Mundo Negro

Pastor Henrique Vieira e Nath Finanças criticam publicidade de bets na CazéTV durante a Copa

Foto: Gabriella Maria/ Pablo Valadares

Pastor Henrique Vieira e Nath Finanças criticam publicidade de apostas na CazéTV durante a Copa e cobram responsabilidade sobre impacto na população negra.

A educadora financeira Nath Finanças e o pastor e deputado estadual Henrique Vieira se pronunciaram publicamente nesta semana para criticar a forma como a CazéTV, canal de streaming comandado por Casimiro Miguel e detentor dos direitos de exibição de todos os 104 jogos da Copa do Mundo de 2026 no YouTube, veicula publicidade de casas de apostas esportivas durante as transmissões do torneio. Os dois reagiram a uma declaração do próprio Casimiro em que o streamer minimizou as críticas sobre o volume de anúncios de bets no canal, afirmando em uma de suas lives que a publicidade de apostas “é o que faz girar o negócio” e que não acreditava que isso prejudicava o público.

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O pastor Henrique Vieira, deputado estadual pelo Rio de Janeiro e coautor do Projeto de Lei 2478, que propõe restrições à publicidade de apostas esportivas na Câmara dos Deputados, respondeu diretamente ao posicionamento de Casimiro em vídeo publicado em suas redes sociais: “Tá prejudicando sim, e muita gente. Eu tenho recebido relatos de pessoas desesperadas, endividadas, nas mãos de agiotas, jovens deprimidos, tantos outros ansiosos. Não é só um negócio. É um negócio que está virando uma epidemia, um problema de saúde pública, e que está endividando e adoecendo o nosso povo”, afirmou Vieira em vídeo publicado em suas redes sociais, dirigindo-se diretamente ao streamer. O deputado citou o projeto que coassina como o mais avançado em tramitação na Câmara para regulamentar o setor, com medidas que incluem a proibição de propaganda, o veto a patrocínios e o estabelecimento de classificação de risco para proteger grupos vulneráveis, como adolescentes e jovens. Vieira também anunciou que participaria de uma audiência pública na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro nesta quinta-feira (25), ao lado do deputado Yuri Moura, para debater os impactos das bets no estado do Rio.

Em publicação em suas redes sociais, Nath Finanças afirmou que a questão ultrapassa o formato dos anúncios: “É um absurdo que o Cazé e seus comentaristas, com toda a autoridade e influência que têm, digam que uma odd acima de 4.0 tinha grande chance de acontecer. Isso não é apenas publicidade com QR Code. É uma comunicação que pode incentivar apostas. Basta pesquisar para ver o quanto esse mercado tem prejudicado e destruído famílias”, escreveu a educadora em suas redes sociais. Nath também apontou que afirmar que uma odd acima de 4.0 tem grande chance de acontecer contraria o princípio da veracidade e da informação adequada previsto na Nota Técnica SEI nº 3620/2026/MF, do Ministério da Fazenda, e destacou que a responsabilidade editorial é ainda maior quando o conteúdo alcança crianças e adolescentes.

A CazéTV afirmou, segundo a Folha de S.Paulo, que suas ativações comerciais seguem rigorosamente a legislação brasileira vigente. A Senacon, Secretaria Nacional do Consumidor vinculada ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, abriu em 24 de junho uma investigação preliminar para apurar possíveis irregularidades na publicidade de bets veiculada pelo canal durante as transmissões da Copa, após analisar vídeos em que narradores e comentaristas divulgavam cotações em tempo real e promoções como “cotações turbinadas”. A apuração avalia se o canal descumpriu normas previstas no Código de Defesa do Consumidor, na Lei 14.790 de 2023 e em portaria de 2024 da Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda, que proíbem mensagens que sugiram ganhos fáceis ou minimizem os riscos financeiros da atividade.

Foto: CazéTV/ Divulgação

O canal integra ao seu Projeto Criadores nomes como o youtuber Julio Cocielo, que entre 2011 e 2018 publicou uma série de conteúdos considerados racistas pelo Ministério Público de São Paulo, incluindo um tuíte sobre o jogador Mbappé durante a Copa do Mundo de 2018. Cocielo foi processado criminalmente e também em ação civil pelo MP, que pedia R$ 7,4 milhões em danos sociais, mas foi absolvido nas duas instâncias, a última delas em 2024.

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