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	<title>Arquivos Afroconveniencia - Mundo Negro</title>
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	<description>Uma mídia negra diferente!</description>
	<lastBuildDate>Tue, 05 Jan 2021 16:13:12 +0000</lastBuildDate>
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		<title>Negão da BL diz ser casado com branca, mas a internet não concorda</title>
		<link>https://mundonegro.inf.br/negao-da-bl-diz-ser-casado-com-branca-mas-a-internet-nao-concorda/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Gabrielly Ferraz]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 05 Jan 2021 16:13:11 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Mídia]]></category>
		<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>
		<category><![CDATA[Afroconveniencia]]></category>
		<category><![CDATA[Colorismo]]></category>
		<category><![CDATA[MCNegãodaBL]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A &#8220;palmitagem&#8221; &#233; um assunto muito discutido pela comunidade preta, mas na real, oque deveria estar sendo discutido &#233; o colorismo. Na &#250;ltima segunda-feira (04) o MC Neg&#227;o da BL respondeu alguns coment&#225;rios de f&#227;s sobre ser casado com uma mulher &#8220;branca&#8221;, mas o que chamou a aten&#231;&#227;o dos internautas foi o fato da esposa [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><em>A “palmitagem” é um assunto muito discutido pela comunidade preta, mas na real, oque deveria estar sendo discutido é o colorismo. Na última segunda-feira (04) o MC Negão da BL respondeu alguns comentários de fãs sobre ser casado com uma mulher “branca”, mas o que chamou a atenção dos internautas foi o fato da esposa do MC ser visto pela maioria dos seguidores como uma mulher negra, de pele clara.</em></p>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://lh5.googleusercontent.com/VCZJsY6vo7hMsrWZBU-0c9kSfGIOlHl2ibOJ1d957tZ-CnYngHkzd57KniYXb_EFTFnbEImgAI4Gpt1H2wShZNFbUh_wqrJLQri_P5oT-cK7Cw2Il65MtHXqKNre6--HhdJDd6gq" alt=""/></figure>



<p><em>O assunto repercutiu e foi abordado de diferentes formas nas redes sociais, influenciadores associaram o fato da esposa do Negão da BL não se reconhecer enquanto mulher negra a dificuldade de pessoas negras em se identificar, enquanto brancos se passam por pessoas negras com facilidade atualmente.</em></p>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://lh6.googleusercontent.com/k-LuZwHpbIpcQF9RkRjd64Tvv5W3EuRuG5ECdHHOo4UJdCeUch5P50zTXk1wZnEPdLGMI3kbJLMJ4wTSzMyLxn_mZh6ZVPeSyVxddYe_JUok8kfJr1SmP0rpVR52CmsXXWUpo89s" alt=""/></figure>



<p><em>Para aprofundar a discussão, recomendamos o seguinte artigo do colaborador <strong>Levi Kaique Ferreira </strong>sobre colorismo e o “se identificar negro”</em></p>



<p><em>“Devido ao histórico brasileiro de fomento a miscigenação e embranquecimento, a discussão do colorismo no Brasil tem se mesclado à afroconveniência. Isso porque muitas pessoas brancas se aproveitam da autodeclaração — algo extremamente importante para a população preta no Brasil — para se afirmarem como negras e roubarem o espaço de protagonismo que temos lutado para conquistar em um país de maioria negra.”</em></p>



