Mundo Negro

Séries têm explorado personagens negros que fogem do clichê racial

O Cinema e a Televisão sempre foram responsáveis por alimentar vários estereótipos racistas sobre o povo negro, alguns deles colocam pessoas pretas e pobres em posições de criminosos, empregados ou qualquer coadjuvante sem importância na história. Descartáveis como em filmes de terror, o primeiro personagem a morrer, quase sempre é o negro. Virou até uma piada em filmes como “Todo mundo em pânico”. 

Esse comportamento tem sido questionado, cada vez mais, na internet ou mesmo em grupos que tem se organizado e manifestado a necessidade de aumentar a representatividade, não apenas no número de atores negros, quanto no número de produtores, roteiristas e pessoas com poder de decisão sobre uma série. Vale lembrar aquele discurso célebre da Viola Davis ao ganhar Emmy de Melhor Atriz: “Você não pode ganhar um Emmy por papéis que não existem”. 

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Aqui no Brasil, os grandes veículos ainda estão engatinhando nessas questões. A Record ainda tem a cara de pau de colocar atores brancos para personagens Egípcios, alimentando uma narrativa do evangelho branco e indo contra os indícios históricos. A Globo tem boas iniciativas, mas não se compara com as produções que vem chegando pelo Streaming como a Netflix e Amazon. Nesse artigo vou indicar alguns títulos que conseguem juntar a diversão de uma bela história com a busca real pela diversidade no casting. 

The Feed – Amazon

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Assisti recentemente a essa série britânica de ficção científica. O enredo dela imagina uma realidade onde todos os seres humanos estão conectados pelo cérebro com a rede de internet. Ela é baseada em um livro escrito por Nick Clark Windo e segue uma linha Black Mirror, um suspense com drama psicológico. 

Além do desenvolvimento dramático e envolvente, a participação de atores negros em posições de destaque é incrível.

A série consegue universalizar essa presença, uma das protagonistas é a atriz Nina Toussaint-White e ainda conta com Tanya Moodie, Clare-Hope Ashitey e Osy ikhile em papéis que ocupam posições importantes.  Aumentar a presença de atores e atrizes negros dá suporte ao fato de que a série não aborda o racismo, o seu foco é na discussão de como a tecnologia vai impactar nosso futuro e como estamos muito tempo conectados a rede, perdendo experiências no mundo real. Não dá para imaginar mais um futuro todo ocupado por pessoas brancas, não aceitamos mais assistir histórias em que não possamos nos enxergar. 

Titãs – Netflix

Se você gosta de super heróis já deve ter ouvido falar dos Titãs, talvez dos “Jovens Titãs”, uma animação que passava no SBT.

A Netflix trouxe uma versão mais adulta (não convidem crianças para assistir), sombria e violenta da história e fez uma mudança brusca em alguns personagens, o Meta-Humano Mutano se tornou um garoto asiático e a viajante do espaço Estelar virou uma garota negra, vivida pela atriz senegalesa, Anna Diop. 

Quem conhece, sabe que esse mundo nerd é bem tóxico e preconceituoso com relação a esse tipo de mudança e às vezes os estúdios fazem apenas para lucrar em cima da polêmica, essa é a forçação de barra, quando a mudança parece não ter um grande contexto ou feita de forma superficial. 

Não é o caso da série Titãs, aqui tudo funciona e não compromete em nada a história, só engrandece ela.  Além de Estelar, também conhecida como princesa Koriande, todos os habitantes do planeta Tamaran, se tornaram pessoas de pele retinta. Essa é uma das personagens mais envolventes e importantes do grupo de heróis formado pelo Ex-Robin Dick Grayson, infelizmente o mesmo esforço de representatividade não é visto em toda a extensão da série. Ela ainda é majoritariamente branca, mas a importância da personagem causa uma impressão forte. 

Estelar vivida pela atriz senegalesa, Anna Diop

The Twilight Zone – 2019 – Amazon

O remake da série clássica chega marcando pesado e rompendo barreiras históricas. Negros sempre foram deixados de lado na ficção científica, não só como personagens, mas principalmente como autores, pensadores, produtores… 

Aqui a gente tem uma das minhas maiores inspirações como escritor, Jordan Peele, o primeiro negro a receber o Oscar de roteiro original por “Corra” (Get Out).

Como produtor ele traz uma temporada com várias histórias diferentes, alguns episódios (os melhores) são sobre questões sociais. O episódio Rebobinar é arrebatador: Uma mãe negra tenta levar seu filho para a universidade, enquanto um policial racista persegue e mata o garoto. Ela descobre uma forma de voltar no tempo e passa a reviver a situação até descobrir como chegar no seu destino. 

Mesmo quando o episódio não tem o racismo como tema central, Jordan consegue quebrar a tradição do racismo na ficção científica. Em ‘Seis graus de liberdade’, sexto episódio da primeira temporada temos as atrizes Jessica Williams e DeWanda Wise mostrando como mulheres pretas controlam uma nave espacial. 

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