A nova página contém uma gama de materiais educativos sobre o comércio transatlântico de pessoas escravizadas, resistência, memória e as marcas do racismo.
As Nações Unidas lançaram uma página em português dedicada à história do comércio transatlântico de pessoas escravizadas. O novo portal integra o Programa de Divulgação sobre o Comércio Transatlântico de Escravos e a Escravidão, iniciativa criada pela ONU para popularizar o acesso à informação, promover a educação histórica e fortalecer ações de combate ao racismo.
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A página reúne materiais educativos, recursos multimídia e conteúdos produzidos no âmbito das iniciativas das Nações Unidas relacionadas à igualdade racial, aos direitos humanos, à memória e à justiça histórica. O conteúdo também aborda a resistência das pessoas escravizadas e as contribuições históricas, culturais e sociais das populações africanas e afrodescendentes.
Brasil foi principal destino nas Américas
Segundo dados citados pela ONU com base na UNESCO, cerca de 12,5 milhões de africanos e africanas foram deportados à força pelo comércio transatlântico de pessoas escravizadas entre os séculos XVI e XIX. Aproximadamente 5 milhões foram levados para o Brasil, que recebeu o maior número de pessoas escravizadas entre os territórios das Américas.
A dimensão desse processo ajuda a compreender a formação histórica do Brasil e os impactos que o comércio transatlântico e a escravidão tiveram sobre sociedades afrodescendentes.
Memória também passa pela resistência
O programa das Nações Unidas não se limita ao registro da violência provocada pelo comércio transatlântico. Diversas histórias de resistência, liberdade e atuação de pessoas escravizadas e de seus descendentes também se encontram entre os conteúdos disponibilizados.
Essa perspectiva aparece na programação internacional da ONU, que trata a memória como parte do enfrentamento das desigualdades raciais e da construção de políticas de justiça e reparação. Em 2026, o tema do Dia Internacional em Memória das Vítimas da Escravidão e do Comércio Transatlântico de Pessoas Escravizadas foi “Justiça em Ação: Confrontando a História, Promovendo a Dignidade, Fortalecendo o Futuro”.
Arca do Retorno integra iniciativa de memória
Entre os projetos ligados ao programa está a Arca do Retorno, memorial permanente instalado na sede da ONU, em Nova York. Inaugurado em 25 de março de 2015, o monumento foi criado pelo arquiteto haitiano-americano Rodney Leon e convida os visitantes a refletir sobre a dimensão do comércio transatlântico e seus efeitos no presente.
O memorial é composto por três elementos: um mapa que representa a dimensão global do comércio transatlântico, uma representação das condições enfrentadas durante a travessia e um espaço destinado à memória das pessoas que perderam suas vidas nesse processo.
A nova página em português amplia o acesso a esse conjunto de conteúdos para milhões de pessoas que têm o idioma como língua, aproximando materiais de pesquisa, memória e educação de públicos de diferentes países.
O portal pode ser acessado em un.org/pt/rememberslavery.
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