<figure class="wp-block-embed-wordpress wp-block-embed is-type-wp-embed is-provider-mundo-negro"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<blockquote class="wp-embedded-content" data-secret="zVIKXcrbZ7"><a href="https://mundonegro.inf.br/a-discussao-sobre-colorismo-nao-pode-servir-para-nos-dividir/">A discussão sobre Colorismo não pode servir para nos dividir</a></blockquote><iframe class="wp-embedded-content" sandbox="allow-scripts" security="restricted"  title="&#8220;A discussão sobre Colorismo não pode servir para nos dividir&#8221; &#8212; Mundo Negro" src="https://mundonegro.inf.br/a-discussao-sobre-colorismo-nao-pode-servir-para-nos-dividir/embed/#?secret=zVIKXcrbZ7" data-secret="zVIKXcrbZ7" width="600" height="338" frameborder="0" marginwidth="0" marginheight="0" scrolling="no"></iframe>
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		<title>A discussão sobre Colorismo não pode servir para nos dividir</title>
		<link>https://mundonegro.inf.br/a-discussao-sobre-colorismo-nao-pode-servir-para-nos-dividir/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Levi Kaique Ferreira]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 09 Jul 2020 18:10:32 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[Educação]]></category>
		<category><![CDATA[Racismo]]></category>
		<category><![CDATA[Afroconveniencia]]></category>
		<category><![CDATA[Colorismo]]></category>
		<category><![CDATA[racismo]]></category>
		<category><![CDATA[Retintos]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Entre a segunda metade do s&#233;culo XIX e a primeira metade do s&#233;culo XX, vigoraram em v&#225;rias partes do globo as teses eugenistas, tendo como principal base a pseudoci&#234;ncia da Frenologia. Isto &#233;, teses que defendiam um padr&#227;o gen&#233;tico superior para a esp&#233;cie humana. Tais teses defendiam a ideia de que o homem branco europeu [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Entre a segunda metade do século XIX e a primeira metade do século XX, vigoraram em várias partes do globo as teses eugenistas, tendo como principal base a pseudociência da Frenologia. Isto é, teses que defendiam um padrão genético superior para a espécie humana. Tais teses defendiam a ideia de que o homem branco europeu tinha o padrão da melhor saúde, maior beleza e maior competência civilizacional em comparação às demais “raças”, como a amarela (asiáticos), a vermelha (povos indígenas) e a negra (africana).</p>



<p>Nesse período, alguns intelectuais brasileiros incorporaram essas teses, e delas derivaram outra, por sua vez, aplicável ao contexto do Continente Americano: a Tese do Branquea¬mento.</p>



<p>A defesa do branqueamento, ou do embranquecimento, tinha como ponto de partida o fato de que, dado o processo de miscigenação na História Brasileira, os descendentes de negros passariam a ficar progressivamente mais brancos, a cada nova prole gerada.</p>



<p>No Brasil, era comum se defender o fator da miscigenação como algo positivo, por conta da sobreposição dos traços da raça branca sobre as outras, especialmente a negra e a indígena.</p>



<p>O que isso quer dizer? A miscigenação passou a ser vista como uma poderosa forma de branquear/higienizar a sociedade brasileira.</p>



<p>O antropólogo brasileiro eugenista, João Baptista de Lacerda, transcreve nitidamente o anseio pelo embranquecimento no seguinte trecho retirado de um texto publicado em 1911:</p>



<p><em>“A população mista do Brasil deverá ter, pois, no intervalo de um século, um aspecto bem diferente do atual. As correntes de imigração europeia, aumentando a cada dia mais o elemento branco desta população, acabarão, depois de certo tempo, por sufocar os elementos nos quais poderia persistir ainda alguns traços do negro.”</em></p>



<p>As lideranças do país no final do século XIX e início do século XX acreditavam que o território brasileiro era “sem futuro”, pois a quantidade populacional de não brancos era imensa. Identifica-se também, neste período, o começo da associação em forma de propaganda entre “mulata” e Carnaval, “negro” e “sexo”, entre outras congêneres.</p>



<p>Com o fim da escravidão, em 1888 (130 anos atrás), o Brasil não criou nenhum tipo de ação para incluir os negros no mercado de trabalho. Ao contrário, o país passou a fomentar a vinda de europeus que fugiam da revolução industrial para trabalhar aqui no país.</p>



<p>O Brasil, literalmente, dava terras e trabalhos para que esses brancos se misturassem aos nossos negros, e, dessa forma, tornassem a nossa sociedade cada vez mais branca nas próximas gerações. Foi a partir disso que a miscigenação passou a ser fomentada, como um plano de embranquecimento da sociedade brasileira.<br>Estima-se que cerca de 2,5 milhões de europeus vieram ao país num período de 25 anos.</p>



<p>Na Europa, o ideal eugênico foi disseminado pelo inglês Francis Galton, primo de Charles Darwin (pai da Teoria da Evolução). Ele afirmava que a seleção natu¬ral também era válida aos seres humanos. Sua crença era de que a capacidade intelectual não é individual, e sim hereditária. Seu projeto analisou a árvore genealógica de aproximadamente 9 mil famílias e tentava justificar a ex-clusão de diversos grupos: deficientes, negros, asiáticos e todos que não se encaixavam no suposto &#8220;padrão europeu&#8221;. Além de Galton, outros grandes intelectuais endossavam essas teorias, que passaram a ser aceitas em diversos países do mundo.</p>



