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	<title>Arquivos Amor - Mundo Negro</title>
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	<description>Uma mídia negra diferente!</description>
	<lastBuildDate>Mon, 15 Jun 2026 19:58:29 +0000</lastBuildDate>
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		<title>Amores negros e o não lugar do amor</title>
		<link>https://mundonegro.inf.br/amores-negros-nao-lugar-amor/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[(MN) Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 11 Jun 2026 19:41:54 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[Amor]]></category>
		<category><![CDATA[amor negro]]></category>
		<category><![CDATA[Amores Negros]]></category>
		<category><![CDATA[comportamento]]></category>
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		<category><![CDATA[racismo]]></category>
		<category><![CDATA[relacionamento]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Como o racismo moldou nossos afetos e nos afastou do cuidado? Reflita sobre o amor negro, o letramento racial e a reconstrução do afeto na sociedade.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong><em>Por: Suzana Coelho </em></strong></p>



<p>Para diversas pessoas negras, a luta pelo reconhecimento da própria humanidade antecedeu a possibilidade de ocupar plenamente o lugar do afeto.&nbsp;</p>



<p>Quando falamos sobre racismo, normalmente pensamos em violência, exclusão, desigualdade, discriminação e acesso a direitos. Mas, raramente falamos sobre amor. Pouco se discute como o racismo também moldou nossos afetos, nossos desejos, nossas escolhas amorosas e até mesmo a capacidade de nos reconhecermos como dignos(as) de amar e ser amados(as). </p>



<p>Porque o racismo não organizou apenas a economia, a política e as oportunidades sociais. Ele também organizou a afetividade. Organizou a forma como aprendemos a enxergar a nós mesmos, os outros e o nosso lugar no mundo. Organizou quem seria associado à beleza, ao desejo, à delicadeza, ao cuidado e ao amor.&nbsp;</p>



<p>O racismo produziu hierarquias de humanidade, mas também de afeto. A branquitude foi frequentemente associada à beleza, à pureza, à delicadeza e à idealização romântica. Já a negritude foi associada à força, à resistência, ao trabalho e, muitas vezes, à hipersexualização de seus corpos. </p>



<p>Nesse contexto, pessoas negras foram historicamente afastadas dos lugares simbólicos de cuidado, proteção e idealização afetiva que ajudaram a construir os modelos socialmente reconhecidos de amor.&nbsp;</p>



<p>Então, o que aprendemos sobre o amor e sobre as relações amorosas? Crescemos cercados(as) por histórias de amor. Nos livros, nas novelas, nos filmes e nos contos de fadas. Mas quem eram as pessoas escolhidas para viver essas histórias?&nbsp;</p>



<p>O amor também é uma narrativa social. E as narrativas importam. Não foi apenas a humanidade das pessoas negras que foi negada ao longo da história. Foi também sua possibilidade de ocupar plenamente o lugar do afeto.&nbsp;</p>



<p>O racismo não ensinou apenas quem deveria ser amado. Também ensinou quem deveria aprender a viver sem amor.&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="1024" height="683" src="https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/Suzana-Coelho-Foto_RobertoAbreu_@betofoto-1024x683.jpeg" alt="" class="wp-image-96086" srcset="https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/Suzana-Coelho-Foto_RobertoAbreu_@betofoto-1024x683.jpeg 1024w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/Suzana-Coelho-Foto_RobertoAbreu_@betofoto-300x200.jpeg 300w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/Suzana-Coelho-Foto_RobertoAbreu_@betofoto-150x100.jpeg 150w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/Suzana-Coelho-Foto_RobertoAbreu_@betofoto-768x512.jpeg 768w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/Suzana-Coelho-Foto_RobertoAbreu_@betofoto-1536x1024.jpeg 1536w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/Suzana-Coelho-Foto_RobertoAbreu_@betofoto-630x420.jpeg 630w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/Suzana-Coelho-Foto_RobertoAbreu_@betofoto-696x464.jpeg 696w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/Suzana-Coelho-Foto_RobertoAbreu_@betofoto-1068x712.jpeg 1068w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/Suzana-Coelho-Foto_RobertoAbreu_@betofoto-1920x1280.jpeg 1920w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/Suzana-Coelho-Foto_RobertoAbreu_@betofoto.jpeg 2048w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption class="wp-element-caption">Suzana Coelho (Foto: RobertoAbreu_@betofoto)</figcaption></figure>



