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	<title>Arquivos consumo negro - Mundo Negro</title>
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	<description>Uma mídia negra diferente!</description>
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		<title>Afroconsumo:  população negra brasileira movimenta aproximadamente 800bi ao ano</title>
		<link>https://mundonegro.inf.br/afroconsumo-populacao-negra-brasileira-movimenta-aproximadamente-800bi-ao-ano/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Fernando Montenegro]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 08 Dec 2016 14:19:34 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>S&#227;o Paulo, por ser uma cidade multicultural e globalizada, apesar das desigualdades sociais evidentes, proporciona a seus habitantes a possibilidade de acessos diversificados e qualitativos, inerentes ao tipo de constru&#231;&#227;o social da localidade. Assim, este ambiente influenciador, seguido do processo de ascens&#227;o social, aumento do poder aquisitivo, pol&#237;ticas p&#250;blicas direcionadas e a&#231;&#245;es afirmativas favor&#225;veis &#224;s [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>São Paulo, por ser uma cidade multicultural e globalizada, apesar das desigualdades sociais evidentes, proporciona a seus habitantes a possibilidade de acessos diversificados e qualitativos, inerentes ao tipo de construção social da localidade. Assim, este ambiente influenciador, seguido do processo de ascensão social, aumento do poder aquisitivo, políticas públicas direcionadas e ações afirmativas favoráveis às consideradas minorias sociais, provocou um forte investimento no capital intelectual, o que teve como um de seus desdobramentos a mudança perceptível do comportamento de uma parcela significativa da população negra em diversos campos do consumo. Esta democratização, oriunda do empoderamento de uma parcela maior de afro-brasileiros, deu início a um processo de construção de um novo perfil de consumidor.</p>
<figure id="attachment_5388" aria-describedby="caption-attachment-5388" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-5388" src="https://mundonegro.inf.br/mundonegro/wp-content/uploads/2016/12/afroconsumo1.jpg" alt="Foto: Yegide Matthews" width="800" height="533" srcset="https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2016/12/afroconsumo1.jpg 800w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2016/12/afroconsumo1-150x100.jpg 150w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2016/12/afroconsumo1-300x200.jpg 300w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2016/12/afroconsumo1-768x512.jpg 768w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2016/12/afroconsumo1-696x464.jpg 696w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2016/12/afroconsumo1-630x420.jpg 630w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-5388" class="wp-caption-text">Foto: Yegide Matthews</figcaption></figure>
<p><strong>CONCEITO</strong></p>
<p>Na consultoria ETNUS, entendemos por Afroconsumo um movimento de contracultura, que considera a influência direta ou indireta das características étnico-raciais nas experiências do consumo, consciente ou inconscientemente, protagonizando a estética e as características raciais e culturais intrínsecas aos afrodescendentes. Esta disruptura surge como expressão das demandas de sujeitos ainda invisíveis aos olhos do mercado em sua totalidade (comunicação, produção industrial etc), que passam a exigir que suas individualidades e especificidades sejam consideradas e respeitadas. Esta união de pessoas pela identidade e necessidade potencializa o surgimento de um novo nicho de consumo, colocando os afro-brasileiros no centro dos estudos.</p>
<p><strong>BRASIL DO FUTURO: EUA E NIGÉRIA, MODELOS DE UM AFROCONSUMO MADURO</strong></p>
<p>Semelhante ao contexto contemporâneo brasileiro, nos Estados Unidos, durante o período da segregação racial institucionalizada, quase que por uma questão de sobrevivência, criou-se uma sociedade de consumo alternativa para contemplar essa procura pulsante por representação. Moda, cinema, música e educação foram alguns dos segmentos mais marcantes na formação dessa nova produção de consumo norte-americana, iniciada no final dos anos 60. Hoje, os afro-americanos, assistidos pelas lutas sociais, políticas afirmativas e empoderamento econômico, apesar de configurarem apenas 12% da população estadunidense, atuam com força representativa relevante na sociedade de consumo americana. Conforme estudo realizado pela Nielsen Company, estima-se que atualmente os afro-americanos consumam por ano, aproximadamente, 1,1 trilhões de dólares e, até 2017, esse valor alcançará a casa dos 1,3 trilhões de dólares.</p>
