Em declaração à Justiça de Nova York, Jane Doe diz que nunca conheceu o rapper, pede desculpas à família dele e afirma que as alegações eram falsas
A mulher que acusou Jay-Z de estupro em 2024 retirou integralmente as acusações em uma declaração apresentada nesta quinta-feira (24) à Corte Federal de Manhattan, em Nova York, na qual afirma que nunca conheceu nem falou com o rapper. Identificada nos processos apenas pelo nome fictício Jane Doe, ela declarou, sob pena de perjúrio, que Shawn Carter, nome de registro de Jay-Z, jamais a estuprou ou teve qualquer conduta inadequada com ela. O documento, de 12 páginas, foi obtido pela revista Rolling Stone.
Notícias Relacionadas

Na declaração, Jane Doe escreveu que “não há verdade em nenhuma das minhas alegações contra o Sr. Carter” e reconheceu que as acusações causaram ao rapper “imensa dor, sofrimento e danos que jamais poderão ser totalmente reparados”. Ela afirma que decidiu se retratar de forma voluntária, sem receber pagamento ou compensação financeira de Jay-Z ou de qualquer pessoa agindo em nome dele.
Em comunicado, o novo advogado de Jane Doe, James Blair Newman Jr., afirmou que a cliente mantém a afirmação de que foi vítima de agressão sexual, mas se equivocou completamente ao identificar Jay-Z como autor. Segundo o advogado, ela “pede sinceras e incondicionais desculpas” ao rapper e à família dele, que inclui a cantora Beyoncé, casada com Jay-Z desde 2008.
Jane Doe também relatou ter informado sua equipe jurídica da época sobre determinadas “condições de saúde mental” antes de o nome de Jay-Z ser tornado público no processo, em dezembro de 2024.
Acusação surgiu após anúncio sobre Diddy
De acordo com a declaração, Jane Doe viu em setembro ou outubro de 2024 um anúncio no Facebook que procurava pessoas com denúncias de agressão sexual contra o rapper e produtor Sean Combs, conhecido como Diddy. Ela conta que entrou em contato com o escritório AVA Law Group e foi encaminhada ao advogado texano Tony Buzbee, que apresentou uma queixa em seu nome. Segundo o documento, a ação contra Combs, protocolada em outubro de 2024, foi apresentada sem o conhecimento dela e sem investigação independente.
Na ação, Jane Doe afirmava ter sido estuprada aos 13 anos por Combs e por uma celebridade masculina não identificada em uma festa após o MTV Video Music Awards de 2000, em Nova York. Em dezembro de 2024, a queixa foi alterada e passou a citar Jay-Z nominalmente. Na nova declaração, ela afirma que seus relatos mudaram ao longo do processo, que se lembrava de uma festa após outra premiação e que os advogados pediram um teste de polígrafo depois que surgiram inconsistências. Os advogados de Combs também negaram as acusações.
Jay-Z negou as alegações desde a primeira citação e acusou Buzbee de tentativa de chantagem. Em fevereiro de 2025, Jane Doe desistiu voluntariamente da ação, sem acordo financeiro, decisão que à época atribuiu ao medo de retaliação, embora mantivesse as acusações.
Jay-Z mantém ação contra o advogado Tony Buzbee
Junto com a declaração, a defesa de Jay-Z informou à Justiça que o rapper retirou Jane Doe da lista de réus da ação por acusação maliciosa que move desde 2025 contra ela, Tony Buzbee e o escritório do advogado, sediado no Texas. O processo segue agora apenas contra Buzbee e a firma.
Em declaração anterior no mesmo caso, Jay-Z afirmou que as acusações lhe causaram perdas de cerca de US$ 20 milhões em receitas e prejudicaram as relações dele e de sua empresa, a Roc Nation, com parceiros dos setores de esporte e entretenimento. Em entrevista à revista GQ publicada em março, antes da retratação, o rapper disse que viveu um período “muito difícil” e que ficou “de coração partido”.
Uma outra ação de Jay-Z contra Buzbee, apresentada na Califórnia sob a acusação de extorsão, foi rejeitada pela Justiça, decisão mantida em recurso no início deste mês. Buzbee afirmou não ter visto a nova declaração de Jane Doe e segue representando outras pessoas em processos civis contra Sean Combs.
Notícias Recentes
