado. De acordo com o Governo Federal, no mês de Maio de 2025, o valor mensal a se pagar de impostos é de R$ 75,90 relativo ao MEI mais R$ 5,00 de ISS e mais R$ 1,00 de ICMS.</p>



<p>Em um primeiro momento, este valor pode parecer alto para quem está começando; todavia, os benefícios atrelados a este valor (principalmente os previdenciários &#8211; aposentadoria por idade ou invalidez, pensão por morte e auxílio doença) parecem trazer segurança ao micro empreendedor individual em algum caso de impossibilidade de realizar seu trabalho.</p>



<p>A partir do momento que você possui o CNPJ e pode emitir nota fiscal, você também pode participar de eventos &#8211; como a Feira Preta e o Festival Gastronomia Preta. <strong>Os eventos são fonte de renda que ajudam no aumento de vendas dos empreendedores.</strong> Mas eles são específicos para cada cidade ou estado no que diz respeito à documentação. Especificamente no Rio de Janeiro, qualquer empreendedor de alimentos e bebidas terá que ter a Licença Sanitária de Atividades Transitórias e Autorização de Funcionamento Provisório.</p>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>LSAT &#8211; Licença Sanitária de Atividades Transitórias:</strong> concedida com prazo máximo de 180 dias, à pessoa física ou jurídica, para cada atividade sujeita à vigilância sanitária exercida em eventos realizados em área pública ou privada; ao organizador do evento; a ambulantes</li>
</ul>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Autorização de Funcionamento Provisório (SEFAZ):</strong> para fazer o requerimento do alvará é preciso entrar em contato com a prefeitura da cidade (geralmente a Secretaria de Fazenda) e realizar o preenchimento de todas as informações obrigatórias. </li>
</ul>



<p>Eu sempre sugiro aos expositores do Festival Gastronomia Preta que busquem uma consultoria de um despachante &#8211; que é um profissional que tem o conhecimento da documentação necessária para regularizar a sua atividade em um evento. Adicionalmente, eu sugiro realizar gratuitamente o<strong> <a href="https://carioca.rio/servicos/treinamento-nocoes-basicas-de-higiene-na-manipulacao-de-alimentos/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Treinamento Noções básicas de higiene na manipulação de alimentos da Prefeitura do Rio de Janeiro</a>.</strong> Não é obrigatório, mas qualifica ainda mais sua experiência como empreendedor(a) no ramo da Gastronomia. Neste treinamento você aprende noções básicas de manipulação que pode ajudar a evitar ter problemas com a Vigilância Sanitária.</p>



<p>Zelando pela imagem do Festival Gastronomia Preta, exigimos que todo expositor apresente o certificado deste treinamento. Afinal, primeiro eles se protegem quanto ao atendimento das normas e regras de higiene; e, consequentemente, nos protege de alguma intervenção que pode prejudicar a imagem do evento.</p>



<p>Por fim,<strong> legalizar sua atuação no ramo da Gastronomia é o primeiro passo para acelerar suas vendas</strong> &#8211; e esse não é um olhar romantizado (não sou consultor do Sistema S). Fazer sua formalização pode te abrir portas para você acessar espaços de comercialização para seus produtos ou serviços.</p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p><em><strong>Texto: Breno Cruz [<a href="https://www.instagram.com/pretogourmet/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">@pretogourmet</a>].</strong> Professor efetivo do Departamento de Gastronomia da UFRJ; Doutor em Administração e Pós-doutor em Comunicação; especialista em Responsabilidade Social Corporativa; autor de 12 livros e mais de 180 resumos e artigos completos em congressos e revistas acadêmicas nacionais e internacionais; jurado da Forbes Under 30 na área de Gastronomia e do reality show Vida de Merendeira; criador do Prêmio Gastronomia Preta, do Pretonomia &#8211; um curso de extensão da UFRJ que qualifica pessoas pretas e pardas em vulnerabilidades na região metropolitana do Rio de Janeiro e também criou o Festival Gastronomia Preta. Nas redes sociais é conhecido como Preto Gourmet e é colunista do Notícia Preta e da Revista Bares e Restaurantes da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes.</em></p>



