Mundo Negro

‘Pense Minha Cor’: plataforma digital une psicologia antirracista, suporte jurídico e afroturismo no Maranhão

Foto: Divulgação

Com a proposta de oferecer acolhimento e cuidado especializado para a população negra no cenário da saúde mental, foi lançada nesta semana em São Luís (MA), a plataforma digital do projeto ‘Pense Minha Cor’. O hub de inovação negra idealizado pelos psicólogos maranhenses Rômulo Mafra Cruz e Luara Matos, nasce da urgência de estruturar uma abordagem terapêutica com consciência racial, capaz de acolher os impactos psicossociais do racismo sem invalidar o sofrimento clínico dos pacientes.

Além dos profissionais de saúde mental (psicólogas, psiquiatras e psicoterapia), a iniciativa ainda propõe integração com outros profissionais como advogadas, contabilidade, educação, eventos e afroturismo. Todos os atendimentos feitos por profissionais negros e indígenas, com valores acessíveis.

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“O ponto de partida é admitir que a psicologia, enquanto ciência e profissão, tem uma dívida com a população negra”, afirmam os fundadores em entrevista ao Mundo Negro. “A falta de referências negras e indígenas durante a formação (não por falta delas) fez por muito tempo com que prática e teoria se afastasse do povo que mais precisa de assistência devido ao histórico de violências do país”, destacam.

Rompendo com esse distanciamento, os idealizadores ressaltam que a prática da plataforma é respaldada pelas diretrizes éticas do Conselho Federal de Psicologia (CFP), como as resoluções que estabelecem normas de atuação contra o preconceito racial e vedam práticas de racismo religioso. Para Rômulo Mafra Cruz, a importância de pautar essas normativas ganha um contorno ainda mais significativo por sua própria trajetória. “Estou conselheiro federal de psicologia — o primeiro homem negro Rasta e maranhense da história”, afirmou.

Embora seja uma das três cidades com maior proporção de pessoas negras no país, a capital maranhense ainda reflete profundas marcas de desigualdade social. Segundo os psicólogos, a realidade local é marcada por micro e macroagressões cotidianas que comprometem a saúde mental coletiva. A proposta, portanto, visa descentralizar o acesso à saúde mental de qualidade, oferecendo atendimento acessível para comunidades em situação de vulnerabilidade, ao mesmo tempo em que valoriza e remunera dignamente psicólogas afro-brasileiras e indígenas.

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Um dos grandes diferenciais da Pense Minha Cor é a compreensão de que o enfrentamento a um problema estrutural como o racismo exige estratégias multidisciplinares. Diante da histórica dificuldade de acesso a direitos básicos por parte da população negra, a plataforma uniu o cuidado da mente à defesa legal. Os resultados dessa articulação já começam a se consolidar na prática. “Recentemente, tivemos uma vitória judicial de um caso de racismo, através de advogados que atuam no site”, celebraram os fundadores.

O fortalecimento da autoestima também ganham destaque por meio de roteiros afrocentrados. Em uma parceria com a empresa Cidade Griot, idealizada pelo professor Marcelo Cardoso — guia credenciado, mestrando em Estudos Africanos e Afro-Brasileiros pela UFMA e uma das principais referências do setor no país —, a plataforma aposta no afroturismo como ferramenta terapêutica.

“Nosso trabalho com o afroturismo tem como pilares a educação, a valorização da memória e a reparação histórica, promovendo experiências que evidenciam a riqueza da história, da cultura e dos patrimônios afro-brasileiros e indígenas, fortalecendo identidades e ampliando o reconhecimento das contribuições da população negra para a formação da sociedade brasileira”, concluem.

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Acesso o site para saber mais: www.penseminhacor.com.br

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