Três décadas após a perda de um dos maiores artistas da história do hip-hop, o processo judicial sobre a morte de Tupac Shakur entra em sua fase decisiva. O julgamento de Duane “Keffe D” Davis, ex-líder da gangue South Side Compton Crips acusado de orquestrar o assassinato do rapper, começa nesta segunda-feira (10), em Las Vegas, com a seleção do júri.
Aos 63 anos, Davis responde pela acusação de ter determinado a execução de Shakur e fornecido a arma utilizada no crime. Se condenado, ele pode cumprir prisão perpétua sem direito à liberdade condicional. Embora os argumentos da promotoria não devam determinar com precisão quem puxou o gatilho na noite de 7 de setembro de 1996, o Ministério Público busca provar que a ordem e a logística do ataque partiram dele.
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O julgamento deve revisitar a intensa rivalidade entre as cenas do rap da Costa Oeste e da Costa Leste dos Estados Unidos na década de 1990. De um lado, a Death Row Records contava com a proteção da gangue Mob Piru, da qual o fundador Suge Knight era membro. Do outro, a Bad Boy Records — fundada em Nova York por P. Diddy e que tinha como principal estrela The Notorious B.I.G., morto seis meses após Shakur — contratou os South Side Compton Crips para a segurança local.
Segundo os autos do processo, o estopim para a emboscada em Las Vegas ocorreu após uma luta de boxe de Mike Tyson no cassino MGM Grand. Na ocasião, Suge Knight e Tupac agrediram Orlando “Baby Lane” Anderson, sobrinho de Davis, por conta de uma disputa envolvendo um colar da Death Row Records. A acusação sustenta que Davis organizou o ataque a tiros como retaliação direta ao episódio.
O caso permaneceu sem respostas por décadas devido à falta de provas conclusivas, até ser reaberto a partir de declarações do próprio acusado. Em suas memórias publicadas em 2019, Davis relatou que estava no banco dianteiro do Cadillac branco de onde partiram os disparos e que repassou a arma para o banco traseiro. Como os demais ocupantes do veículo já faleceram, as declarações públicas de Davis se tornaram a peça central que levou à sua prisão, em setembro de 2023.
Apesar das confissões feitas em livro e em entrevistas anteriores, o ex-líder de gangue agora nega o envolvimento e se declara inocente. “Sou inocente. Nunca matei ninguém. Eles não têm nenhuma prova contra mim”, declarou Davis em entrevista concedida da prisão à ABC News, em março de 2025.
O assassinato de Tupac, ocorrido quando o artista tinha apenas 25 anos, permanece como um dos episódios mais dolorosos da história da música negra norte-americana. Filho de Afeni Shakur, integrante do Partido dos Panteras Negras, Tupac transformou a poesia urbana e a denúncia do racismo estrutural em clássicos como “California Love” e “All Eyez on Me”.
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