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	<title>Arquivos cultura africana - Mundo Negro</title>
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	<description>Uma mídia negra diferente!</description>
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		<title>A cultura africana como alicerce da cozinha baiana</title>
		<link>https://mundonegro.inf.br/a-cultura-africana-como-alicerce-da-cozinha-baiana/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[(MN) Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 22 Sep 2025 16:14:02 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Guia Black Chefs]]></category>
		<category><![CDATA[afrochefe]]></category>
		<category><![CDATA[candomblé]]></category>
		<category><![CDATA[culinária baiana]]></category>
		<category><![CDATA[cultura africana]]></category>
		<category><![CDATA[feira preta]]></category>
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		<category><![CDATA[Jorge Washington]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por: Afrochefe Jorge Washington&#160; Com a chegada for&#231;ada de milh&#245;es de africanos escravizados ao Brasil, especialmente &#224; Bahia, pr&#225;ticas alimentares de diferentes etnias foram recriadas com os ingredientes dispon&#237;veis no novo territ&#243;rio. O dend&#234;, o leite de coco, o quiabo, a pimenta, o inhame e outros alimentos de origem africana passaram a ser combinados com [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><em>Por: Afrochefe Jorge Washington </em></p>



<p>Com a chegada forçada de milhões de africanos escravizados ao Brasil, especialmente à Bahia, práticas alimentares de diferentes etnias foram recriadas com os ingredientes disponíveis no novo território. <strong>O dendê, o leite de coco, o quiabo, a pimenta, o inhame e outros alimentos de origem africana passaram a ser combinados com produtos locais </strong>e europeus, criando uma culinária única e profundamente simbólica, que é também marca de resistência.</p>



<p>Os pratos afro-baianos são expressões vivas da cosmovisão africana. <strong>Acarajé, vatapá, caruru, abará e moqueca não são apenas alimentos, mas manifestações da religiosidade afro-brasileira</strong>, especialmente do Candomblé e de como a sabedoria africana se tornou um conhecimento vivo que atravessa gerações. Muitos deles são oferecidos aos orixás, cada qual com seus significados, cores e ingredientes específicos.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Culinária como Patrimônio e Resistência</strong></h3>



<p>A gastronomia afro-baiana é um patrimônio cultural imaterial, reconhecido pela sua importância histórica e simbólica. O ofício das baianas de acarajé, por exemplo, foi registrado pelo <strong>IPHAN </strong>como patrimônio cultural do Brasil. Essas mulheres são guardiãs de um saber ancestral que ultrapassa a cozinha — são também figuras centrais na preservação das tradições afro-religiosas, no fortalecimento da identidade negra e na economia informal que antes, nas mãos das quituteiras, garantiu a sobrevivência e liberdade de muitos. </p>



<p>Em um contexto de opressão histórica, a culinária foi (e ainda é) uma forma de resistência. Cozinhar com dendê e rezar para os orixás era, durante muito tempo, uma forma de manter a fé viva, mesmo sob perseguição. Ao preparar a comida nós e nossos ancestrais mantivemos nossas raízes culturais, transformando a cozinha em um espaço de liberdade e ancestralidade.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Religiosidade e Sagrado nos Sabores</strong></h3>



<p>Na culinária afro-baiana, a comida é também sagrada. Cada prato tem uma ligação com os rituais do Candomblé. O acarajé, por exemplo, é oferecido a <strong>Iansã</strong>, orixá dos ventos e das tempestades. O amalá é prato de <strong>Xangô</strong>, feito com quiabo e carne. Mais do que alimento, esses pratos são oferendas, pontes entre o mundo terreno e o espiritual.</p>



<p>Essa dimensão simbólica transforma a cozinha em um terreiro — um espaço onde se celebra a vida, a fé e a ancestralidade. Comer um prato afro-baiano é, muitas vezes, participar de um rito, mesmo que inconscientemente.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Saberes e Sabores que Moldam a Identidade Baiana</strong></h3>