<p>Esse conteúdo é fruto de uma parceria entre Mundo Negro e Feira Preta.</p>
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		<title>Gastronomia &#038; Ancestralidade: saberes que alimentam o presente e constroem o futuro</title>
		<link>https://mundonegro.inf.br/gastronomia-ancestralidade-saberes-que-alimentam-o-presente-e-constroem-o-futuro/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[(MN) Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 17 Jul 2025 17:55:02 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Guia Black Chefs]]></category>
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<p>Para falar de comida e ancestralidade para um público de afroempreendedores, não poderia deixar de voltar alguns anos na história do Brasil, onde as raízes desse nicho específico de empreendedorismo residem. Anos? Não, séculos. Precisamos falar das “escravas de ganho”, as “ganhadeiras” ou “negras de tabuleiro” dos séculos XVIII e XIX. Mulheres escravizadas, algumas libertas, que saíam às ruas do Rio de Janeiro, Salvador, São Luís do Maranhão e outras cidades com seus cestos, balaios e tabuleiros vendendo toda sorte de quitutes. Para as que ainda não tinham sido alforriadas, parte do ganho de suas vendas era destinado aos seus senhores, que podiam viver do ócio graças à desenvoltura de suas serviçais. Já as libertas eram donas de seus ganhos e, com isso, garantiam o sustento de suas famílias, a compra de alforrias e de bens como joias e, futuramente, imóveis.</p>



<p>É praticamente impossível citar todos os seus nomes, mas uma delas é notável: <strong>Tia Ciata</strong>, Hilária Batista de Almeida. Uma mulher baiana que, perseguida por policiais, teve que se mudar para o Rio de Janeiro, onde, com seus quitutes, exerceu forte influência na sociedade negra, comprou um imóvel que era ponto de encontro do movimento político, porto seguro para encontros musicais e onde foi gravado o primeiro samba brasileiro. Você imaginava que vender manjares, cocadas, bolos e acarajés nas ruas, no período colonial, poderia gerar tamanha revolução num sistema escravista?</p>



<p>Essas histórias estão registradas em alguns livros e também podemos conhecer parte dessas mulheres no acervo permanente do <strong>Museu Afro Brasil Emanoel Araújo</strong>, localizado em São Paulo. Essa visita é obrigatória e fundamental para todos nós. Se hoje milhares de mulheres empreendem na área da alimentação, é porque somos herança direta dessa fonte. Trago esse fato histórico para que a gente não se esqueça e para que sintamos orgulho do que nos constitui e nos faz empresárias, confeiteiras, cozinheiras, chefs de cozinha, assistentes, merendeiras, padeiras, quituteiras…</p>



<p>Outra informação que não pode ser deixada de lado é a existência brilhante de<strong> Benê Ricardo</strong>, que, nos anos 1980, foi a primeira mulher (você leu bem: mulher, e não mulher negra) a se formar numa graduação em gastronomia e a primeira a chefiar uma cozinha profissional de hotel cinco estrelas. Ela foi pioneira de verdade e deixou para nós um legado sem precedentes!</p>



<p>Lá nos Estados Unidos, também temos dois exemplos importantes: <strong>Lena Richard</strong>, autora de livros de cozinha e chef que apresentou um programa de televisão em Nova Orleans nos idos de 1940. Sabe a famosa cozinheira <strong>Julia Child</strong>? Ela estreou seu programa vinte anos depois de Lena Richard. E o primeiro chef de cozinha norte-americano foi <strong>James Hemings</strong>, um negro nascido escravo em 1765 e que foi chef do terceiro presidente dos Estados Unidos, <strong>Thomas Jefferson</strong>.</p>



<p>Dito isso, a ancestralidade é uma riqueza e nós precisamos beber nessa fonte. Mas, para mim, ela não é algo que ficou preso lá no passado; é algo que nos permeia, que corre muito viva em nossas veias a todo momento. A nossa ancestralidade pulsa, como querendo dizer: estou aqui com você. Olha para mim, me reconhece, lembra de mim, deixa eu ir junto com você nesse caminho do empreendedorismo gastronômico.</p>



