O Prêmio Ubuntu de Cultura Negra, uma das mais importantes iniciativas dedicadas a reconhecer artistas, coletivos e agentes culturais negros, continua vivendo um impasse. Mesmo após a confirmação de apoio institucional em agosto, o evento ainda não recebeu o aporte financeiro prometido pela Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa (SECECRJ), o que inviabiliza a realização da cerimônia que estava prevista para o Novembro Negro. O evento estava marcado para o dia 12, foi adiado para o dia 27, e agora segue sem uma nova previsão.
Segundo a organização, o acordo foi firmado durante uma série de agendas conduzidas pelo representante de captação de recursos do prêmio. A parceria garantiria segurança e planejamento para o evento, que celebra produções e trajetórias fundamentais para a valorização da cultura negra no Brasil.
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A situação se agravou na última semana. “Na terça-feira (25), após a nota de adiantamento, pela segunda vez, a Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa entrou em contato, por volta das 22h, solicitando uma reunião para o dia seguinte pela manhã. Durante o encontro, apresentamos novamente todo o projeto e reforçamos a necessidade do aporte financeiro, a fim de cumprir com vários compromissos que exigem contratação prévia, considerando que a parceria já estava confirmada desde agosto e, desde então, nunca houve devolutivas negativas, seja de forma presencial, por telefone ou por mensagens”, afirma a organização.
Para a equipe, o silêncio institucional revela uma fragilidade no comprometimento do poder público com pautas raciais e com o próprio Novembro Negro — período simbólico para reafirmar a identidade e a produção cultural negra. O impasse também contraria o “Pacto Cidade Antirracista”, firmado no Rio em 2022, que prevê estratégias de combate ao racismo e promoção da igualdade racial.
“Essa ausência de posicionamento coloca em evidência uma questão séria: estamos diante de uma falha de comunicação institucional ou de um sinal claro de desinteresse por uma pauta que deveria ser prioridade”, afirma Paula Tanga, fundadora do Prêmio Ubuntu.
Sem o aporte financeiro, o evento continua estruturado, mas sem previsão de nova data ou continuidade institucional. A organização reforça que precisa do apoio prometido para garantir uma execução digna, segura e à altura da importância do prêmio.
“Seguimos aguardando com responsabilidade e transparência, reafirmando nosso compromisso com o público, com a cultura e com a conscientização da urgência da agenda preta no Brasil. Esperamos que o Governo do Estado, por meio da SECECRJ, cumpra seu papel de garantia de políticas públicas de manifestação e expressão cultural e ofereça o suporte devido com a celeridade e o respeito que este projeto merece”, conclui Tanga.
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