<p>Os primeiros traços do eugenismo no Brasil apareceram no final da primeira década do século XIX. Em 1917, o médico e farmacêutico Renato Kehl foi o responsável por ampliar e disseminar o eugenismo no Brasil. Kehl acreditava que a única forma do país prosperar era com um projeto que focasse no predomínio da raça branca, prezando pelo branqueamento da população negra.</p>



<p>Além da segregação pela cor da pele, também defendia a exclusão de deficientes (físicos ou mentais), esterilização de criminosos e regulamentação de exame pré-nupcial (para garantir que a noiva era virgem), bem como exames asseguradores do divórcio caso a mulher tivesse &#8220;filhos ilegítimos&#8221; ou fossem comprovados defeitos hereditários em sua família. Promovia também a ideia de educação eugênica obrigatória nas escolas e teste para medir a capacidade mental em crianças de 8 a 14 anos. Kehl apresentou seus pensamentos em diversos congressos, e teve impacto em grupos de professores, médicos e adeptos do higienismo social. Assim, fundou-se, em 1918, a Sociedade Eugênica de São Paulo (SESP), primeira do tipo na América Latina.<br>O grupo contava com grandes nomes, como Monteiro Lobato, Olavo Bilac, Belisário Penna e outros grandes intelectuais brasileiros.</p>



<p>Em 1911, João Batista de Lacerda utilizou o quadro &#8220;A Redenção de CAM&#8221; como ilustração de seu artigo intitulado “Sur les métis au Brésil” (em português livre, &#8220;Sobre os Mestiços no Brasil&#8221;) no I Congresso Universal das Raças, em Paris.</p>



<p>O Congresso reuniu intelectuais de todas as partes do mundo para debater a relação das raças com o processo de civilização. A obra de Lacerda, considerado um dos principais expoentes da &#8220;tese do embranquecimento&#8221;, saía em defesa da miscigenação, apresentando a positividade desse processo no Brasil e mostrando a suposta superioridade dos traços brancos aos negros e indígenas.</p>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-large is-resized"><img fetchpriority="high" decoding="async" src="https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2020/07/Redenção-864x1024.jpg" alt="" class="wp-image-21867" width="558" height="661" srcset="https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2020/07/Redenção-864x1024.jpg 864w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2020/07/Redenção-253x300.jpg 253w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2020/07/Redenção-127x150.jpg 127w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2020/07/Redenção-768x910.jpg 768w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2020/07/Redenção-696x825.jpg 696w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2020/07/Redenção-1068x1266.jpg 1068w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2020/07/Redenção-354x420.jpg 354w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2020/07/Redenção.jpg 1200w" sizes="(max-width: 558px) 100vw, 558px" /></figure></div>



<p></p>



<p>O quadro mostra uma mulher negra retinta, agradecendo por sua filha, já mais clara, ter se casado com um homem branco, permitindo que seu neto finalmente alcançasse o ideal branco do embranquecimento.</p>



<p>Na constituição brasileira de 1934, havia textos que tratavam da responsabilidade do Estado de fomentar a educação eugenista no país. Ou seja, há apenas 85 anos atrás, o Estado Brasileiro era declaradamente racista e acreditava nas teorias de superioridade racial branca, suportando a miscigenação para higienização do país.</p>



<p>Existiu um plano, pensado com cientistas e discutido em congressos, a fim de tornar o Brasil um país mais branco, porque, no imaginário dessas pessoas, negros eram inferiores. Tudo isso há menos de 100 anos, e tudo isso fundamentou toda a tensão racial que existe no Brasil, e também nos coloca dentro das discussões sobre o colorismo.<br>O termo “colorismo” surgiu apenas em 1982, usado pela escritora Alice Walker, no livro “Se o presente se parece com o passado, como será o futuro?&#8221;, cujo objetivo foi abordar como as diferentes tonalidades de pele negra garantem inclusões ou exclusões na sociedade.</p>