<p>Sabemos que os caminhos nem sempre são fáceis, muitas vezes são tortuosos. Mas a capacitação é ferramenta fundamental para que as pedras do caminho sejam retiradas uma a uma, para que a tal da luz surja no tal do fim do túnel e que nosso jeito único de empreender seja finalmente encontrado. Tem quem faz assim, tem quem faz assado e tem quem não faz. Então, se você segue trabalhando, acreditando nos seus sonhos, estudando, aprendendo novas tecnologias, aprimorando o seu negócio, você está de parabéns e tem o nosso apoio.</p>



<p>A comida brasileira é afroindígena e muito do que comemos hoje é herança direta dos nossos antepassados. Para te inspirar, te conto que alimentos como o quiabo, o feijão fradinho, a melancia, o café, o inhame, o dendê, a pimenta malagueta e outros são de origem africana e vieram para estas terras durante as rotas transatlânticas. A fermentação de grãos e frutas é uma descoberta egípcia e, se o mundo todo come pão, bebe cerveja e vinho, é graças aos nossos antepassados mais distantes.</p>



<p>Eu sou pesquisadora de culturas alimentares e encontrei um jeito todo meu de fazer da casa e dos hábitos das mesas brasileiras o meu delicioso objeto de estudo. Uso a comida como desculpa para falar de tantos outros assuntos. Porque comer é um ato biológico, mas a comida é muito mais. Ela é ferramenta de comunicação, ato político e instrumento de transformação social. Eu vejo essa transformação acontecendo a todo momento. E te convido a enxergar a revolução que a comida também fez, faz e fará na sua vida. Então, recupera o caderno de receitas da sua família, tira o pilão do fundo do armário, respira bem fundo, enche o seu peito de ar e de autoestima e mãos à obra. Tem muita gente lá fora querendo comprar a sua comida e os seus serviços, vende bem o seu peixe! Ou a sua moqueca, bolo ou geleia. Estamos aqui para te aplaudir.</p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p><em><strong>Texto: Patty Durães</strong> [<a href="https://www.instagram.com/patty.duraes/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">@patty.duraes</a>]. Pesquisadora de culturas alimentares, especializada na influência das heranças afrodiaspóricas na culinária brasileira. Com experiência em instituições como SESC, MASP e SENAC e Sebrae, ela é autora do curso &#8220;Muito Além da Boca&#8221; na plataforma EAD da Fundação Itaú, foi curadora da primeira edição do Menu Cultural em 2024. TEDX speaker e professora convidada na Dillard University, em New Orleans, também em 2024. Patty pesquisa projetos editoriais para a Cia das Letras e assina a pesquisa de personagens da série Coisas Daqui, para a Globo Minas e GNT. É professora de Festas Tradicionais Populares, Hospitalidade e Turismo gastronômico na pós-graduação em comida brasileira da faculdade de gastronomia do SENAC Santo Amaro e no Instagram, compartilha suas experiências e pesquisas.</em></p>



<p>Esse conteúdo é fruto de uma parceria entre Mundo Negro e Feira Preta.</p>
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		<title>Festival Feira Preta adia edição de 2025 em São Paulo após diminuição de patrocínios</title>
		<link>https://mundonegro.inf.br/festival-feira-preta-adia-edicao-de-2025-em-sao-paulo-apos-diminuicao-de-patrocinios/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[(MN) Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 19 Mar 2025 09:11:51 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>O Festival Feira Preta, considerado o maior evento de cultura e empreendedorismo negro da Am&#233;rica Latina, anunciou na manh&#227; desta quarta-feira (19) o adiamento da edi&#231;&#227;o de 2025 em S&#227;o Paulo para 2026 devido &#224; diminui&#231;&#227;o de patroc&#237;nios. No comunicado oficial publicado no Instagram do evento, o texto explica que &#8220;a decis&#227;o reflete um cen&#225;rio [&#8230;]</p>
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<p>O <strong>Festival Feira Preta</strong>, considerado o maior evento de cultura e empreendedorismo negro da América Latina, anunciou na manhã desta quarta-feira (19) o adiamento da edição de 2025 em São Paulo para 2026 devido à diminuição de patrocínios. No comunicado oficial publicado no Instagram do evento, o texto explica que &#8220;a decisão reflete um cenário de retração de investimentos em eventos voltados para a diversidade, com a burocracia das grandes empresas dificultando a liberação de recursos&#8221;. Uma edição do festival será realizada em Salvador, em novembro deste ano.</p>