<p>É nesse ponto que o letramento racial se torna fundamental. Ele nos permite perceber que muitas das nossas escolhas afetivas não nasceram apenas das preferências individuais. Elas também foram construídas dentro de uma sociedade racializada, marcada por hierarquias, padrões estéticos, relações de poder e modelos específicos de pertencimento.&nbsp;</p>



<p>E então os relacionamentos interraciais aparecem. Não os vejo como um problema. Relações interraciais podem, sim, reproduzir desigualdades.&nbsp;</p>



<p>Mas também podem se tornar espaços de escuta, aprendizado, transformação e reconhecimento das diferenças que atravessam a experiência de cada pessoa no mundo, uma possibilidade de revisitar referências, questionar padrões e construir novas formas de relação. Isso reforça a importância do letramento racial e do desenvolvimento de uma consciência racial que nos permita reconhecer como o racismo também atravessa nossos afetos, escolhas e formas de nos relacionar.</p>



<p>Isso exige compreender que o amor, sozinho, não elimina os efeitos do racismo. É preciso disposição para reconhecer privilégios e compreender que o racismo continua produzindo impactos concretos na forma como as pessoas vivem, sentem e se relacionam. Porque, no final das contas, não é sobre pessoas. É sobre estrutura.&nbsp;</p>



<p>Para muitas pessoas negras, o amor-próprio não foi um ponto de partida.&nbsp; Foi e está sendo um processo de (re)construção.&nbsp;</p>



<p>Falar de afeto também é falar de humanidade.&nbsp;</p>



<p>E talvez uma das maiores contribuições do letramento racial seja nos ajudar a compreender que o enfrentamento ao racismo não acontece apenas nas leis, nas instituições ou nas políticas públicas. Ele também acontece quando revemos aquilo que aprendemos sobre o amor. Quando ampliamos nossa capacidade de reconhecer humanidade, dignidade e afeto em nós e nos outros.&nbsp;</p>



<p>Afinal, ninguém deveria precisar provar que merece amor. Mas, talvez uma das marcas mais profundas do racismo tenha sido justamente essa: ensinar quem deveria ser amado e quem deveria aprender a viver sem amor.</p>



<p><strong>Suzana Coelho</strong> é assistente social, consultora em direitos humanos, diversidade, equidade e inclusão, além de fundadora e CEO do Instituto Afetto. Com mais de uma década de atuação, desenvolve estratégias de impacto social, fortalecimento institucional e desenvolvimento humano para empresas, governos e organizações da sociedade civil. Sua trajetória é marcada pela promoção da justiça social, da equidade e da construção de ambientes mais inclusivos e sustentáveis.&nbsp;</p>



<p></p>
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		<title>Dia dos Namorados: O que Oxum nos ensina quando amar não pode ser se abandonar</title>
		<link>https://mundonegro.inf.br/dia-namorados-oxum-ensina-amar-nao-abandonar/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[(MN) Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 09 Jun 2026 19:32:47 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[áfrica]]></category>
		<category><![CDATA[Amor]]></category>
		<category><![CDATA[amor negro]]></category>
		<category><![CDATA[comportamento]]></category>
		<category><![CDATA[dia dos namorados]]></category>
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		<category><![CDATA[yorubá]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Descubra com as lições de Oxum por que escolher a solidão consciente no Dia dos Namorados pode ser um ato de amor-próprio e dignidade. Leia mais.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong><em>Por: Rodrigo França</em></strong></p>



<p>Ficar só pode ser a escolha mais lúcida da sua vida.</p>



<p>Isso incomoda porque confronta uma engrenagem inteira que nos ensinou a medir valor afetivo pela presença de alguém ao lado. Às vésperas do<strong> Dia dos Namorados</strong>, essa pressão ganha forma, cor, roteiro. Não basta viver, é preciso mostrar. Não basta sentir, é preciso provar. E, nesse teatro, muita gente sustenta relações que já terminaram por dentro, mas continuam em cartaz para não encarar o vazio.</p>



<p>Existe uma pergunta que precisa ser feita com honestidade: quanto custa não estar só? Não em dinheiro, mas em desgaste, em silenciamento, em pequenas concessões que, somadas, viram apagamento. Tem gente chamando isso de amor. Mas, quando a permanência exige que você diminua quem é, não há afeto, há adaptação.</p>



