Mundo Negro

Ícone do samba, Vilma Nascimento, de 85 anos, diz que foi vítima de racismo em loja no aeroporto de Brasília: “situação humilhante”

Foto: Reprodução / Redes Sociais

Nesta quinta-feira (23), um dos grandes nomes da cultura negra do Brasil, porta-bandeira e baluarte da Escola de Samba Portela, Vilma Nascimento, relatou que foi vítima de racismo na loja Duty Free, dentro do aeroporto de Brasília. Aos 85 anos, ela voltava de uma cerimônia realizada na capital do país, no Congresso Nacional, local em que foi homenageada pelo seu impacto cultural.

A abordagem foi relatada pela filha de Vilma, Danielle Nascimento, que classificou o episódio como ‘humilhante’. “Eu e minha mãe passamos por uma situação humilhante, que não deveria existir mais no Brasil ou em qualquer outro lugar do mundo. Eu fui comprar chocolates para meu marido e meu filho no Duty Free do Aeroporto de Brasília depois da minha mãe, Vilma Nascimento, ter sido homenageada no dia da Consciência Negra“, relatou Danielle. “Comprei os chocolates, paguei e quando estávamos passando novamente pela porta da loja a fiscal Daniela me abordou dizendo que eu peguei produto da loja sem pagar e pediu para acompanhá-la. No meio do caminho ela recebeu informação pelo rádio de que era para revistar a bolsa da minha mãe”.

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Danielle continuou com o relato, revelando todo o constrangimento e revolta. Ela conta que pediu para chamar a polícia, mas não teve resposta. “Minha mãe ficou surpresa, revoltada e envergonhada pq a revista ainda foi no meio da loja na frente de clientes e outras pessoas. Foi muito constrangedor. Revoltante. Eu fazia perguntas, a fiscal não respondia, pedia para chamar a polícia, polícia não apareceu. Tivemos que ir embora para não perder o nosso embarque, que quase perdermos… corri chorando até o portão 43 da Latam na frente da minha mãe que foi em seguida, devagar por que além de 85 anos de idade, ainda tinha levado um tombo nas vésperas da viagem. Entrei no avião lotado aos prantos, com todos me olhando. Foi uma humilhação que nem eu, nem a minha mãe imaginávamos passar nessa vida. Estamos tristes e traumatizadas até agora. Foi um absurdo. Cheguei a perguntar se ela estava fazendo isso conosco por causa da nossa cor”.

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