<p> “O adiamento do evento em São Paulo representa uma perda significativa para pequenos empreendedores, artistas e profissionais da economia criativa negra, que encontram no festival um espaço fundamental para visibilidade e desenvolvimento econômico”, afirmu <strong>Adriana Barbosa</strong>, fundadora da Feira Preta, no comunicado. Na última edição, realizada em São Paulo, o festival movimentou cerca de R$ 14 milhões, beneficiando diretamente 170 empreendedores negros e gerando 600 empregos temporários.</p>



<p>Negociada desde o ano passado, a edição que ocorrerá na cidade de Salvador, em novembro deste ano permanece, levando para a Bahia investimentos já aportados pelo festival. O adiamento da edição paulista, no entanto, representa um desafio para pequenos empreendedores, artistas e profissionais da economia criativa negra, que encontram no festival um espaço fundamental para visibilidade e desenvolvimento econômico.</p>



<p><strong>Estratégias para 2024</strong><br>Enquanto a edição de São Paulo é adiada, os empreendedores já inscritos seguem em processo de curadoria para possível participação no evento em Salvador. A organização também negocia a realização de eventos ao longo do ano para criar novas oportunidades de negócios. Em junho, o festival estará presente no Women Music Event, com uma feira de produtos e serviços de empreendedores negros.</p>



<p>Para quem já comprou ingressos para a edição de São Paulo, a organização entrará em contato para realizar o estorno dos valores.</p>



<p>“Seguimos firmes no compromisso de criar espaços de potência e visibilidade para o empreendedorismo negro, buscando novos modelos de financiamento e parcerias para garantir a continuidade do festival em sua plenitude, garantindo sua perenidade como uma das mais importantes plataformas de fortalecimento da economia negra”, reforça <strong>Adriana Barbosa</strong>.</p>
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		<title>Com shows confirmados de Tasha e Tracie e Luedji Luna, Festival Feira Preta abre vendas de ingressos para o público</title>
		<link>https://mundonegro.inf.br/com-shows-confirmados-de-tasha-e-tracie-e-luedji-luna-festival-feira-preta-abre-vendas-de-ingressos-para-o-publico/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[(MN) Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 26 Feb 2024 20:53:04 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[MÚSICA]]></category>
		<category><![CDATA[ÚLTIMAS NOTÍCIAS]]></category>
		<category><![CDATA[feira preta]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O Festival Feira Preta anunciou o in&#237;cio das vendas do primeiro lote dos ingressos da edi&#231;&#227;o &#8220;Ser feliz &#233; nossa revolu&#231;&#227;o&#8221;. Com line-up sendo divulgado semanalmente, j&#225; est&#227;o confirmados nomes como Luedji Luna, Tasha e Tracie, Attooxx&#225;, Prettos, al&#233;m de palco com festas e festivais negros de v&#225;rios estados brasileiros. A edi&#231;&#227;o 2024 acontecer&#225; nos [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://mundonegro.inf.br/com-shows-confirmados-de-tasha-e-tracie-e-luedji-luna-festival-feira-preta-abre-vendas-de-ingressos-para-o-publico/">Com shows confirmados de Tasha e Tracie e Luedji Luna, Festival Feira Preta abre vendas de ingressos para o público</a> apareceu primeiro em <a href="https://mundonegro.inf.br">Mundo Negro</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>O <strong><a href="https://mundonegro.inf.br/nova-feira-preta-maior-festival-de-cultura-negra-da-america-latina-agora-sera-em-maio-com-novo-formato-e-local/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Festival Feira Preta</a></strong> anunciou o início das vendas do primeiro lote dos ingressos da edição “<strong>Ser feliz é nossa revolução</strong>”. Com line-up sendo divulgado semanalmente, já estão confirmados nomes como <strong>Luedji Luna</strong>, <strong>Tasha e Tracie</strong>, <strong>Attooxxá</strong>, <strong>Prettos</strong>, além de palco com festas e festivais negros de vários estados brasileiros. A edição 2024 acontecerá nos dias 03, 04 e 05 de maio, no Parque Ibirapuera, em São Paulo.</p>



