Personal trainer Juliane Daianny explica como a atividade física ajuda a mulher negra a enfrentar sintomas da menopausa com mais saúde e autonomia
A menopausa marca o fim natural da fase reprodutiva feminina, caracterizada pela última menstruação espontânea da mulher e dA menopausa é o fim natural da fase reprodutiva feminina, caracterizada pela última menstruação espontânea da mulher. Diagnosticada após 12 meses consecutivos sem sangrar, ocorre geralmente entre os 45 e 55 anos devido à queda na produção dos hormônios estrogênio e progesterona pelos ovários, fase em que a mulher chega à transição da vida reprodutiva para a não reprodutiva. Antes dela, existe a perimenopausa, período em que as oscilações hormonais já provocam alterações como ondas de calor, insônia, alterações de humor, fadiga, perda de massa muscular e osteoporose. Além disso, mulheres negras costumam estar mais expostas a fatores de risco, como diabetes tipo 2, hipertensão arterial e doenças cardiovasculares.
Notícias Relacionadas

Durante muito tempo, a menopausa foi tratada como um assunto íntimo, mas cercado de silêncio e desinformação. Para mulheres negras, esse silêncio é ainda mais profundo. Além de transformações hormonais naturais dessa fase da vida, muitas enfrentam desigualdades no acesso a serviços de saúde, tem seus sintomas minimizados e convivem com uma sobrecarga física e emocional que pode tornar essa transição ainda mais desafiadora.
É nesse contexto que o exercício físico deixa de ser apenas uma estratégia apenas estética e passa a ser uma ferramenta de cuidado integral. A prática regular de atividades físicas contribui para preservar a massa muscular, reduzir a perda de massa óssea, melhorar o equilíbrio e diminuir o risco de quedas. Também favorece o controle da pressão arterial, melhora a sensibilidade à insulina, auxilia na qualidade do sono e contribui diretamente na redução de sintomas de ansiedade e depressão, que são comuns durante essa fase.
Os exercícios de força ajudam a preservar a massa muscular, fortalecer os ossos e manter a independência nas atividades do dia a dia. Já os exercícios aeróbicos como caminhada, dança, jump, bicicleta e corrida, colaboram para a saúde cardiovascular, enquanto desenvolvem mobilidade, flexibilidade, equilíbrio, reduzindo os riscos de lesões e melhorando a qualidade de vida.
Mas talvez o maior benefício do exercício físico seja lembrar as mulheres que seus corpos continuam capazes. Em uma sociedade que frequentemente inviabiliza mulheres maduras – e ainda mais as mulheres negras- movimentar-se também pode ser um gesto de autonomia, autoestima, autocuidado e pertencimento.
Falar sobre a menopausa na população negra é reconhecer que saúde na menopausa não depende apenas de reposição de hormônios. Ela também é influenciada pelas condições de vida, pelo acesso à informação, ao cuidado de qualidade e às oportunidades para manter hábitos saudáveis. Envelhecer faz parte da vida. Envelhecer com saúde, dignidade e autonomia deve ser um direito de todas as mulheres. E o exercício físico é um dos caminhos mais acessíveis, seguros e eficazes para tornar essa jornada mais leve, ativa e mais justa.
Juliane Daianny é personal trainer especialista em treinamento feminino, CREF 199042-G/SP, proprietária do Studio JD011 e integrante do time Nike.
Notícias Recentes
