Aos 33 anos e com 27 de carreira, ator retorna como um dos protagonistas da 2ª temporada de “Amor da Minha Vida” e reflete sobre representação negra, carreira e os caminhos que ainda estão sendo abertos no audiovisual.
Sérgio Malheiros já soma 27 anos de carreira, e 22 desde que interpretou Raí, filho da protagonista vivida por Taís Araújo em Da Cor do Pecado, personagem que marcou sua trajetória ainda na infância. Nesta quinta-feira (9), ele retorna como Victor na segunda temporada de Amor da Minha Vida, série original da Disney+. Na produção, o ator interpreta um homem negro nerd, romântico e carinhoso, cuja história se desenvolve a partir de dilemas afetivos e profissionais, sem ter o racismo como eixo de sua trajetória.
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Em entrevista ao Mundo Negro, Malheiros destaca justamente a possibilidade de interpretar um personagem cuja humanidade não está condicionada à experiência racial. Para ele, mostrar homens negros vivendo relações, inseguranças, sonhos e contradições também amplia as possibilidades de representação no audiovisual.
“Victor é um homem negro que pode simplesmente ser humano: pode amar, ser romântico, nerd, inseguro, carinhoso, ter dúvidas e contradições.”
A construção do personagem também estabelece uma diferença entre a trajetória de Victor e a do próprio ator. Enquanto o protagonista da série parte de uma vida confortável e precisa encontrar novos sentidos para a própria existência, Malheiros conta que teve a oportunidade de descobrir cedo a paixão pelo ofício.
“Eu tive a sorte de começar a trabalhar com o que amo desde cedo e conseguir me apaixonar pelo ofício inúmeras vezes.”
Da infância na televisão ao protagonismo no streaming
Desde os seis anos, o ator acumulou personagens em produções de grandes emissoras como Da Cor do Pecado, Os Mutantes e Impuros, e deu a vida a personagens no cinema e no streaming. Ao olhar para esse percurso, ele reconhece que sua geração vive transformações importantes quando o assunto é representatividade, mas faz questão de lembrar que esse processo não começou agora.
Para Malheiros, ocupar hoje o posto de protagonista também é resultado do caminho construído por artistas negros que vieram antes dele e enfrentaram inúmeras barreiras para conquistar espaços que, atualmente, começam a ser ocupados por personagens como Victor na nova séria da Disney +.
“Existe uma estrada aberta por atores e atrizes negros que vieram antes de nós e que precisaram lutar muito para ocupar espaços que hoje começam a parecer mais possíveis.”
O ator cita a própria história como parte dessa transformação:
“Poder ter feito o Raí, em Da Cor do Pecado, e hoje estar vivendo um protagonista no streaming ou interpretando uma figura histórica como Nelson da Conceição mostra que as possibilidades estão se ampliando”, afirma.
A mudança, no entanto, ainda está em andamento. Para o ator, reconhecer quem abriu os caminhos também implica pensar nas pessoas que ainda chegarão.
Ficção contemporânea e memória negra
Malheiros também pode ser visto em Racismo e os Camisas Negras, filme dirigido por Jefferson Mello, no qual interpreta Nelson da Conceição, primeiro goleiro negro da Seleção Brasileira.
O personagem se soma a outros trabalhos que aproximaram o ator de narrativas relacionadas à história e à cultura negra. Em Capoeiras, série na qual interpreta o capoeirista Noivo-da-Vida, ele teve contato mais aprofundado com a capoeira e o Candomblé.
Durante a preparação para o papel, o ator conta que percebeu a necessidade de se aproximar dessas histórias com disposição para aprender e compreender suas dimensões culturais e históricas. A experiência também ampliou sua percepção sobre a maneira como histórias negras são apresentadas no audiovisual.
“Me aproximou de uma parte da nossa história que, muitas vezes, é contada de forma superficial […] Saio desse trabalho com um sentimento maior de pertencimento e de responsabilidade.”
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