<p>“O festival sempre foi um marco na história de São Paulo e agora ele assume o tamanho do ecossistema que representa. Abrimos um mercado, conectamos setores e os empreendedores passaram a criar produtos para essa demanda. Esse novo momento foi pensado para trazer novas experiências para o público do evento”, afirma <a href="https://mundonegro.inf.br/ao-lado-de-issa-rae-adriana-barbosa-fundadora-do-festival-feira-preta-participa-do-jantar-de-impacto-da-revista-time/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><strong>Adriana Barbosa, fundadora e idealizadora do Festival Feira Preta</strong>.</a></p>



<p>Em novo formato, Adriana também explica como será realizado o evento neste ano com modelo freemium. “Baseado na criação e disponibilização de espaços gratuitos e pagos, terá a mesma estrutura com shows de grandes artistas pretos reconhecidos na cena musical, ativações de marcas, feira de empreendedores, palestras e espaço gastronômico. Serão dias inesquecíveis”, diz.</p>



<p>Os ingressos podem ser adquiridos no site <strong>Blue Tickets (<a href="https://www.blueticket.com.br/evento/34474" target="_blank" rel="noreferrer noopener">veja aqui</a>) </strong>e custam a partir de R$ 60 reais a inteira e R$ 30 reais a meia-entrada, no primeiro lote. Os clientes com o cartão Mercado Pago que adquirirem ingressos do <strong>primeiro lote</strong> para o Festival, receberão o desconto de 20% sobre o valor da compra. No segundo lote, os valores ficam entre R$ 50 e 100 reais e, no terceiro, entre R$ 70 e R$ 140 reais. </p>



<p>Nesta edição, serão mais de 35 atrações e mais de 160 empreendedores confirmadas. Música, artes, gastronomia, painéis, experiências imersivas, espaço infantil e muito mais. O evento também terá espaços imersivos com experiências para todas as gerações e amplo espaço de oferta de produtos e serviços.  </p>



<p>Criada em 2002 com o objetivo inicial de promover a compra e venda de produtos de empreendedores negros, a Feira Preta evoluiu a cada edição e hoje se transformou no maior festival de cultura negra e economia criativa da América Latina. Com uma ampla variedade de conteúdos, produtos e serviços, abrangendo tecnologia, literatura, música, artes digitais e painéis de discussões sobre o futuro do empreendedorismo afro e da existência negra, o evento também oferece shows, com atrações nacionais e internacionais.</p>



<p>Na edição de 2024, o Festival Feira Preta acontecerá nos dias 03, 04 e 05 de maio, no Parque Ibirapuera, localizado entre as avenidas Pedro Álvares Cabral, República do Líbano e IV Centenário.</p>



<p>O evento tem como patrocinadores masters as marcas Mercado Livre, Mercado Pago, Doritos®, Seda® e Dove®. Os ingressos poderão ser adquiridos através do <strong><a href="https://www.blueticket.com.br/evento/34474" target="_blank" rel="noreferrer noopener">site</a></strong>.</p>



<p><strong>Serviço</strong></p>



<p><strong>Festival Feira Preta</strong></p>



<p><strong>Local:</strong>&nbsp;Parque do Ibirapuera &#8211; São Paulo–SP</p>



<p><strong>Dia:</strong>&nbsp;03, 04 e 05 de maio</p>



<p><strong>Horário:</strong>&nbsp;A partir das 12H</p>



<p><strong>Ingressos:</strong> <a href="https://www.blueticket.com.br/evento/34474" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Blue Tickets</a></p>



<p>Mais informações:&nbsp;<a href="http://www.festivalfeirapreta.com.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">www.festivalfeirapreta.com.br</a>&nbsp;</p>
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