<p>A ideia de que qualquer companhia é melhor do que nenhuma ainda organiza muitas escolhas. Isso explica por que relações claramente frágeis seguem sendo mantidas. O medo do silêncio pesa mais do que o incômodo da inadequação. E, nesse ponto, é preciso responsabilidade emocional: reconhecer a própria carência não é fraqueza. Fraqueza é transformar essa carência em critério de escolha.</p>



<p>Ficar só, quando é escolha, não é isolamento. É posicionamento. É recusa de negociar dignidade em troca de pertencimento. Só que essa decisão não nasce do nada. Ela exige estrutura. Exige, muitas vezes, terapia, redes de apoio, amizades consistentes, espaços onde você não precise performar para ser aceito. Exige também tempo. Tempo para rever padrões, para entender por que certos vínculos se repetem, para aprender a não confundir intensidade com verdade.</p>



<p>Há um ponto pouco discutido nesse debate: o modelo de relacionamento que ainda se vende como ideal não nasceu do amor. No Ocidente, o casamento foi, por séculos, uma instituição voltada à organização de patrimônio, alianças familiares e controle de herança. O afeto, quando existia, era consequência, não premissa. Essa base histórica não desapareceu, ela se atualizou.</p>



<p>Quando se olha com mais precisão para diferentes regiões do continente africano, o desenho das relações muda e fica mais complexo do que a ideia de casal isolado. Entre os <strong>Yorùbá</strong>, na atual Nigéria e Benim, a noção de família se organiza em torno de redes extensas, onde cuidado e responsabilidade são compartilhados para além do vínculo romântico. Entre os <strong>Akan</strong>, em Gana, sistemas matrilineares estruturam pertencimento, herança e alianças, deslocando o centro da autoridade doméstica. No sul do continente, entre os <strong>Zulu</strong>, na África do Sul, a ideia de família também ultrapassa o casal e se ancora na comunidade ampliada. E, em diversas regiões da África Subsaariana, práticas como a poliginia existiram, não como desvio, mas como forma socialmente reconhecida de organização, ainda que hoje tensionada por mudanças urbanas, religiosas e econômicas. O ponto não é romantizar essas estruturas, mas reconhecer que o afeto, o cuidado e o pertencimento podem ser distribuídos de maneiras menos individualizadas, onde o amor não fica refém de uma única relação para existir.</p>



<p>Dentro das tradições de matriz africana, há uma compreensão que desafia diretamente a lógica do sacrifício afetivo. <strong>Oxum</strong>, muitas vezes lida de forma superficial, carrega um princípio radical: antes de cuidar dos filhos, é preciso cuidar do próprio ouro. No olhar ocidental, isso foi traduzido como egoísmo. Mas essa tradução revela mais sobre quem interpreta do que sobre o ensinamento em si.</p>



<p>Porque a questão é simples, embora desconfortável: como oferecer algo que você não tem? Como sustentar cuidado se você está esvaziado? O que se chama de entrega, em muitos casos, é só abandono de si legitimado culturalmente.</p>



<p>Para pessoas negras, esse debate ganha outra camada. A história atravessou os vínculos com rupturas, ausências forçadas, desestruturações familiares. Há um desejo legítimo de construir estabilidade, continuidade, segurança afetiva. Mas esse desejo não pode ser capturado por relações que reproduzem, no íntimo, a mesma lógica de desvalorização imposta socialmente.</p>



<p>Escolher ficar só, nesse contexto, pode ser um gesto de ruptura. Uma recusa em perpetuar ciclos. Uma decisão de não aceitar menos do que aquilo que se reconhece como digno.</p>



<p>Isso não significa negar o amor. Significa levar o amor a sério.</p>



<p>O tempo, nesse processo, deixa de ser inimigo e passa a ser critério. Ele revela o que é consistência e o que é improviso emocional. Ele mostra quem fica quando não há espetáculo. E, principalmente, ele ensina que esperar não é passividade. É preparação.</p>



<p>Se for para estar com alguém, que seja sem precisar se reduzir. Se não houver esse encontro, a ausência pode ser mais honesta do que qualquer presença forçada.</p>



