Mundo Negro

Caso Miguel Otávio segue sem desfecho 6 anos após sua morte 

FOTO: AMANDA REMÍGIO/TV JORNAL

Nesta segunda-feira (2), completam-se seis anos da morte de Miguel Otávio Santana da Silva, que, aos 5 anos de idade, foi colocado sozinho em um elevador de um edifício residencial no Recife (PE), em um caso que mobilizou o país e se tornou símbolo do debate acerca da desigualdade racial no acesso à justiça.

Miguel estava sob os cuidados de Sarí Corte Real enquanto sua mãe, Mirtes Renata de Souza, trabalhava no local. Ao sair para passear com o cachorro da família, Mirtes deixou o filho no apartamento. Pouco depois, o menino foi colocado sozinho no elevador e acabou chegando a um andar superior do edifício, de onde caiu.

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Em 2023, Sarí Corte Real foi condenada por abandono de incapaz com resultado morte. Em maio deste ano, o Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) manteve a pena de sete anos de prisão em regime inicialmente fechado. Apesar disso, ela continua respondendo ao processo em liberdade enquanto a defesa apresenta recursos.

Agora, o caso segue para análise no Superior Tribunal de Justiça (STJ), etapa que definirá os próximos desdobramentos do processo.

Nos últimos anos, Mirtes Renata tem mantido uma atuação pública em defesa da memória do filho, seguindo na luta pelo cumprimento da decisão judicial. Em diferentes manifestações, ela questiona a demora na execução da pena e denuncia o que considera privilégios concedidos à condenada, como a manutenção do passaporte, a possibilidade de viagens internacionais e a continuidade de atividades acadêmicas enquanto o processo aguarda decisão definitiva.

Em uma publicação compartilhada nesta segunda-feira (2), data que marca seis anos da morte de Miguel Otávio, Mirtes Renata voltou a expressar a sua  indignação diante da espera por uma resposta definitiva da Justiça e cobra o cumprimento da condenação. 

“A Justiça já levou mais tempo para responder do que o tempo que Miguel teve para viver. Eu tenho medo de que a lentidão vença. Tenho medo de que a demora se transforme em impunidade. Tenho medo de que, enquanto a condenada segue vivendo sua vida, viajando, sorrindo e construindo novas memórias, a história do meu filho continue presa em recursos sem fim.Não temos mais tempo.Junho não pode terminar sem uma resposta concreta para Miguel.Junho não pode terminar sem que a condenada seja presa. 2026 não pode ser mais um ano de espera.”, declarou.

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