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	<title>Arquivos bem viver - Mundo Negro</title>
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	<description>Uma mídia negra diferente!</description>
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		<title>Mulheres negras avançam, mas violência doméstica cresce 185%</title>
		<link>https://mundonegro.inf.br/mulheres-negras-avancam-violencia-domestica-cresce-185/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Karina Pereira]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 13 Jul 2026 18:28:06 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Mulheres Negras]]></category>
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<p class="wp-block-paragraph"><em>Estudo analisa mudanças entre 2015 e 2025 e identifica conquistas na educação e na política, mas também desigualdades persistentes no trabalho, na saúde e na segurança&nbsp;</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">A última década foi marcada por conquistas importantes e desigualdades persistentes na vida das mulheres negras brasileiras. É o que mostra o estudo “Da Marcha ao Bem Viver: uma década de avanços, desafios e disputas pelos direitos das mulheres negras no Brasil”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A pesquisa analisa diferentes bases de dados e políticas públicas implementadas entre 2015 e 2025 nas áreas de educação, trabalho, saúde, direitos reprodutivos, segurança pública, justiça climática e representação política.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O levantamento considera o intervalo entre as duas Marchas das Mulheres Negras realizadas em Brasília. A primeira reuniu entre 70 mil e mais de 100 mil participantes em novembro de 2015. Dez anos depois, a segunda mobilização reuniu cerca de 300 mil pessoas, segundo estimativa das organizadoras, com delegações de mais de 40 países.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As mulheres negras somam atualmente mais de 60 milhões de pessoas e representam aproximadamente 28% da população brasileira. Apesar de formarem o maior grupo populacional do país, sua presença nos espaços de decisão política e nas áreas profissionais de maior remuneração permanece distante dessa proporção.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Produzido por Gênero e Número, Observatório da Branquitude e Oxfam Brasil, em parceria com a Marcha das Mulheres Negras, o estudo está organizado em sete capítulos e busca identificar o que mudou e quais reivindicações permanecem atuais dez anos depois da primeira mobilização.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Presença nas universidades quase triplicou</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A educação aparece como uma das áreas com os avanços mais expressivos. Entre 2010 e 2022, o número de mulheres negras nas universidades públicas passou de 1,9 milhão para 5,7 milhões. A participação desse grupo no corpo discente cresceu de 15% para 22%.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No período analisado, o número de mulheres negras com ensino superior completo também aumentou 194%. Os dados refletem os efeitos das políticas de ações afirmativas e da ampliação do acesso à graduação, conquistas construídas a partir da mobilização histórica do movimento negro.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esse crescimento, contudo, não ocorreu da mesma forma em todas as áreas. Mulheres negras permanecem mais presentes em cursos como pedagogia, enfermagem e letras, enquanto medicina, direito e engenharia ainda registram maior concentração de estudantes e profissionais brancos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A desigualdade também se manifesta na pós-graduação e na composição dos corpos docentes. Segundo o levantamento, ainda existem programas e departamentos universitários sem presença de professores negros.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para Manuela Thamani, diretora-executiva do Observatório da Branquitude, os avanços não foram suficientes para romper a associação entre determinados espaços profissionais e a figura do homem branco.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No ensino básico, a implementação da Lei nº 10.639/2003 continua distante do que estabelece a legislação. A norma determina a inclusão da história e da cultura afro-brasileira nos currículos escolares, mas 53% das secretarias municipais de Educação ainda trabalham esses conteúdos de maneira esporádica, frequentemente concentrada no mês de novembro.</p>



<h3 id="h-registros-de-violencia-domestica-cresceram-185" class="wp-block-heading"><strong>Registros de violência doméstica cresceram 185%</strong></h3>



<p class="wp-block-paragraph">A segurança pública apresentou um dos cenários mais preocupantes da década. Entre 2014 e 2024, os registros de violência doméstica cresceram 145% no Brasil. Entre as mulheres negras, o aumento chegou a 185%, enquanto entre as mulheres brancas foi de 92%.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em 2024, o país registrou 1.492 feminicídios. Mulheres negras representaram 63,6% dos casos, segundo os dados reunidos pelo estudo. A maioria dos crimes ocorreu dentro de casa e foi praticada por companheiros ou ex-companheiros.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A pesquisa ressalta que os avanços em outras áreas não garantiram, na mesma proporção, o direito à vida e à segurança. Também recomenda que o quesito raça ou cor se torne obrigatório nos registros produzidos pelos sistemas de segurança pública e de Justiça, permitindo acompanhar as desigualdades e orientar políticas específicas.</p>