<p>No fim, a pergunta não é se vale a pena amar. A pergunta é se vale a pena se abandonar para isso.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Quem te ensinou que o amor não tem cor?</title>
		<link>https://mundonegro.inf.br/quem-te-ensinou-que-o-amor-nao-tem-cor/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Ricardo Corrêa]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 08 Jun 2026 16:42:33 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[Amor]]></category>
		<category><![CDATA[amor negro]]></category>
		<category><![CDATA[Frantz Fanon]]></category>
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		<category><![CDATA[lelia gonzales]]></category>
		<category><![CDATA[Mês dos Namorados]]></category>
		<category><![CDATA[O amor tem cor?]]></category>
		<category><![CDATA[racismo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#8220;Nestes seios brancos que minhas m&#227;os onipresentes acariciam, &#233; da civiliza&#231;&#227;o branca, da dignidade branca que me aproprio.&#8221; &#8212; Frantz Fanon Imposs&#237;vel encarar com naturalidade a opini&#227;o de algumas pessoas negras e brancas de que &#8220;o amor n&#227;o tem cor&#8221;, ainda mais se considerarmos o tamanho da produ&#231;&#227;o intelectual negra revelando os mecanismos racistas presentes [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p><em>&#8220;Nestes seios brancos que minhas mãos onipresentes acariciam, é da civilização branca, da dignidade branca que me aproprio.&#8221;</em> — <strong>Frantz Fanon</strong></p>



<p>Impossível encarar com naturalidade a opinião de algumas pessoas negras e brancas de que &#8220;o amor não tem cor&#8221;, ainda mais se considerarmos o tamanho da produção intelectual negra revelando os mecanismos racistas presentes na sociedade brasileira. Mas reconheço a força da ideologia dominante na produção e manutenção do racismo fazendo com que acreditássemos que &#8220;somos todos iguais&#8221;.</p>



<p>A construção do afeto numa sociedade marcada por múltiplas diferenças (raça, classe e gênero) não escapa da hierarquização de pessoas. O homem e a mulher ideais carregam os atributos elencados pelos que detêm o poder simbólico e concreto. Considerando tal aspecto, o papel da colonização tornou-se fundamental na moldagem do desejo dos colonizados. Como a animalização e a objetificação dos povos escravizados se fizeram presentes desde a formação da sociedade brasileira, o referencial positivo de humanidade tornou-se propriedade da população branca.</p>



<p>Quem ousaria amar um objeto? Essa herança não explícita esconde-se nas consciências e vai além: o corpo negro também pode ser útil como instrumento de prazer. O estereótipo da hipersexualização, o &#8220;negrão gostoso&#8221; e a &#8220;mulata assanhada&#8221;, excitou gerações de pessoas. </p>



<p>A intelectual <strong>Lélia González </strong>nos lembra do estigma das mulheres negras, consideradas especialistas em sexo, e cita o ditado popular que sintetiza essa visão social: <em>&#8220;branca para casar, mulata para fornicar, negra para trabalhar&#8221;</em>. Daí testemunhamos uma parcela de homens negros em ascensão social entregando-se à intimidade com mulheres brancas; mulheres negras empurradas para o espaço da solidão, por vezes, sem encontrar saída que não as condicione ao universo branco. E, somadas a todas essas complexidades, outras formas de amar encontram resistência no afeto dentro da própria comunidade.</p>



<p>Ao longo da vida, ouvi casos de pais negros cobrando dos filhos que se relacionassem com pessoas brancas, no intuito de embranquecer a família. Nisso incluía-se a suposição de uma vida objetivamente menos sofrida: o branco consegue melhores oportunidades profissionais, não é perseguido pela polícia e tem menor risco de morrer por violência, além de poder abrir espaços de acesso para o negro. No livro de Neusa Santos Souza, uma entrevistada disse que a avó falava que a negra deveria transar com &#8220;o branco para limpar o útero&#8221;. Nem há como medirmos o grau desse tipo de violência.</p>



<p>Mas esses conselhos não contavam que a relação inter-racial resultaria num ônus pesado para a saúde mental dos negros — o racismo estaria presente a todo instante, dentro da própria família. Nas famílias brancas, a educação para o afeto tinha como foco o que não é novidade: a manutenção da herança colonial, o fortalecimento da branquitude.</p>



