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	<title>Arquivos desemprego - Mundo Negro</title>
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		<title>Dia do Trabalhador: É hora de cobrar reparação histórica e compromisso com a população negra</title>
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		<dc:creator><![CDATA[(MN) Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 01 May 2025 08:55:03 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[desemprego]]></category>
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<p><strong><em>Texto: Luciano Ramos</em></strong></p>



<p>O <strong>1º de Maio </strong>é, tradicionalmente, uma data marcada por discursos de valorização da classe trabalhadora, celebração de conquistas históricas e renovação das lutas por direitos. No entanto, em um país como o Brasil, onde a exclusão racial estrutura o acesso ao trabalho, essa comemoração precisa vir acompanhada de uma reflexão profunda: quem está, de fato, incluído nesse “mundo do trabalho”? E quem continua do lado de fora, lutando apenas por uma chance?</p>



<p>Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) do IBGE (2023), <strong>pessoas negras representam mais de 65% dos trabalhadores informais no Brasil. </strong>A taxa de informalidade entre pretos e pardos é de 43,3%, enquanto entre brancos é de 34,5%. No desemprego, a desigualdade também é gritante: a taxa de desocupação entre pessoas negras é de 10,2%, frente a 6,3% entre os brancos.</p>



<p>Mais que números, esses dados revelam uma estrutura de exclusão que não é acidental, mas resultado direto do racismo histórico e institucional. Desde a<strong> abolição da escravidão,</strong> em 1888, o Estado brasileiro não garantiu o acesso à terra, à educação e ao trabalho formal para a população negra. A ausência de políticas reparatórias consolidou um mercado de trabalho onde os cargos mais precários, insalubres e mal remunerados seguem ocupados, majoritariamente, por pessoas negras.</p>



<p>Mesmo quando acessam o mercado formal, os obstáculos não cessam. De acordo com o Dieese (2023), <strong>trabalhadores negros recebem, em média, 59,2% da remuneração dos trabalhadores brancos</strong>, mesmo ocupando funções semelhantes e com níveis equivalentes de escolaridade. No topo das empresas, a exclusão é ainda mais evidente: apenas 4,7% dos cargos de liderança em grandes companhias são ocupados por pessoas negras, segundo levantamento do Instituto Ethos.</p>



<p>Esses números escancaram o que o <strong>Dia do Trabalhador </strong>muitas vezes mascara: o trabalho digno, com carteira assinada, salário justo e direitos garantidos, ainda não é uma realidade para a maioria negra no Brasil.</p>



<p>É preciso transformar o 1º de Maio em um ato político de enfrentamento ao racismo no mundo do trabalho. Isso significa adotar políticas públicas que não apenas aumentem o emprego, mas que o façam com intencionalidade racial: cotas raciais em concursos públicos e processos seletivos, incentivos fiscais para empresas que promovem equidade racial, ampliação de programas de formação profissional voltados à juventude negra e à população periférica, entre outras ações afirmativas urgentes.</p>



<p>Mais do que celebrar conquistas restritas a uma parcela da população,<strong> é hora de cobrar reparação histórica e compromisso com a inclusão real da população negra no mercado de trabalho formal.</strong> Sem isso, o 1º de Maio seguirá sendo um dia de silêncio para milhões que seguem trabalhando à margem — e à sombra — da dignidade.</p>
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