Cofundador de MUVUKA e AUÊ, o estrategista e executivo independente leva ao festival uma perspectiva brasileira, negra e latino-americana sobre criatividade, cultura e negócios
Renan Damascena participa do Cannes Lions como jurado de Creative Strategy, tornando-se um dos representantes brasileiros na área de estratégia criativa do festival mais relevante da indústria publicitária global. Estrategista, pesquisador cultural e executivo independente, ele leva ao evento uma perspectiva construída a partir da inteligência negra, periférica e latino-americana, em um espaço historicamente ocupado por perfis distantes dessa origem.
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Cofundador e CSO de MUVUKA e AUÊ, Renan atua na interseção entre inteligência cultural, estratégia criativa, tecnologia e prototipação de novos negócios. Reconhecido pela Forbes Under 30 Brazil 2025, ele representa uma geração de executivos independentes que acumula método e linguagem próprios, sem depender das estruturas tradicionais do mercado para ocupar posições de decisão.
Para Renan, a presença em Cannes não é uma conquista individual. “A cadeira que ocupo não começou em mim. Ela também é resultado de pessoas que abriram caminhos, como Raphaella Martins, Samantha Almeida, Gabriela Rodrigues, Felipe Silva e tantas outras lideranças que provaram que inteligência negra, periférica, brasileira e independente tem lugar em espaços globais de decisão”, afirma.
O executivo também chama atenção para o papel de iniciativas como Publicitários Negros e Perifa Lions, que vêm funcionando como infraestruturas de formação, visibilidade e circulação de talentos negros na indústria criativa. A avaliação, porém, vem acompanhada de uma crítica direta ao mercado. “O mercado celebra diversidade, mas ainda investe pouco nas estruturas que tornam a diversidade sustentável. Não basta chamar talentos negros quando a campanha precisa de legitimidade. É preciso financiar caminhos concretos para muitos”, diz.
A presença de Renan em Cannes integra uma agenda mais ampla de reconhecimento do papel das comunidades negras e periféricas na produção de método, estratégia e linguagem criativa, e não apenas como fontes de repertório cultural. Sua trajetória reforça também o crescimento de executivos brasileiros independentes em espaços globais de decisão, um movimento que vem ganhando consistência à medida que nomes com esse perfil acumulam visibilidade internacional sem precisar passar pelos filtros das grandes agências ou holdings.