<p><br>Aline Djokic, no Festival Marginal, diz que, ao contrário do racismo, que se orienta pela identificação do sujeito como pertencente a certa raça para poder exercer a discriminação, o colorismo se orienta somente pela cor da pele da pessoa. Isso quer dizer que, ainda que uma pessoa seja reconhecida como negra ou afrodescendente, a tonalidade de sua pele será decisiva para o tratamento que a sociedade a dará.</p>



<p>Jean Patton, em 1991, descreveu o sistema de classificação de peles negras, identificando 38 tons de peles negras, classificando-os em seis grupos, subdivididos em dois grupos de peles quentes, dois de peles frias e dois de peles neutras. Os nomes dos grupos foram inspirados em regiões, ritmos musicais e temperos.</p>



<p>• Calipso é uma pele quente e dourada, de tom médio, vivaz e alegre, como esse ritmo musical caribenho. Exposta ao sol, fica mais dourada.</p>



<p>• Spike é quente e avermelhada, de tom médio e tempero quente, como a palavra em inglês sugere. Exposta ao sol, fica mais acobreada.</p>



<p>• Saara, também amarelada, mas neutra e clara, lembrando os amarelos neutros das dunas desse deserto. Exposta ao sol, escurece num marrom café.</p>



<p>• Nilo é neutra, muito clara e fria, como a água do rio africano desse nome. Exposta ao sol, escurece e mancha, ficando meio cinzenta.</p>



<p>• Jazz é escura da cor de chocolate ou café, de fundo verde e fria, é intensa e imprevisível como o Jazz. Exposta ao sol, fica mais marrom.</p>



<p>• Blues também é fria, escura, de fundo azulado, profunda, lenta e melancólica, como esse ritmo musical. Exposta ao sol, fica mais azulada.</p>



<p>Sem entrar em maiores detalhes, é importante lembrar também que a pele branca não é única em tom.</p>



<p>Devido ao histórico brasileiro de fomento a miscigenação e embranquecimento, a discussão do colorismo no Brasil tem se mesclado à afroconveniência. Isso porque muitas pessoas brancas se aproveitam da autodeclaração — algo extremamente importante para a população preta no Brasil — para se afirmarem como negras e roubarem o espaço de protagonismo que temos lutado para conquistar em um país de maioria negra.</p>



<p>Não pretendo me aprofundar na discussão sobre afrocoveniência, mas é importante citar a necessidade do bom senso durante a discussão sobre o colorismo.</p>



<p>Apesar de existirem diversos tons de pele negra e a pigmentocracia conferir acessos e exclusões a pessoas negras pelo país, pessoas negras como eu não possuem dúvidas de sua negritude.</p>



<p>O racismo nunca me permitiu ter qualquer dúvida de que eu sou um homem negro, o que deve acontecer com a grande maioria das pessoas negras no país.</p>



<p>Pessoas negras de pele mais clara possuem uma passabilidade social maior, mas ainda sofrem com o racismo, principalmente por acessarem com maior facilidade ambientes brancos, onde o racismo pode ser ainda mais visível.</p>



<p>Dentro disso tudo, a noção de racismo se mescla com noções de preconceitos específicos, como o preconceito a traços que remetem à negritude. Mas possuir tais traços individuais não torna alguém negro também.</p>



<p>Muitas pessoas brancas possuem cabelos cacheados e podem até sofrer discriminações por isso, mas não deixam de ser brancas. Apesar de o cabelo crespo ser uma característica predominantemente negra, não é exclusiva. Um grande exemplo é a cantora Vitória do duo Anavitória que possui o cabelo cacheado e possivelmente sofreu discriminação por isso na infância, mas é indiscutivelmente uma mulher branca.</p>



<p>Brancos com nariz largo, cabelos crespos e lábios grossos podem acabar sofrendo discriminação, uma vez que essas características são ligadas a pessoas negras, mas isso não os torna negros, e isso não é racismo.</p>



<p>Da mesma forma, pessoas negras com traços mais próximos dos ligados aos europeus, com nariz fino, cabelos menos crespos, lábios menos grossos e pele mais clara, podem sofrer menos discriminação e encontrar maiores inclusões, mas isso não deixa de ser racismo e é sobre essas inclusões e exclusões que fala o colorismo.</p>



<p>Mas, afinal, dentro de toda essa discussão, como eu entendo se sou negro ou não?</p>



