Mundo Negro

Registro de mulher negra cercada por supremacistas brancos viraliza nas redes

Foto: Cheney Orr para a Reuters

Foto viral mostra Bernita Bowlding cercada por integrantes do Patriot Front no metrô de Washington, em 4 de julho, data da independência dos EUA.

Uma fotografia registrada pelo fotógrafo Cheney Orr para a agência Reuters mostra a americana Bernita Bowlding, de 33 anos, sentada sozinha em um vagão do metrô de Washington D.C. cercada por dezenas de integrantes mascarados do Patriot Front, grupo supremacista branco. O registro foi feito em 4 de julho, data em que os Estados Unidos completaram 250 anos de independência, e acumulou milhões de visualizações nas redes sociais horas depois de ser publicado.

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Bernita seguia de trem rumo a Silver Spring, em Maryland, quando o grupo embarcou na composição após uma marcha pelas ruas de Washington. Integrantes do Patriot Front usavam máscaras brancas, bonés cáqui e bandeiras dos Estados Unidos, além de símbolos confederados, enquanto gritavam palavras de ordem como “recuperar a América”. O rosto de Bernita, único descoberto entre os passageiros do vagão, ficou no centro da composição fotográfica.

Paul Bowlding, irmão de Bernita, reconheceu a irmã na imagem ao vê-la publicada no Instagram e passou a se preocupar quando não conseguiu contato com ela nas horas seguintes. Bernita não possui telefone celular no momento, e a família costuma esperar até que ela ligue ou apareça pessoalmente para ter notícias. Em entrevista ao Washington Post, Paul comparou a cena a “cães de caça cercando ela” e afirmou temer que a irmã se tornasse alvo de ataques depois que a identidade dela circulou nas redes.

A repercussão da foto levou usuários da internet a localizar um registro de prisão anterior de Bernita, posteriormente usado por perfis conservadores para criticá-la publicamente. Registros judiciais mostram que a acusação foi arquivada. Paul afirmou que o episódio no trem ocorreu durante uma crise de saúde mental enfrentada pela irmã, que já lida há anos com problemas psiquiátricos. A família só teve certeza de que Bernita estava bem quando ela apareceu na casa da mãe, na manhã de domingo, quase 24 horas depois do trajeto de trem.

Outro passageiro do mesmo vagão, Roswell Encina, relatou à revista The Advocate o desconforto ao ver o grupo mascarado embarcar no trem quando também seguia para uma comemoração do feriado em Maryland. Segundo ele, a cena provocou apreensão imediata entre os presentes, que não sabiam identificar de imediato quem eram aqueles homens.

O Patriot Front foi fundado em 2017, após a marcha “Unite the Right”, em Charlottesville, na Virgínia, que reuniu integrantes da Ku Klux Klan, neonazistas e ativistas da extrema direita. Nos últimos anos, o grupo tem promovido demonstrações públicas organizadas em datas simbólicas do calendário americano, como ocorreu na marcha que antecedeu o embarque no metrô de Washington.

A família de Bernita declarou ao Washington Post que espera que ela receba o acompanhamento necessário para lidar com os desafios de saúde mental, independentemente dos desdobramentos gerados pela repercussão da foto. Paul descreveu a irmã como alguém quieto e forte, e disse enxergar nela um exemplo de resiliência diante do momento vivido.

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