<p>No entanto, a comunidade negra segue resistindo. O resgate da humanidade negra, colocado dentro da luta antirracista, trouxe a subversão até do que sugere o próprio título deste texto. As lutas dos movimentos negros abriram importantes caminhos na maneira de olharmos para dentro de nós e para o povo negro. A identidade negra e a produção de espaços para a manifestação da nossa cultura nos aproximam mais. Amamo-nos. Criamos resistência psíquica para não nos deixarmos seduzir pelo discurso da branquitude. </p>



<p>Eu sei que a hipocrisia e a alienação dificilmente irão acabar, mas podemos afirmar, sem meias palavras, que &#8220;o amor tem cor&#8221;. Hoje estamos conscientes de quem somos. Ainda bem!</p>



<p><strong>REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS</strong></p>



<p>FANON, Frantz. <strong>Peles negras, máscaras brancas</strong>. Tradução de Sebastião Nascimento. 1. Ed. São Paulo: Ubu Editora, 2020.</p>



<p>GONZÁLEZ, Lélia. <strong>Por um feminismo afro-latino-americano: </strong>ensaios, intervenções e diálogos. Organização de Flavia Rios e Márcia Lima. 1. Ed. Rio de Janeiro: Zahar, 2020.</p>



<p>SOUZA, Neusa Santos. <strong>Tornar-se negro:</strong> ou as vicissitudes da identidade do negro brasileiro em ascensão social. 2. Ed. Rio de Janeiro: Zahar, 2021.</p>
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		<item>
		<title>&#8220;ABC do Amor&#8221;: Renato Noguera lança dicionário com a reimaginação do afeto como potência política</title>
		<link>https://mundonegro.inf.br/abc-do-amor-renato-noguera-lanca-dicionario-com-a-reimaginacao-do-afeto-como-potencia-politica/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Halitane Rocha]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 16 Jul 2025 10:55:03 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura Negra]]></category>
		<category><![CDATA[ABC do amor]]></category>
		<category><![CDATA[afeto]]></category>
		<category><![CDATA[Amor]]></category>
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		<category><![CDATA[filosofia]]></category>
		<category><![CDATA[instagram]]></category>
		<category><![CDATA[renato noguera]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Refer&#234;ncia no pensamento afro centrado, o fil&#243;sofo e professor Renato Noguera convida o p&#250;blico a repensar o amor como for&#231;a transformadora em seu novo livro, &#8216;ABC do amor &#8211; O que a poesia e a filosofia t&#234;m a dizer sobre os afetos&#8217;. A obra prop&#245;e um exerc&#237;cio de letramento afetivo, reunindo ensaios curtos sobre 103 [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Referência no pensamento afro centrado, o filósofo e professor <strong><a href="https://mundonegro.inf.br/filosofo-renato-noguera-redefine-zona-de-conforto-como-equilibrio-emocional-e-ato-de-amor-proprio/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Renato Noguera</a></strong> convida o público a repensar o amor como força transformadora em seu novo livro,<strong> &#8216;ABC do amor – O que a poesia e a filosofia têm a dizer sobre os afetos&#8217;</strong>. A obra propõe um exercício de letramento afetivo, reunindo ensaios curtos sobre 103 palavras e expressões que atravessam as muitas formas de experienciar o amor, compreendendo-o como potência política e ato coletivo.</p>



<p>Inspirado na tradição dos griots — contadores de histórias da ancestralidade africana que transmitem sabedoria por meio da oralidade — Noguera constrói uma escrita acessível e profunda, que entrelaça pensamento filosófico, espiritualidade, poesia e vivência. Ao trazer termos como “Abraço”, “Alegria”, “Afeto”, “Amor como ato político”, “Amor-próprio”, “Amizade” e “Agamia”, o autor desenha uma cartografia dos afetos que convida à escuta, ao cuidado e à responsabilidade emocional.</p>