<p>A definição social de pessoas negras no Brasil, de acordo com as minhas observações, passa por 3 elementos: ascendência, fenótipos e leitura social.</p>



<p>A <strong>ascendência</strong> diz respeito à sua ancestralidade. Você é filho ou neto de pessoas negras? Se sim, há chance de você ser uma pessoa negra, mas isso não quer dizer que você seja. Afinal, eu possuo ascendência europeia e mesmo assim não posso me dizer um homem branco.</p>



<p>O racismo no Brasil é episódico, não genético. Se você possui a pele branca e os traços europeus, você será visto na sociedade como branco independente da cor da pele de seus pais.</p>



<p><strong>Fenótipo </strong>diz respeito à cor de sua pele e seus traços. Pele escura, nariz largo, lábios grossos e cabelo crespo fazem com que você seja visto como uma pessoa negra. Embora, como eu já disse, possuir uma característica ou outra não te torne negro.</p>



<p>E, por fim, mas extremamente importante: a<strong> leitura social</strong>. Como a sociedade te lê? Quanto mais fenótipos negros você possuir, maiores as chances da sociedade te ler enquanto uma pessoa negra, e aí entra uma forma de análise e identificação muito interessante.</p>



<p>Considerando que estamos falando de grupos raciais e leitura social, essa análise pode ser feita através do que a YouTuber Xan Ravelli, do canal Soul Vaidosa, chama de “observação em grupo&#8221;. Isto é, a qual grupo social você acredita pertencer? Onde você se sente bem e acolhido?</p>



<p>Ao mesmo tempo, a fim de não contribuir com a afro-conveniência, é necessário analisar se o grupo social ao qual acredita pertencer te reconhece como membro.</p>



<p>Não existe uma possibilidade de análise exata da negritude de alguém. É necessário bom senso e, principalmente, cautela.</p>



<p>A ideia de nos separar em grupos surge também como tática da branquitude para nos controlar, o que é amplamente registrado.</p>



<p>Willie Lynch, proprietário de escravos no Caribe e conhecido por manter seus escravos disciplinados e submissos, após ser questionado sobre seus métodos de dominação, escreveu uma carta na qual detalhava utilizar as diferenças entre negros para dominar. Em suas palavras:</p>



<p class="has-text-align-center"><em>“Verifiquei que, entre os escravos, existe uma série de diferenças. Eu tiro partido destas diferenças, aumentando-as. Eu uso o medo, a desconfiança e a inveja para mantê-los debaixo do meu controle. Eu vos asseguro que a desconfiança é mais forte que a confiança; e a inveja, mais forte que a concórdia, respeito ou admiração.<br>Deveis usar os escravos mais velhos contra os escravos mais jovens e os mais jovens contra os mais velhos. Deveis usar os escravos mais escuros contra os mais claros e os mais claros contra os mais escuros. Deveis usar as fêmeas contra os machos e os machos contra as fêmeas. Deveis usar os vossos capatazes para semear a desunião entre os negros, mas é necessário que eles confiem e dependam apenas de nós.<br>Meus senhores, estas ferramentas são a vossa chave para o domínio, usem-nas. Nunca percam uma oportunidade. Se fizerdes intensamente uso delas por um ano, o escravo permanecerá completamente dominado. O escravo, depois de doutrinado desta maneira, permanecerá nesta mentalidade, passando-a de geração em geração”.</em><br></p>



<p class="has-text-align-right">&#8211; Carta de Willie Lynch</p>



<p>Ou seja, utilizar nossas diferenças para nos separar é uma ótima forma de nos manter ocupados guerreando entre nós. E como meu mano Coruja Bc1 diz em sua letra &#8220;Lágrimas de Odé&#8221;:</p>



<p class="has-text-align-center">&#8220;Não deixei a guerra entrar em nosso terreiro. Se é nós contra nós, nós que morre primeiro&#8221;</p>



<p>Discutam sobre esse assunto.</p>



<p><br>Não permitam que brancos sejam afroconvenientes com a nossa luta, mas, ao mesmo tempo, não nos fechemos em um só tom de pele negro ou um único traço ancestral. Somos diversos, devemos discutir nossos privilégios, inclusões e exclusões, mas acima de tudo, devemos estar unidos. Sempre!</p>
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