A queda de Raquel, a personagem interpretada por Taís de Araujo na novela “Vale Tudo”, nos negócios de alimentação, nos deixou muito tristes, pois embora saibamos que se trata de nossa realidade, que estamos habituados a conviver com fracassos, é duro encarar a falência de algo que parecia tão promissor.
Em entrevista à Quem, Taís Araújo, a intérprete da cozinheira, diz ter “levado um susto” quando leu no texto da novela que sua personagem voltaria a vender sanduíche na praia. A fala de dela é reveladora: “Esse momento da Raquel voltar a vender sanduíche na praia, confesso que recebi com um susto. Não era a trama original. Para mim, a Raquel ia numa curva ascendente. Quando vi aquilo, falei: ‘Ué, vai voltar para a praia, gente?'”, falou.
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Ver a novela nos transporta para momentos de tristeza e alegria e Taís Araujo sintetiza este sentimento de frustração. “Quando peguei a Raquel para fazer, falei: ‘A narrativa dessa mulher é a cara do Brasil. Ela vai ter uma ascensão social a partir do trabalho. Ela vai ascender e vai permanecer. Isso vai ser uma narrativa muito nova do que a gente vê sobre representação da mulher negra na teledramaturgia brasileira'”, disse.
Na vida real, aquelas mulheres negras que têm sucesso sempre ascendente pelo trabalho são minoria, mas mesmo elas relatam períodos de insucessos motivados por crises com sócios, fornecedores e consumidores. As pessoas bem-sucedidas fracassam. E isso não é uma contradição. O fracasso é parte do caminho para o sucesso. Você ganha novas informações que o ajudam a evitar erros.
Estamos habituados a imaginar que o sucesso é decorrência de trabalho e dedicação, mas, na maioria dos casos, essas histórias estão ocultando os erros que existem por trás dessas conquistas. Um químico, para formular uma substância, faz testes, muitos testes que dão errado antes de chegar na fórmula certa.
Devemos nos preparar com bons planejamentos, mas entender que o fracasso faz parte de quem quer empreender. E saber tirar as boas lições dos erros, dos enganos e daquilo que não prevíamos e acontece.
Um exemplo é a iniciativa de empreendimentos de homens mulheres negras, mas fracassam muitas vezes por falta de recursos, de estrutura, planejamento, de capital de giro e conhecimento do mercado. O fracasso os desanima e muitos desistem depois dos problemas que não são poucos.
Numa história de um sucesso, sempre estão presentes histórias de pequenos e grandes fracassos. Mas todos que sobreviveram souberam arranjar forças, aliados, amigos e parentes para construir o sucesso.
Resiliência faz parte de histórias de vida de negros e negras que ousaram enfrentar e de se recuperar de fortes crises ou perdas pessoais com habilidade e ginga. Ser negro é ser sobrevivente e um aprendiz de superação das intempéries da vida. Como diria o líder angolano Agostinho Neto: A luta continua e a vitória é certa
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