<p>A presença da cultura africana na Bahia é marcante em todos os aspectos da vida cotidiana, e a gastronomia é uma das formas mais potentes dessa expressão. Aqui em Salvador e no Recôncavo Baiano, os sabores da África estão em cada esquina, em feiras, mercados e tabuleiros. É por meio desses alimentos que reafirmamos nossa identidade cultural e transmitimos, de geração em geração, os saberes da cozinha de terreiro e da oralidade ancestral.</p>



<p>A culinária afro-baiana é o reflexo de uma herança africana que resistiu à escravidão, à marginalização e ao preconceito. Ela é uma celebração da cultura negra, um canal de memória, espiritualidade e pertencimento. Ao valorizar a gastronomia afro-baiana, reconhecemos o poder da cultura na construção dos sabores que definem não apenas um território, mas também a alma de um povo.</p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p><em><strong>Texto: Jorge Washington [<a href="https://www.instagram.com/jorgewashingtonr/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">@jorgewashingtonr</a>].</strong> Um talentoso profissional que atua em duas áreas diferentes: como Afrochefe e como Ator. Sua paixão pela culinária é evidente em seu trabalho como Afrochefe, onde ele incorpora ingredientes como ancestralidade e  afetividade em suas criações. Desde jovem, Jorge Washington ajudava sua mãe Georgina nas compras da feira, cortando temperos, tratando carnes e aprendendo as  melhores formas e estratégias para deixar cada preparo saboroso. Ele é conhecido por  pratos como bacalhau martelo, galinha ao molho pardo, moqueca de feijão, xinxim de  bofe, moqueca de miraguaia, além de suas próprias criações e adaptações, como  maxixada de carne seca, moqueca de carne seca com mamão verde, fígado com  maxixe, entre outros. Jorge Washington, ou como ele prefere ser chamado, o Afrochefe, traz consigo sua herança africana e promove a culinária baiana através do  Projeto Culinária Musical, buscando promover reflexão, intercâmbio, conhecimento e estímulo à arte gastronômica. </em></p>



<p>Esse conteúdo é fruto de uma parceria entre Mundo Negro e Feira Preta.</p>
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		<title>Liderança na cultura africana e a força da superação das diversidades</title>
		<link>https://mundonegro.inf.br/lideranca-na-cultura-africana-e-a-forca-da-superacao-das-diversidades/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Halitane Rocha]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 31 Aug 2024 16:00:03 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[ÚLTIMAS NOTÍCIAS]]></category>
		<category><![CDATA[cultura africana]]></category>
		<category><![CDATA[instagram]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Texto: Nalva Moura Na cultura africana, a lideran&#231;a &#233; mais do que uma posi&#231;&#227;o; &#233; uma responsabilidade que transcende o indiv&#237;duo e fortalece o coletivo, respeitando as tradi&#231;&#245;es comunit&#225;rias e religiosas que permeiam o cotidiano. &#201; um elo vital que une o passado, o presente e o futuro, moldando a identidade e o esp&#237;rito da [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong><em>Texto: Nalva Moura</em></strong></p>



<p id="ember47">Na cultura africana, a liderança é mais do que uma posição; é uma responsabilidade que transcende o indivíduo e fortalece o coletivo, respeitando as tradições comunitárias e religiosas que permeiam o cotidiano. É um elo vital que une o passado, o presente e o futuro, moldando a identidade e o espírito da comunidade.</p>



<p id="ember48">Em maio deste ano, tive a honra de vivenciar uma experiência inesquecível com<strong> Sébastien Kiwonghi</strong>. Um homem da República Democrática do Congo, cuja presença irradia sabedoria e força. Ele nos guiou através de uma bênção ancestral, compartilhando sua inspiradora trajetória profissional. Foi um encontro cheio de significado, onde o passado e o presente se encontraram em um momento de profunda conexão e revisitação do continente africano.</p>



