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	<title>Arquivos Ângelo Assumpção - Mundo Negro</title>
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	<description>Uma mídia negra diferente!</description>
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		<title>Para Angelo Assumpção, no Brasil que é punido por racismo &#8220;é a vítima e não o agressor&#8221;</title>
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		<dc:creator><![CDATA[(MN) Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 02 Jun 2021 11:30:44 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[ENTREVISTAS]]></category>
		<category><![CDATA[Ângelo Assumpção]]></category>
		<category><![CDATA[Arthur Nory]]></category>
		<category><![CDATA[atleta]]></category>
		<category><![CDATA[Ginástica artística]]></category>
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<p>Em 2015, o ginasta <strong>Angelo Assumpção</strong> estava em ascensão e tinha sido campeão da prova de salto da etapa de São Paulo da Copa do Mundo de <strong>ginástica artística</strong>, mas em meio ao ápice aconteceu o que acabou por definir a desventura que o atingiria. </p>



<p>Os colegas de equipe de Ângelo,<strong> Fellipe Arakawa</strong>,<strong> Henrique Flores</strong> e <strong>Arthur Nory</strong> lhe disseram coisas de cunho abertamente racista : “Seu celular quebrou. A tela quando funciona é branca, quando ele estraga é de que cor? (risos)”, pergunta Arthur Nory. “Preto!”, respondem os outros. “O saquinho do supermercado é branco. E o do lixo? É preto!”. A cena deprimente foi gravada e vazada nas redes sociais, mostrando um Angelo visivelmente constrangido.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="823" height="1024" src="https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2021/06/111-823x1024.jpg" alt="" class="wp-image-35721" srcset="https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2021/06/111-823x1024.jpg 823w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2021/06/111-241x300.jpg 241w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2021/06/111-121x150.jpg 121w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2021/06/111-768x955.jpg 768w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2021/06/111-696x866.jpg 696w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2021/06/111-338x420.jpg 338w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2021/06/111.jpg 1029w" sizes="(max-width: 823px) 100vw, 823px" /><figcaption>Imagem: Acervo do atleta</figcaption></figure>



<p>Seis anos depois, nenhum punido. Arthur Nory tem milhões de seguidores enquanto Angelo está sem clube desde novembro de 2019, quando foi demitido pelo <strong>Esporte Clube Pinheiros</strong>, clube que defendeu por 16 anos. Na última segunda-feira (31), Ângelo desabafou em suas redes sociais. “Eu juro que queria entender porque até hoje não consegui achar um clube para treinar. Qual foi o crime que cometi para ser banido da ginástica?!!! Cadê as pessoas que disseram que iria ajudar do meio esportivo quando ficaram sabendo do ocorrido? Um ano e meio e o<strong> racismo</strong>&#8230;”, escreveu o atleta.</p>



<p>Angelo tem se mantido inteiro física e psicologicamente da forma que lhe é possível. “Está sendo bem difícil, sinto que houve um abandono das pessoas do meu ambiente (ginástica) , onde até o presente momento não consegui achar um clube para treinar. Faço que está ao meu alcance de ir atrás de quem pode me ajudar, treinando na academia e tentando manter saúde mental conversando semanalmente com minha psicóloga”, conta.</p>



<p>“Eu faço acompanhamento sem parar há três anos. É uma profissional fora do ambiente esportivo, com intuito de tratar o Angelo como ser humano que transita no Angelo profissional e tem me ajudado muito com tudo que estou passando”, desabafa o paulistano que fará 25 anos em junho.</p>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://s3.glbimg.com/v1/AUTH_08fb001c60b847468664307c11fa9dc9/public/2020/8/JNylUTq3ZwRptig5RydB.png" alt="Com tranças, Angelo Assumpção ajudou o Pinheiros a ser campeão brasileiro em 2019 - Ricardo Bufolin/ECP"/><figcaption>Ângelo no Campeonato Brasileiro em 2019 (Imagem: Ricardo Bufolin)</figcaption></figure>



<p>Ainda que o ginasta se esforce em academias, para se manter apto para o esporte que ama é preciso treinos específicos que são oferecidos apenas em alguns clubes do Brasil. Segundo informações do Globoesporte.com, o  Esporte Clube Pinheiros passou por uma reestruturação ao fim de 2019, mas Angelo foi o único atleta dispensado. O atleta é articulado e plenamente consciente de sua condição de homem preto que foi inserido em um espaço majoritariamente branco. “Eu não denunciei os meus ex- colegas de seleção, o Arthur postou o vídeo em suas redes sociais naturalizando a existência do racismo dentro do esporte e muitos acham que é um lugar isento de racismo”, explica.</p>



<p>Não há como apontar outras razões que não um racismo latente que perpassa a existência de indivíduos e instituições do país. A punição maior se aplica contra a vítima e, ao que parece, é a única punição. “É evidente a indignação do silêncio ensurdecedor que estão fazendo com a minha história de anos representando um país e que nada efetivo foi feito para  minha volta. Minha trajetória começou em 2003, não quero encerrar minha carreira, mas preciso ter o direito de continuar a exercer o meu trabalho”, desabafa.</p>



<p>Maior pivô dos ataques a Angelo, Arthur Nory deu entrevistas, foi para as Olímpiadas um ano depois do vídeo, reforçando que racismo pode ser compensado com pedidos de desculpas guiados por assessoria e que a causa racial está longe de comover marcas e pessoas públicas e isso parece evidente para Angelo. “Crescemos em uma estrutura que precisa buscar o letramento racial. Muitos acreditam que o racismo só se manifesta quando chamam de macaco, porque provavelmente é o sinal claro de desumanização. Mas o racismo aparece de várias formas, por isso ele é estrutural. Por isso que devemos buscar profissionais que trabalham diretamente com questões raciais para instruir e educar estes ambientes onde a diversidade de pessoas se encontram. É perverso pra nós ficar recebendo tudo isso e tendo que educar em todos os momentos”, diz em uma lucidez raramente demonstrada entre esportistas brasileiros.</p>



<p>Sobre a ausência de punição e inversão do apoio, Angelo é firme. “Temos leis muito brandas quando falamos de racismo, que precisa ser mudada para punição severa com quem comete e uma assistência em seu modo geral mais adequada para quem é vítima. Quem é punido neste país por ser racista é a vítima e não o agressor. Isso fica claro”, raciocina.</p>



<p>A situação de um ginasta preto e talentoso, abandonado após ser mais uma vítima de racismo rende muitas reflexões, mas o próprio atleta deixa um recado simples e direto: “A volta do Angelo ao esporte significa o início efetivo do enfrentamento contra o racismo na ginástica”, conclui.</p>
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