<p>A base teórica do livro passeia por diferentes matrizes do saber, articulando nomes como Espinosa, Platão, bell hooks, Sobonfu Somé e Nêgo Bispo. Nesse encontro de cosmopercepções ocidentais, afrodiaspóricas e indígenas, o amor aparece como tecnologia ancestral, como ferramenta de conexão e como impulso para o Bem Viver.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" width="668" height="1024" src="https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2025/07/Copia-de-CAPA-ABC-DO-AMOR-Oficina-Raquel-668x1024.jpeg" alt="" class="wp-image-92023" srcset="https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2025/07/Copia-de-CAPA-ABC-DO-AMOR-Oficina-Raquel-668x1024.jpeg 668w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2025/07/Copia-de-CAPA-ABC-DO-AMOR-Oficina-Raquel-196x300.jpeg 196w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2025/07/Copia-de-CAPA-ABC-DO-AMOR-Oficina-Raquel-98x150.jpeg 98w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2025/07/Copia-de-CAPA-ABC-DO-AMOR-Oficina-Raquel-768x1178.jpeg 768w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2025/07/Copia-de-CAPA-ABC-DO-AMOR-Oficina-Raquel-1001x1536.jpeg 1001w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2025/07/Copia-de-CAPA-ABC-DO-AMOR-Oficina-Raquel-274x420.jpeg 274w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2025/07/Copia-de-CAPA-ABC-DO-AMOR-Oficina-Raquel-150x230.jpeg 150w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2025/07/Copia-de-CAPA-ABC-DO-AMOR-Oficina-Raquel-300x460.jpeg 300w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2025/07/Copia-de-CAPA-ABC-DO-AMOR-Oficina-Raquel-696x1068.jpeg 696w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2025/07/Copia-de-CAPA-ABC-DO-AMOR-Oficina-Raquel.jpeg 1043w" sizes="(max-width: 668px) 100vw, 668px" /></figure>



<p>Para Noguera, publicar o livro é um gesto de partilha: “Publicar este livro é um sonho com os olhos abertos! Porque eu sempre quis adubar sorrisos solares dos afetos (incluindo os sombrios), compartilhando o desejo de saber o que sinto diante do tumulto do mundo”. O resultado é uma obra que não se limita a definir o amor, mas o reconhece em sua complexidade, em sua beleza e em sua capacidade de mover mundos.</p>



<p>No verbete “Abraço”, por exemplo, ele escreve que “entre Kemet, Kama Sutra e Umbanda, o abraço emerge como tecnologia ancestral de aproximação e reconexão. (…) O ato de abraçar está entre os afetos onde tudo cabe – do arrepio ao alívio, do calor do toque ao silêncio do amparo, do tesão ao compadrio”. Já em “Agamia”, é apresentado a &#8220;dinâmica amorosa que valoriza a solitude — estar bem sozinho. (…) A escolha consciente de viver fora do script de formar par&#8221;.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Lançamento e celebrações</strong></h3>



<p>O lançamento marca também três celebrações importantes para o autor: o dia do seu aniversário, os 18 anos de sua trajetória como escritor e a chegada de mais uma obra que une filosofia e poesia a serviço do afeto.<strong> A comemoração acontece no dia 18 de julho</strong>, no Cortiço Carioca, na Lapa (RJ), a partir das 18h, com música, roda de samba com a cantora<strong> Ana Bispo</strong> e encontro com leitores, parceiros e amigos.</p>



<p>Depois do lançamento no Rio de Janeiro, Renato Noguera participa da<strong> Festa Literária Internacional de Paraty (Flip)</strong>, onde fará a abertura da Casa Poéticas Negras e integrará debates e mesas na<strong> Estante Virtual e na Casa Libre</strong>, entre os dias 30 de julho e 1º de agosto.</p>



<p><strong>SERVIÇO</strong></p>



<p><strong>Eventos de lançamento do livro &#8216;ABC do Amor&#8217;</strong></p>



<p>Dia: <strong>18 de julho, sexta-feira, às 18h<br></strong>Local: <strong>Cortiço Carioca – Rua Joaquim Silva, 105 – Lapa, RJ</strong></p>



<p>&#8211;</p>



<p><strong>Lançamento em Paraty (RJ) / FLIP 2025</strong></p>



<p><strong>30/7 &#8211; 19h30</strong>&nbsp;&#8211; Abertura Casa Poeticas Negras&nbsp; &#8211; ABC do amor: ancestralidade e letramento afetivo</p>



<p><strong>31/7 &#8211; 10h</strong>&nbsp;&#8211; Estante Virtual &#8211; Renato Noguera e Daniel Dornelas&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p><strong>31/7&nbsp; &#8211; 13h30</strong>&nbsp;&#8211; Casa Libre &#8211; Palavras de cuidado e de luto com Cynthia Araújo, Daniel Dornellas e Renato Noguera</p>