<p id="ember49">Ao iniciar o encontro, a tradição foi enaltecida. Todas as mulheres presentes foram convidadas a levantar as mãos acima da cabeça de Sébastien, formando uma coroa de proteção e força ao redor dele para que tivesse sabedoria ao compartilhar as informações. Esse gesto espiritualizado, reconectou as participantes ao nosso país de origem. O canto ecoava em nossos corações e nos remetia a um ritual de união e apoio comunitário.</p>



<p id="ember50">Sébastien nos conduziu por uma jornada visual e emocional, mostrando fotos de seu país e explicando o valor da família. Ele ressaltou a importância da educação como uma arma poderosa contra o racismo e as desigualdades socioeconômicas. Com sensibilidade, ele nos levou por sua infância, juventude, vida religiosa, carreira e a experiência de imigração para o Brasil.</p>



<p id="ember51">Explorar a história de vida de Sébastien, um africano poliglota que domina oito idiomas e sentiu na pele o peso do racismo no Brasil, foi uma imersão profunda e que gerou muitas reflexões, pois sua narrativa trouxe à tona as cicatrizes do período de escravização, mas também celebrou a resiliência e a resistência dos ancestrais. Foi uma lembrança pungente da tradição oral e da importância de continuar lutando pela justiça e igualdade.</p>



<p id="ember52">Sébastien é uma liderança negra, mas, para chegar onde está, teve que superar dificuldades e enfrentar&nbsp; desafios em todas as etapas de sua vida. Hoje, o Professor Dr. Sébastien Kiwonghi está na Pró- Reitoria de Intercâmbio e Internalização da Faculdade Dom Helder.</p>



<p id="ember53"><em>“Sou a voz dos excluídos que se faz presente na inclusão e na busca de direitos para a promoção de relações étnico-raciais. Jamais fugirei da luta!”</em> Sébastien Kiwonghi.</p>



<p id="ember54">Essa experiência me conectou com a herança dos meus próprios antepassados e mais uma vez, me&nbsp; chamou à reflexão. Aproveitei o momento para revisitar a minha história de liderança.</p>



<p id="ember55">Comecei a construir a minha liderança muito nova, ainda na escola, enquanto representante do grêmio estudantil e atuando como catequista e educadora, representando a liderança negra da comunidade onde estava inserida.</p>



<p id="ember56">Em meu primeiro emprego, idealizei o desfile “Beleza Negra”, pensando na valorização da autoestima das mulheres negras que trabalhavam na “firma” (linha de produção) e entendendo a potência deste movimento.</p>



<p id="ember57">Em minha atuação no terceiro setor, liderei equipes e projetos de desenvolvimento de juventudes, atuando enquanto articuladora dentro do movimento negro e garantindo a prática da educação antirracista, trazendo dignidade para juventude periférica e oportunidades humanizadas. Ainda dentro da liderança comunitária, ganhei repertório para aplicar o meu conhecimento<em> </em>em outros contextos.&nbsp; Foram mais de 10.000 jovens impactados diretamente por estes projetos. Nessas experiências, pude alinhar o meu conhecimento ao desenvolvimento de pessoas e contribuição para o projeto de vida.</p>



<p id="ember58">Nos últimos anos, enquanto liderança de projetos de aceleração de carreira e de desenvolvimento de mulheres pretas, tenho executado muitos processos de mentorias, onde não apenas desenvolvo mulheres para alta performance, mas também resgato diariamente a minha trajetória, na perspectiva de fortalecê-las, de gerar autoconsciência, resiliência e empoderamento, para romper a invisibilidade, garantir a manutenção das posições, nas empresas que elas quiserem e influenciarem o futuro do trabalho. O impacto desse trabalho? Mais de 1.000 mulheres que mudaram suas vidas e estão transformando realidades. Estamos construindo redes de mulheres potentes.</p>



<p id="ember59">Depois de revisitar minha história e de gerar as fotografias em minha cabeça, de cada um destes momentos, pensei, UAU! Quantas coisas incríveis eu já fiz, quantas histórias eu tenho, quantas vidas impactei.</p>



