Jurista sul-africana de 85 anos foi reconhecida por sua trajetória na luta contra o apartheid, em tribunais internacionais e na Organização das Nações Unidas (ONU)
A jurista sul-africana Navi Pillay, de 85 anos, venceu nesta sexta-feira (9) o Prêmio Nobel da Paz de 2026 por seus esforços em defesa da paz e do direito internacional. O Comitê Norueguês do Nobel destacou sua contribuição para o fortalecimento de uma ordem jurídica global e para a responsabilização por crimes de guerra, crimes contra a humanidade e genocídio.
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Nascida em 23 de setembro de 1941, em Durban, na África do Sul, Navanethem “Navi” Pillay cresceu durante o regime do apartheid, sistema de segregação racial que restringiu direitos e institucionalizou a discriminação no país. Filha de uma família de origem tâmil indiana, ela se tornou advogada e construiu uma carreira marcada pela defesa dos direitos humanos e pelo combate à impunidade.
Em 1967, Pillay abriu seu próprio escritório de advocacia e passou a defender ativistas contrários ao apartheid, entre eles integrantes do movimento que lutava pelo fim do regime segregacionista. Em 1995, após a queda do apartheid, tornou-se a primeira mulher negra nomeada juíza da Alta Corte da África do Sul.
Atuação na Justiça internacional
A trajetória de Pillay também teve papel importante no desenvolvimento da Justiça internacional. Entre 1999 e 2003, ela atuou como juíza e presidente do Tribunal Penal Internacional para Ruanda, criado para julgar os responsáveis pelo genocídio de 1994 no país africano.
Durante sua atuação no tribunal, Pillay contribuiu para o reconhecimento jurídico de que o estupro e outras formas de violência sexual podem constituir crimes contra a humanidade e atos de genocídio, dependendo das circunstâncias. O trabalho representou um avanço na responsabilização por crimes cometidos durante conflitos e perseguições contra grupos específicos.
Posteriormente, ela atuou como juíza no Tribunal Penal Internacional, entre 2003 e 2008, e assumiu, em 2008, o cargo de alta-comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos. Permaneceu na função até 2014, período em que trabalhou na defesa de direitos fundamentais e no enfrentamento de violações em diferentes partes do mundo.
Comissão da ONU investigou violações em Gaza
Entre 2021 e 2025, Pillay presidiu uma comissão independente de investigação da ONU sobre a situação nos territórios palestinos ocupados, incluindo Jerusalém Oriental, e em Israel. O trabalho examinou violações de direitos humanos e do direito internacional relacionadas ao conflito.
Em relatório publicado em 2025, a comissão concluiu que Israel havia cometido genocídio na Faixa de Gaza. O governo israelense rejeitou a conclusão. A investigação tornou-se um dos capítulos mais recentes da atuação de Pillay em questões relacionadas à responsabilização internacional e à proteção de populações civis.
Atualmente, Pillay também atua como juíza na Corte Internacional de Justiça, no processo em que Mianmar é acusado de genocídio contra a população rohingya, apresentado pela Gâmbia. A função integra sua trajetória de participação em processos que discutem a aplicação do direito internacional em casos de graves violações.
O que destacou o Comitê do Nobel
Ao anunciar a vencedora nesta sexta-feira, o Comitê Norueguês do Nobel ressaltou a coragem, a integridade e a contribuição de Pillay para a construção de uma ordem jurídica internacional mais abrangente. Segundo o comitê, seu trabalho foi fundamental para garantir que crimes de guerra, crimes contra a humanidade e genocídio sejam objeto de processos judiciais.
A escolha coloca em evidência a relação entre Justiça e construção da paz, ao reconhecer uma trajetória dedicada à defesa de princípios jurídicos universais e à responsabilização de autores de crimes graves.
A cerimônia de entrega do Nobel da Paz está prevista para 10 de dezembro, em Oslo, na Noruega. O prêmio de 2026 tem valor de 12 milhões de coroas suecas, segundo informações divulgadas pelo Comitê do Nobel.
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