<p><strong>31/7 &#8211; 19h30</strong>&nbsp;&#8211; Casa &nbsp; Poéticas Negras &#8211; Quando a palavra cura: racismo, saúde&nbsp; Henrique Marques Samym, Elisa Mattos e Renato Noguera.</p>
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		<title>Afetividade preta: amor para além das relações românticas</title>
		<link>https://mundonegro.inf.br/afetividade-preta-amor-para-alem-das-relacoes-romanticas/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[(MN) Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 11 Jun 2021 11:24:33 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[afetividade]]></category>
		<category><![CDATA[Amor]]></category>
		<category><![CDATA[famílias negras]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>*Por Indy Na&#237;se Eu n&#227;o aprendi a dizer &#8220;eu te amo&#8221; com as palavras. Fui criada por m&#227;e solo, viemos da Bahia para S&#227;o Paulo quando eu ainda era crian&#231;a, cresci longe dos meus av&#243;s, de quem eu conheci como fam&#237;lia, e tamb&#233;m do meu pai, que era m&#250;sico, viajava muito e s&#243; foi estar [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>*Por Indy Naíse</strong></p>



<p>Eu não aprendi a dizer “eu te amo” com as palavras. Fui criada por mãe solo, viemos da Bahia para São Paulo quando eu ainda era criança, cresci longe dos meus avós, de quem eu conheci como família, e também do meu pai, que era músico, viajava muito e só foi estar mais presente na minha vida quando completei seis anos de idade. Minha mãe, uma mulher do sertão de Curaçá, cabocla, marcada pela vida difícil que levou, não era muito de abraçar. Acho que consigo contar nos dedos as vezes que ela disse que me amava. Mas, são incontáveis os gestos de amor que ela teve por mim desde que me entendo por gente.</p>



<p>Me lembro de um dia em que eu estava doente, ela me levou ao médico e em seguida ligou do orelhão da rua de casa para o patrão pedindo pra ficar cuidando de mim, e ele negou. Ela foi trabalhar chorando. Lembro da sensação horrível que era ver minha mãe chorar, e até hoje sinto da mesma forma quando acontece por qualquer motivo que seja. É o que eu chamo de conexão, o cordão umbilical que nunca é rompido.</p>



<p>Ela me ensinou a ser uma criança compreensiva, que entendia todas as suas limitações financeiras e nunca fui de pedir nada. Quando acontecia, e ela me dizia não, eu sempre tive o entendimento dos motivos. E teve um dia que numa ida a Pinheiros, bairro de muitas lojas populares aqui em São Paulo, passamos em frente a uma que tinha um banner enorme anunciando a venda do CD+VHS do show “As quatro estações” da dupla Sandy &amp; Júnior. Eles eram uma febre nos anos 90/2000 e, eu que os amava, prontamente manifestei meu desejo e ela me disse que não podia comprar. Eu entendi e não fiquei triste. Dias depois, no dia do meu aniversário de oito anos, ela me acordou às 5 da manhã, horário que saía para trabalhar, e me entregou o que eu havia pedido. Eu chorei como nunca havia chorado ao ser presenteada, e não pelo presente, mas pelo o que significava. Apesar de tão novinha, eu sabia o esforço que ela estava fazendo em me presentear. Essa era uma das formas dela dizer que me amava.</p>



<p>Por eu ser a filha mais velha, criada apenas por ela sem uma figura paterna presente, só nós duas sabemos tudo que passamos até ela se casar novamente e recomeçar sua vida. E, só eu sei, a quantidade de coisas que ela se submeteu para me dar a vida que estava bem distante do meu alcance. Esse, com certeza, foi o gesto de amor mais dolorido que ela fez por mim. Ela só queria que saíssemos do aluguel e morássemos bem, com conforto, sem preocupações. A esperança em mudar de vida e construir uma família, se intensificou mais ainda com a chegada da minha irmã, mas o sonho da família de comercial de margarina ainda era algo distante para nós.</p>