<p id="ember60">Muitas vezes, nós mulheres, nos sabotamos. Mulheres pretas ainda mais! Mas, não tenho deixado a impostora se sobressair.</p>



<p id="ember61">Tenho clareza que só fui capaz de liderar todas essas frentes e pessoas, pois tive empatia, escuta ativa, seriedade e principalmente fui fiel à minha essência, aos meus ancestrais, aos meus pais, filhos e minha família.</p>



<p id="ember62">Retomando ao ritual conduzido por Sébastien, que se aproximava do fim, foi feita uma roda mística, em que a energia e sensibilidade coletiva estava muito aflorada. Neste momento, fui homenageada pela liderança do programa do Pacto Transforma. E naquele momento gerei uma nova fotografia para guardar em minha galeria de momentos importantes relacionados à liderança.</p>



<p id="ember63">Hoje, me considero uma liderança de impacto que vem trabalhando incansavelmente para continuar escrevendo uma história da qual minha família e todas as pessoas amigas que convivem comigo se orgulhem.</p>



<p id="ember64">Nós, negros e negras, somos lideranças natas, fortalecemos a nossa identidade em contato com a nossa história e estamos prontos para jornada de combate e construção de uma sociedade menos racista, mais inclusiva e justa.</p>



<p id="ember65">Sébastien, obrigada por essa linda experiência.</p>
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		<title>A importância da tradição oral africana para a manutenção da história</title>
		<link>https://mundonegro.inf.br/a-importancia-da-tradicao-oral-africana-para-a-manutencao-da-historia/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[(MN) Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 20 Nov 2020 21:13:25 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[áfrica]]></category>
		<category><![CDATA[cultura africana]]></category>
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		<category><![CDATA[Friedrich Hegel]]></category>
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		<category><![CDATA[tradição oral]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por Opai Big Big e Izy Mistura Durante s&#233;culos, a opini&#227;o mundial se alimentou de pensamentos distorcidos sobre a hist&#243;ria da &#193;frica, inspirados por pensadores europeus como Friedrich Hegel, autor da frase &#8220;A &#193;frica n&#227;o possui consci&#234;ncia exterior que possa resultar em universalidade&#8221;. A &#193;frica foi rotulada pelos europeus como uma terra sem hist&#243;ria, por [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><em>Por Opai Big Big e Izy Mistura</em></p>



<p>Durante séculos, a opinião mundial se alimentou de pensamentos distorcidos sobre a história da África, inspirados por pensadores europeus como Friedrich Hegel, autor da frase “A África não possui consciência exterior que possa resultar em universalidade&#8221;. A África foi rotulada pelos europeus como uma terra sem história, por falta de registros escritos, apesar da escrita ter nascido no continente. Neste artigo pretendemos explicar a força da literatura oral na África, suas manifestações e importância para a manutenção de todo um legado histórico.&nbsp;</p>



<p>A tradição oral sempre teve um importante papel na cultura africana. A maioria das informações culturais, sociais e ancestrais eram transmitidas oralmente, de uma geração em geração. Os griôs e os mais velhos eram, e em alguns lugares continuam,&nbsp; sendo os responsáveis por essas transmissões. Como dizia o escritor Amadou Hampaté Bâ, natural de Mali &#8220;Na África, quando morre um velho, é toda uma biblioteca que queima&#8221;.</p>



<p>A tradição oral na África conta com quatro principais canais de veiculação e perpetuação das informações, que são a música, a história, os contos e os provérbios.&nbsp;</p>



<p>1. A música</p>



<p>Desde a antiguidade, grandes fatos históricos e grandes nomes de heróis eram imortalizados pela música. Todo povo tinha seus griôs que conheciam sua história de cor e a passavam para seus filhos, visto que em geral, ser griô era uma função hereditária. Até hoje, nos países do Sul do Saara, é comum encontrar um jovem griô de vinte anos que consiga contar a história de uma família por sete gerações através de uma canção enquanto dedilha sua Kora. Além de ser o jornal da comunidade, a música na África também sempre carregou lições de moral, já que ela é destinada a todos. Por isso que muitas músicas tradicionais eram até histórias do dia a dia (<em>storytelling</em>) que findavam com um ensinamento.&nbsp;</p>



