Neste domingo (8), Kenya Sade estará à frente da cobertura brasileira do Show do Intervalo do Super Bowl 2026, transmitido pela TV Globo, direto da Califórnia. O evento, a grande final da NFL, é considerado não apenas o maior espetáculo esportivo dos Estados Unidos, mas também um dos momentos mais relevantes da cultura pop global, especialmente por seu tradicional show do intervalo, que neste ano terá Bad Bunny como atração principal.
Para além do caráter esportivo e musical, a presença de Kenya Sade na transmissão carrega um peso simbólico significativo. Em entrevista exclusiva ao Mundo Negro, a jornalista refletiu sobre o que representa ocupar esse espaço como mulher preta em um evento de alcance mundial, destacando o papel da educação e de sua trajetória pessoal na construção desse momento.
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“Eu acho que quando eu sou convidada pra fazer uma transmissão fora do Brasil, em um dos maiores eventos dos Estados Unidos, e sendo uma mulher preta, eu só lembro da minha trajetória, né? De todos os caminhos que me trouxeram até aqui, da minha mãe, que me criou sozinha, que sempre acreditou muito no poder da educação, que a educação transforma, que a educação nos faz prosperar. Somente através da educação que a gente tem a possibilidade de ter uma mobilidade social.
Então, com essas novas oportunidades que eu venho galgando dentro da televisão, isso só me faz lembrar da minha mãe, da minha família, das mulheres pretas que me moldaram e que me ensinaram a sonhar alto. Porque eu acho que a gente precisa aceitar primeiro que a gente pode sonhar alto, que a gente pode estar nesses espaços, e esses sonhos têm se realizado.”
Ao falar sobre o impacto profissional e simbólico da cobertura, Kenya reforçou que o momento extrapola uma conquista individual e se conecta a uma história coletiva de mulheres negras que abriram caminhos na comunicação brasileira.
“Eu acho que estar à frente, junto com o jornalismo do esporte, de um dos maiores eventos esportivos do mundo, e um dos maiores palcos da cultura pop do mundo, é realmente um feito muito grande, é uma realização muito grande para uma mulher preta, nesse lugar de visibilidade, de oportunidade.”
Ela também citou o legado de Glória Maria como referência de pioneirismo e inspiração para novas gerações de jornalistas negras, destacando a importância de representatividade em grandes coberturas internacionais.
“Acho que são novos caminhos que se desenham para nós. Eu acho que a Glória Maria lá atrás, nós a víamos nas geleiras, na Antártida, na Nigéria, fazendo matérias incríveis. E eu acho que as pessoas vão se inspirar muito em ver também uma mulher preta retinta como eu, apresentando um dos maiores eventos musicais dos Estados Unidos, direto da Califórnia, sabe? Eu acho que é muito inspiracional, é muito poderoso tudo que eu venho conquistando, não só para mim, como para todas nós mulheres pretas, que vieram antes e para as que virão depois.”
No Brasil, a transmissão do Super Bowl será exibida pela TV Globo, com início da partida às 20h30 (horário de Brasília). O Show do Intervalo será apresentado logo após o episódio do BBB 26, com Kenya Sade conduzindo a cobertura e contextualizando o espetáculo para o público brasileiro.
Mais do que um evento esportivo, o Super Bowl se consolidou como um dos maiores palcos globais da música e do entretenimento, reunindo milhões de espectadores ao redor do mundo, e, neste ano, terá uma mulher preta brasileira como rosto da transmissão no país.