<p>Minha mãe sempre tentou me proteger e garantir meu futuro, pois o da minha irmã já era garantido. Ela tinha um pai. Geralmente, filhos caçulas tem uma superproteção, mas na minha casa sempre foi o contrário. E essa era outra forma dela dizer que me amava.<br>Por conta de tudo que vivemos juntas ao longo da vida, muitas vezes cheguei a pensar que afeto era sentir dor, era sofrer e oferecer o mesmo ao outro. Um ciclo de violência sem fim que parte de uma visão completamente romântica e distorcida do que de fato é. Por conta disso, cheguei a pensar que o momento de escrever músicas sobre afetividade nunca fosse chegar. Sempre tive muita dificuldade em falar daquilo que achei que não tinha na minha vida. Mas, acontece que o afeto sempre existiu, eu que não conseguia reconhecer nos pequenos gestos, se manifestando de diversas maneiras que não nas expectativas que criei pelo olhar do ocidente.</p>



<p>Afeto entre os nossos, para além de um relacionamento amoroso com alguém, é também se conectar com outro, ter e receber cuidado, ter respeito, reconhecer as feridas, cicatrizes e limitações. É pedir licença pra entrar. É estar em comunidade e entender que somos plurais e temos nossas subjetividades. Que temos direito ao erro e, principalmente, ao recomeço.<br>Afeto é sentar na calçada com meus avós e explicar as fases da lua. Meu avô jurava que existiam quatro, e eu acho até bonito essa forma dele ver o sistema solar.<br>Afeto é olhar para as nossas crianças pretas e enxergarmos nossos ancestrais. E reconhecer, que assim como nossos mais velhos, elas merecem ser reverenciadas.<br>Afeto é minha mãe, com brilho no olhar, me abraçar e dizer que sou linda e que estava com saudades depois de meses sem nos vermos por causa da pandemia.<br>Afeto, antes de ser afeto, é construção.</p>



<p><em>*Indy Naíse é cantora, compositora e empresária à frente da produtora Filha do Trovão</em></p>
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		<title>&#8220;Meu Amor&#8221; nova série documental da Netflix expõe relacionamentos de uma vida inteira</title>
		<link>https://mundonegro.inf.br/meu-amornova-serie-documental-da-netflix-expoe-relacionamentos-de-uma-vida-inteira/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Gabrielly Ferraz]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 17 Mar 2021 19:42:08 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Mídia]]></category>
		<category><![CDATA[Amor]]></category>
		<category><![CDATA[netflix]]></category>
		<category><![CDATA[rio de janeiro]]></category>
		<category><![CDATA[rocinha]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Meu Amor &#8211; Seis Hist&#243;rias de Amor Verdadeiro, s&#233;rie documental sobre relacionamentos de uma vida inteira, retrata a hist&#243;ria de casais de seis pa&#237;ses diferentes e inclui epis&#243;dio brasileiro Cineastas ao redor do mundo acompanham casais que est&#227;o juntos h&#225; mais de 40 anos e relatam as hist&#243;rias e os segredos do amor duradouro O [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Meu Amor &#8211; Seis Histórias de Amor Verdadeiro, série documental sobre relacionamentos de uma vida inteira, retrata a história de casais de seis países diferentes e inclui episódio brasileiro</p>



<p>Cineastas ao redor do mundo acompanham casais que estão juntos há mais de 40 anos e relatam as histórias e os segredos do amor duradouro</p>



<p>O diretor coreano Jin Moyoung expande seu aclamado documentário ‘My Love, Don&#8217;t Cross That River’ na tocante série documental Meu Amor &#8211; Seis História de Amor Verdadeiro, que estreia globalmente na Netflix dia 13 de abril de 2021. Do litoral coreano a uma favela do Rio, dos subúrbios de Tóquio às fazendas rurais na Índia, Espanha e EUA, cada episódio ilustra um ano da vida dos casais com um olhar sensível sobre sua história de amor.</p>



<p>O Brasil é representado logo no primeiro episódio da série. Dirigido pela documentarista carioca Carolina Sá (Construção, Música Libre), traz aspectos característicos da cultura brasileira para a série internacional. A história é de Jurema e Nicinha, duas mulheres que se relacionam há 43 anos e, juntas, criaram seus filhos e netos na Rocinha, no Rio de Janeiro. O cotidiano delas foi registrado durante 12 meses, ao longo de 2019, e mostra o dia a dia de uma história sensível de amor enquanto o casal persegue seus sonhos.</p>



<p>A série tem também como diretores Deepti Kakkar e Fahad Mustafa (Índia), Hikaru Toda (Japão), Jin Moyoung (Coreia), Chico Pereira (Espanha) e Elaine McMillion Sheldon (Estados Unidos).</p>



<p><strong>Confira o trailer:</strong></p>



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