Mundo Negro

“Por que não existe flor preta?” educadora Janine Rodrigues lança livro infantil sobre relações raciais, identidade e pertencimento 

Foto: arquivo pessoal

A escritora, psicanalista e educadora Janine Rodrigues lança, em 31 de maio, o livro “Por que não existe flor preta?”, obra infantil que utiliza ciência, ancestralidade e imaginação como estopim para dialogar sobre as raízes do racismo estrutural e fortalecer a autoestima de crianças negras. O lançamento oficial acontece na Casa Cosmos, em São Paulo, pela Piraporiando, editora fundada pela própria autora e dedicada a temas relacionados à educação antirracista e às relações étnico-raciais.

A narrativa parte de uma pergunta feita pela autora ainda na infância: “Por que não existe flor preta?”. A partir desse questionamento, a história é construída em torno do diálogo entre uma criança e sua avó, conectando explicações biológicas e reflexões sobre identidade e beleza negra de forma sensível ao público infantil.

Notícias Relacionadas


Do ponto de vista científico, a ausência de flores pretas está relacionada à inexistência de pigmentos naturais capazes de produzir essa tonalidade e à dinâmica da polinização, que depende da visibilidade das cores para atrair insetos e aves. Porém, no livro, essa explicação também funciona como ponto de partida para levantar questionamentos acerca de associações históricas que vinculam o preto à ausência, ao vazio ou à negatividade.

“A ausência de flores pretas tem uma explicação biológica simples. A justificativa de não entender um fenômeno não é premissa para pensar ou agir de forma preconceituosa. Estes danos atravessam gerações, e precisamos investir continuamente no cuidado com crianças negras, para que elas construam sobre si mesmas boas memórias”, afirma Janine.

A literatura combina dimensão educativa e simbólica ao transformar a ausência das flores pretas em uma metáfora sobre presença e resistência. Em uma das imagens do livro, as flores não desaparecem, mas se reinventam livres para cantar, falar, circular e existir de outras maneiras. O conceito também dialoga com o projeto gráfico desenvolvido inteiramente em preto e branco, com ilustrações da artista francesa Anne Muanaw.

O lançamento acontece em um momento crucial para a literatura infantil brasileira no debate sobre representatividade racial. Embora pessoas negras sejam maioria no Brasil, personagens negros ainda ocupam poucos espaços como protagonistas em livros voltados à infância.

Segundo Janine, o livro foi pensado para ser compartilhado entre adultos e crianças como ferramenta de escuta e reflexão coletiva. “Eu não quis escrever um livro que desse respostas prontas. Quis escrever um livro que sustentasse a pergunta, porque é a partir daí que começamos a revisar aquilo que parecia óbvio, independente da idade que possamos ter”, finaliza.

Notícias Recentes

Participe de nosso grupo no Telegram

Receba notícias quentinhas do site pelo nosso Telegram, clique no
botão abaixo para acessar as novidades.

Comments

Sair da versão mobile