Mundo Negro

Presidente do Emmy critica Academia por falta de representatividade negra, latina, asiática e LGBTQIA+

A 78ª edição do Emmy ocorre nesta segunda (14)/Foto: Reprodução/Television Academy

A maior premiação da televisão norte-americana, o Emmy, admitiu que o número de indicações tem decaído em relação à diversidade e não representa o que é a televisão atualmente. 

A 78ª edição da premiação ocorre nesta segunda-feira (14), em Los Angeles, com transmissão a partir das 20h30 e início da cerimônia oficial a partir das 21h. A TNT e a HBO Max serão responsáveis pelas transmissões em território nacional. 

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Mesmo com todo o prestígio e importância desta premiação para produções audiovisuais da televisão e transmitidas por streamings, o presidente da Academia de Artes e Ciências Televisivas demonstrou certa preocupação com a diminuição da representatividade negra, latina, asiática e LGBTQIA+ nos últimos anos, principalmente sob administração do presidente Donald Trump, nos Estados Unidos. 

“O Emmy é um reflexo do melhor que a televisão tem a oferecer — o que também significa que só pode refletir o que a televisão já oferece. Nossas duas últimas cerimônias foram celebrações históricas de artistas e contadores de histórias superlativos de diversas comunidades e identidades: brancos, negros, asiáticos, latinos, indígenas e LGBTQ+. Mas é inegável o atual movimento retrógrado em todo o país, impulsionado pela mais alta instância do governo e facilitado pelas maiores marcas corporativas, inclusive em Hollywood”, diz Cris Abrego, presidente da Academia de Artes e Ciências Televisivas, em publicação de 2025. 

A edição deste ano do Emmy enfrenta críticas pela baixa diversidade entre os indicados de 2026. Cris Abrego, reconheceu o retrocesso na representação racial e internacional da premiação. “Demos um passo para trás, infelizmente”, afirmou. 

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Abrego destacou que produções diversas ficaram de fora da disputa. “Há muitos programas de sucesso, com diversidade, não indicados. Séries com artistas latinos e asiáticos que fazem retrato mais fiel do nosso mundo, inclusive dos Estados Unidos”, disse. O executivo também afirmou: “Sei que podemos fazer muito melhor”.

A edição de 2026 do Emmy registrou uma queda na diversidade entre os indicados. Apenas 22 pessoas não brancas ou de origem fora dos Estados Unidos aparecem entre os indicados, o menor número registrado nas últimas 15 edições da premiação.

Dentre os artistas não brancos ou nascidos fora dos EUA indicados estão Zendaya, indicada por Euphoria; Colman Domingo, reconhecido por Euphoria e As Quatro Estações do Ano; Carlos-Manuel Vesga, de Pluribus; Youn Yuh-jong, de Treta; e Oscar Isaac, também de Treta. Colman Domingo foi, segundo o levantamento, a única pessoa não branca a receber duas indicações. Entre os artistas brancos, quatro tiveram duas indicações.

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Enquanto isso, a série The Pitt, disponível no catálogo da HBO Max, é a mais lembrada da noite, com 25 indicações. Com um elenco majoritariamente branco, o drama médico retrata os desafios profissionais em um hospital na Pensilvânia.

Hacks, também da HBO Max, recebeu 24 indicações, se tornando a comédia mais indicada da história, e possui um elenco em que quase não se vê uma pessoa não branca. 

A comédia da Apple TV Widow’s Bay tem 19 indicações, também com elenco majoritariamente branco e padrão. 

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Cris Abrego, presidente da Academia, é nascido nos Estados Unidos e vem de família mexicana e é a primeira pessoa latina a ocupar a cadeira da presidência da Academia de Televisão, fundada há 80 anos. A instituição é formada por 27 mil pessoas, entre elas atores, produtores e diretores de TV, que são responsáveis pelas nomeações e vencedores do Emmy. 

Ainda em sua declaração, Abrego relembrou o discurso de Viola Davis de mais de uma década atrás, por seu papel em How to Get Away With Muder, em que foi a primeira mulher negra a ganhar o prêmio de melhor atriz em série dramática: “um marco há muito tempo esperado. ‘Você não pode ganhar um Emmy por papéis que simplesmente não existem’, disse ela na época, e sua observação continua relevante hoje”, afirmou Abrego. 

“Continuar a lutar pela inclusão significa salvaguardar o futuro da televisão, e não podemos nos dar ao luxo de diminuir o ritmo. Falando como californiano nato, vi membros da nossa cidade se levantarem — com suas vozes, seus recursos e seus corpos — contra as batidas do ICE que continuam a aterrorizar nossos vizinhos e colegas em Los Angeles. Este não é o momento de nos curvarmos. Além das ações que as pessoas optam por tomar em suas vidas pessoais, como contadores de histórias da mídia, podemos continuar a criar uma indústria que reflita o amplo espectro da nossa humanidade e do nosso público. Devemos nos manter firmes em nossa excelência profissional e garantir que não estamos deixando metade da nossa população sem voz”, conclui o presidente na publicação.

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