<p>2. A história</p>



<p>Outro veículo da tradição oral africana era histórias de fatos contada oralmente. Na sociedade africana, sempre se falou da importância de uma pessoa saber quem ela é.&nbsp; Não há como saber de sua identidade sem conhecer sua história. Por isso, os jovens africanos eram instruídos desde cedo sobre a história de sua tribo, de seu povo, sobre a sociedade, seus fundamentos, e os nomes importantes do povo. Aqui o termo ‘história’, não se refere a algo fictício. Mas dos fatos reais. O lado fictício era desenvolvido nos contos.</p>



<p>&nbsp;3.&nbsp; Os contos</p>



<p>Antes de La Fontaine escrever seu livro, as mães e os velhos africanos já contavam fábulas para seus filhos. E até hoje os contos continuam sendo importantes veículos de sabedoria. As fábulas eram mais curtas e os contos mais compridos. Os dois gêneros tinham em comum a personificação dos animais e sua interação com os humanos. Às vezes, eram usados para explicar de forma lúdica alguns fatos naturais, como por exemplo o porquê do tigre ter listras na pele, ou porque o sol todo dia se põe no oeste, claro explicações bem criativas não muito próximas de tudo que hoje se sabe graças aos telescópios.&nbsp;</p>



<p>4. Os provérbios</p>



<p>Os provérbios são frases curtas que possuem uma lição de moral. A maturidade do homem na África era perceptível pelo uso frequente que ele fazia dos provérbios. Quando uma pessoa diz por exemplo: &#8220;A mão que comeu a carne é a mesma que come ovo”,&nbsp; ela quer dizer que a vida tem momentos diversos, altos e baixos. Isso denota o entendimento dele da vida e suas estações. Quanto mais velha a pessoa na África, mais provérbios ela fala. Por isso as vezes para um jovem, é algo complexo conversar com um mais velho porque a cada cinco frases, três são um provérbio e para quem não foi treinado a entender as coisas tão metaforicamente, ou pensar um pouco mais profundamente, leva tempo para entender.&nbsp;</p>



<p>O primeiro meio natural do ser humano se expressar é a palavra, o verbo. Por isso, além de ser um veículo propício à emoção, a palavra do homem na cultura africana&nbsp; tem o maior peso. Ao oposto da cultura européia em que um contrato escrito vale mais que um acordo verbal. Escutar uma história da boca de um mais velho sempre terá mais aceitação na África do que lê-lá de um livro. Sobretudo em determinados assuntos como história, tradições, costumes ou religiões. E pelo lado místico e sagrado das coisas na África, os anciões preferiam transmitir algumas informações apenas a alguns iniciados, que como mensageiros reais, protegiam essas informações com a própria vida. Também precisamos notar que apesar da escrita ser mais precisa na transmissão da informação, ela não garante automaticamente a sua veracidade. Muita informação sobre a África foi escrita pelos europeus, com vários registros incorretos, marcados pela apropriação cultural, ou mesmo adulterados. Como diz o ditado popular: ‘’Os caçadores contaram sua versão da história’’. E não é porque sua versão foi escrita, que é automaticamente verdadeira. Se o parâmetro de credibilidade for baseado nos medidores europeus, a África sempre sairá como inferior.</p>



<p>Contudo, de um tempo para cá, se tem feito um grande esforço para documentar a parte que faltava da história da África. O desafio permanece para a nova geração africana: continuar a obra iniciada pelos mais velhos com o objetivo de corresponder a essa necessidade.</p>



<p><em>Opai Big Big e Izy Mistura são cantores, compositores e produtores musicais, que formam a dupla Dois Africanos, e vem do Benin e do Togo, respectivamente.</em></p>
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