Mundo Negro

Nova turma de jovens negros vai a universidades no exterior com programa do Fundo Baobá e B3 Social

João Vitor, Caio e Quezia, selecionados na terceira edição do BlackSTEM. (Foto: Thalita Guimarães)

Com bolsas de R$ 42 mil anuais, três jovens negros embarcam para universidades nos Emirados Árabes, Estados Unidos e Espanha para revolucionar as áreas de Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática. A conquista foi celebrada na semana passada, na sede da B3, no centro de São Paulo, durante o evento de recepção da terceira turma do Programa Black STEM, uma iniciativa realizada pelo Fundo Baobá para a Equidade Racial em parceria com a B3 Social.

Criado em 2024, o programa tem como objetivo apoiar a permanência de pessoas negras em cursos de graduação no exterior especificamente nas áreas STEM. Os estudantes selecionados, que darão início à jornada acadêmica internacional ainda em 2026, receberão o benefício financeiro anualmente — com possibilidade de renovação até o fim da graduação — para custear moradia, transporte, alimentação e material acadêmico.

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A nova turma de bolsistas reflete a diversidade, o talento e o compromisso de jovens negros em transformar seus destinos e os de suas comunidades:

Caio Ramos, 23 anos (Rio de Janeiro/RJ): Aprovado em Design no Dubai Institute of Design and Innovation (DIDI), nos Emirados Árabes Unidos. Descendente do Povo Bakongo por parte de mãe e de judeus sefarditas por parte de pai, Caio vê na oportunidade a chance de honrar a memória de seu pai, falecido no início do ano, e abrir caminhos de prosperidade familiar.

João Vitor, 19 anos (Cruz das Almas/BA): Segue para a Northwestern University, nos EUA, no curso de Ciência da Computação. Movido pelo desejo de ocupar espaços de decisão, João enxerga no programa a confirmação de que pode mudar não apenas seu futuro, mas o de toda a sua comunidade.

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Quezia Fernanda, 19 anos (Rio das Ostras/RJ): Cursará Engenharia Elétrica na Universidade de Jaén, na Espanha. Para ela, a conquista abre portas para um sentimento inédito de pertencimento e de conexão com uma rede de profissionais negros de sucesso.

Evento de boas-vindas

A cerimônia de recepção reuniu familiares, amigos, mentores e equipes do Fundo Baobá e da B3 Social, além de contar com a presença de bolsistas das edições anteriores. O momento solene foi marcado pela assinatura dos contratos e por painéis sobre o impacto do programa.

Durante a recepção, Giovanni Harvey, Diretor Executivo do Fundo Baobá, destacou que o suporte vai além do recurso financeiro:“Essa bolsa significa que eles vão ter dinheiro para comprar a passagem e o casaco para enfrentar o frio. Além disso, terão o suporte necessário para a permanência nesses espaços. Para isso, oferecemos também essa ampla rede de apoio para que possam aproveitar da melhor forma possível suas formações.”

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A dimensão ancestral e política de ocupar esses espaços internacionais também marcou a fala de Tainá Medeiros, Gerente de Programas do Fundo Baobá: “O edital Black Stem é uma celebração do passado, mas também uma resposta ao presente e uma aposta no futuro. É preciso reforçar que nenhuma inovação nasce do nada; lembrar quem veio antes para abrir portas é essencial para a longevidade do conhecimento, pois toda criação carrega uma herança do que já foi vivido, pensado e testado. Celebrar esses jovens negros é relembrar todas as contribuições que cientistas negros brasileiros fizeram em todas as áreas de conhecimento, em especial nas áreas de Ciências, de Tecnologias, Engenharias e Matemática”, afirma.

O historiador e mentor Natanael Conceição reforçou o papel do programa na garantia da justiça cognitiva nas universidades globais: “Estamos falando de um compromisso individual e coletivo com a reparação: uma ação realizada no presente que transforma o passado e projeta o futuro. Trata-se de garantir oportunidades para que pessoas negras acessem a universidade, não apenas do ponto de vista físico, mas também no sentido simbólico de pertencer a esses espaços.”

A presença de acadêmicos de destaque como Igor Dantas (UFRB), Halisson Paz (co-fundador do canal Programação Dinâmica), Ana Cecília Sousa e Anna Benite (UFG) reiterou o compromisso de construir uma base sólida para a permanência dos alunos no exterior.

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Fabiana Prianti, head da B3 Social, reforçou a importância estratégica do projeto: “Para a B3 Social, apoiar iniciativas como essa é contribuir para a construção de um futuro mais representativo nas áreas de Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática. Entendemos que a educação de excelência tem o poder de ampliar horizontes, desenvolver talentos e gerar impacto positivo para toda a sociedade.”

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