<p>Movimento parecido acontece na Nigéria, onde o principal exemplo é o da segunda maior indústria cinematográfica do mundo, a Nollywood, surgida a partir de uma ausência de representatividade dos nigerianos, que consumiam apenas filmes de pessoas brancas sem relação étnico-racial. Além disso, uma crise financeira na década de 80 alavancou o olhar à indústria local, induzindo um processo de produção representativa da população desse país africano. Atualmente, esse consumo direcionado é responsável por uma receita de 800 milhões de dólares ao ano.</p>
<p><img decoding="async" class="size-full wp-image-5386 aligncenter" src="https://mundonegro.inf.br/mundonegro/wp-content/uploads/2016/12/afroconsumo3.jpg" alt="afroconsumo3" width="600" height="400" srcset="https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2016/12/afroconsumo3.jpg 600w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2016/12/afroconsumo3-150x100.jpg 150w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2016/12/afroconsumo3-300x200.jpg 300w" sizes="(max-width: 600px) 100vw, 600px" /></p>
<p>Foto: Afropop &#8211; Cine Nollywood</p>
<p>Ambos os movimentos de afroconsumo anteriormente citados têm em comum o surgimento por uma questão de necessidade social ou identitária &#8211; o reconhecimento estético &#8211; que acarreta uma mudança de comportamento de consumo, proveniente dos avanços das lutas sociais, empoderamento intelectual e econômico, culminando no surgimento de novos mercados direcionados, produzidos ou não pela comunidade negra. Outra marca extremamente interessante é o crescimento desse nicho de mercado, que com o passar dos anos se consolida significativamente. Nos Estados Unidos, por exemplo, projeta-se um aumento de 2 bilhões de dólares no período de 2015 a 2017.<br />
No Brasil, a TBWA fez uma das primeiras estimativas sobre rendimento anual da classe média negra brasileira, no ano de 1998, chegando a um valor de R$ 46 bilhões ao ano. Ainda, apareceram informações  importantes a respeito do comportamento de consumo dessas pessoas: 36% dos entrevistados queriam sabonetes especiais, 31%, roupas com motivos africanos, enquanto 27% reclamaram que não existiam temperos mais fortes no mercado. Naquele momento, a gerente de marketing da primeira empresa nacional a lançar uma linha exclusiva para negros, a Nazca Cosméticos, Veronica Wolff, em entrevista para a Revista Época, creditava a este público a responsabilidade por 13% de todo o faturamento da corporação.</p>
<p>Em outro levantamento, a pesquisa feita pelo Data Popular aponta que já em 2007 o rendimento anual dessa classe econômica específica estava em torno de R$ 337 bilhões, passando a R$ 554 bilhões em 2010, com crescimento de 38%. Atualmente, os últimos números apontam para uma movimentação rente à R$ 800 bilhões ao ano.</p>
<figure id="attachment_5392" aria-describedby="caption-attachment-5392" style="width: 858px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" class="wp-image-5392 size-full" src="https://mundonegro.inf.br/mundonegro/wp-content/uploads/2016/12/afroconsumotabela.jpg" alt="afroconsumotabela" width="858" height="597" srcset="https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2016/12/afroconsumotabela.jpg 858w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2016/12/afroconsumotabela-150x104.jpg 150w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2016/12/afroconsumotabela-300x209.jpg 300w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2016/12/afroconsumotabela-768x534.jpg 768w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2016/12/afroconsumotabela-100x70.jpg 100w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2016/12/afroconsumotabela-696x484.jpg 696w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2016/12/afroconsumotabela-604x420.jpg 604w" sizes="(max-width: 858px) 100vw, 858px" /><figcaption id="caption-attachment-5392" class="wp-caption-text">Fonte: ETNUS | Afroconsumo, Data Popular e TBWA.</figcaption></figure>
<p>Portanto, uma vez aceita a mudança geral no comportamento do consumidor de massa, que deixou a passividade e passou a buscar pertencimento, e colocando como coadjuvante as diferenças de classes, podemos interpretar o afroconsumo sob o viés do conceito de “cauda longa”, bem difundido por Chris Anderson em seu livro “A Cauda Longa (2006)”, que afirma que nichos/demandas personalizadas são características deste novo momento de consumo.</p>
<p>Parafraseando a professora norte-americana, Sonya Grier, especialista em raça e etnia no mercado &#8220;O marketing direcionado é a base de uma estratégia de marketing eficaz e é movido pelo reconhecimento de que uma abordagem &#8220;indiferenciada&#8221; não funciona mais entre consumidores diversificados e sofisticados&#8221;. Este novo consumidor anseia por uma construção de relação.</p>
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