Diretora de escola impediu tentativa de estupro contra Jhordana na linha RER C e recebeu a Ordem Nacional do Mérito, segunda maior distinção da França
A diretora de escola Marguerite Dorvilien recebeu as insígnias de cavaleira da Ordem Nacional do Mérito da França pela atitude tomada em 16 de outubro de 2025, quando salvou a brasileira Jhordana de uma tentativa de estupro em um trem da linha RER C, ao sul de Paris. A cerimônia contou com a presença de Valérie Pécresse, presidente da região de Île-de-France, e foi divulgada pelo político francês Philippe Tabarot em suas redes sociais.
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A condecoração é a segunda mais importante concedida pelo Estado francês, atrás apenas da Legião de Honra. Criada em 1963 por Charles de Gaulle, a ordem é atribuída por decreto do presidente da República e costuma reconhecer pessoas com longa trajetória de serviços ao país, em áreas como educação, saúde, cultura e serviço público. Ao incluir Marguerite entre os condecorados por um único gesto, o governo francês trata a intervenção no trem como um ato de interesse nacional e a coloca como exemplo público no enfrentamento à violência contra mulheres.
Marguerite, que dirige uma escola particular em Ablon-sur-Seine, cidade a cerca de 20 quilômetros da capital francesa, estava no trem na manhã do ataque e conseguiu, sem ajuda de outros passageiros, espantar o agressor. Desde então, ela afirma estar “muito mais atenta” ao que acontece ao seu redor e às pessoas que a cercam.
Na publicação sobre a homenagem, Tabarot classificou a intervenção como “um ato de imensa coragem, que se insere em uma trajetória inteiramente voltada aos outros, à ajuda mútua e à atenção àqueles que estão em sofrimento e pedem socorro”, em tradução livre.
O político aproveitou a ocasião para mencionar a lei francesa que reforça a segurança nos transportes públicos. Segundo ele, a legislação cria novos meios para proteger os usuários, em especial as mulheres, que ainda estão “expostas com frequência demais à violência sexista e sexual” nas redes de transporte. Tabarot ponderou, no entanto, que o caso de Marguerite mostra que leis e dispositivos de segurança “não bastam sem a vigilância de cada um e sem a atenção que todos devemos ter uns com os outros”.
A homenagem acontece a pouco mais de duas semanas de o caso completar um ano, em 16 de outubro.
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