<h3 id="h-responsabilidade-pelo-cuidado-afasta-mulheres-negras-do-trabalho" class="wp-block-heading"><strong>Responsabilidade pelo cuidado afasta mulheres negras do trabalho</strong></h3>



<p class="wp-block-paragraph">A distribuição desigual do trabalho de cuidado também continua limitando o acesso à renda, à educação e a empregos formais. Entre 2015 e 2024, aumentou 22% o número de mulheres negras que deixaram de procurar trabalho para cuidar da casa ou de familiares. Entre as mulheres brancas, houve redução de 9%.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No trabalho doméstico remunerado, a pesquisa identificou uma mudança geracional. A presença de mulheres negras mais jovens nessas atividades diminuiu, enquanto cresceu a participação de trabalhadoras com idades entre 41 e mais de 60 anos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O dado chama atenção para as condições de trabalho, saúde e acesso à aposentadoria das profissionais mais velhas. O estudo defende que o cuidado seja reconhecido como uma atividade estruturante da economia e incorporado ao planejamento das políticas públicas.</p>



<h3 id="h-mortalidade-materna-permanece-concentrada-entre-mulheres-negras" class="wp-block-heading"><strong>Mortalidade materna permanece concentrada entre mulheres negras</strong></h3>



<p class="wp-block-paragraph">Nos direitos reprodutivos, a proporção de mulheres negras entre os óbitos maternos permaneceu inalterada. Elas representavam 64% dessas mortes em 2015 e continuaram correspondendo ao mesmo percentual em 2024, mesmo com uma redução geral de 21% na mortalidade materna no país.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A pesquisa também aponta desigualdades no acesso ao aborto previsto em lei. Mulheres negras aparecem com maior frequência nos registros de aborto espontâneo, mas têm menor acesso ao procedimento legal.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A implementação efetiva da Política Nacional de Saúde Integral da População Negra está entre as recomendações, considerando o impacto do racismo na qualidade do atendimento, no acesso aos serviços e nos indicadores de saúde.</p>



<h3 id="h-representacao-politica-cresce-mas-permanece-desigual" class="wp-block-heading"><strong>Representação política cresce, mas permanece desigual</strong></h3>



<p class="wp-block-paragraph">Na política, a participação de mulheres negras apresentou crescimento, embora elas continuem sub-representadas. Entre 2018 e 2022, a presença desse grupo entre as mulheres eleitas para o Congresso Nacional passou de 17% para 31%.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A diferença nas chances de eleição, no entanto, segue expressiva. A taxa de sucesso eleitoral dos homens brancos foi de 8,8%, quase seis vezes superior à registrada entre mulheres negras, de 1,5%.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para Vitória Régia da Silva, diretora-executiva da Gênero e Número, os avanços são resultado direto da organização e da incidência política das mulheres negras, enquanto a continuidade das desigualdades está ligada às escolhas institucionais e à distribuição desigual de poder, recursos e direitos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O estudo recomenda a ampliação das cotas para mulheres negras em concursos públicos, a adoção de um orçamento público sensível a gênero e raça e o fortalecimento de políticas permanentes, menos vulneráveis a interrupções provocadas por mudanças de governo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Julianne Nestlehner, gerente de programas da Oxfam Brasil, destaca que muitas reivindicações registradas na Carta da Marcha das Mulheres Negras de 2015 continuam atuais. O documento, entregue à Presidência da República ao final da primeira mobilização, já reivindicava medidas relacionadas à segurança, à saúde, ao trabalho digno, à educação e à participação política.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O estudo será lançado nesta terça-feira, 14 de julho, às 19h30, no Cine Glauber Rocha, em Salvador. A entrada é gratuita, e a retirada dos ingressos começa às 18h30.</p>
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