A trajetória de mais de quatro décadas de Hilton Cobra no teatro brasileiro se reflete em Chinua, personagem que interpreta na novela das seis A Nobreza do Amor, da TV Globo. Na trama, o ator e diretor baiano dá vida a Chinua, conselheiro do rei Cayman II e uma das figuras centrais da resistência ao golpe liderado por Jendal, personagem de Lázaro Ramos.
Fiel à família real destronada, Chinua permanece em seu posto mesmo após a mudança de poder e se torna um importante aliado de Dumi na luta pela restauração da ordem no reino. A presença de Hilton Cobra no papel tem chamado atenção pela construção de uma representação digna, complexa e altiva da realeza africana ambientada nos anos 1920.
Notícias Relacionadas

A escolha do ator para interpretar Chinua dialoga com sua rica trajetória artística construída ao longo de mais de quatro décadas. Nascido no município de Feira de Santana, na Bahia, o artista é uma das principais referências do teatro negro brasileiro contemporâneo, com atuação marcada pela valorização das culturas negras e pelo fortalecimento de espaços de protagonismo para artistas negros no teatro e na televisão brasileira.
Sua trajetória nos palcos começou no final da década de 1970, quando protagonizou o espetáculo Solta-me Orelha, dirigido por Luiz Marfuz. Em 2001, fundou a Companhia dos Comuns, coletivo inspirado no legado do Teatro Experimental do Negro, criado por Abdias Nascimento. Também esteve à frente da Fundação Cultural Palmares entre 2013 e 2015, período em que contribuiu ativamente para o fortalecimento de políticas voltadas à preservação da cultura afro-brasileira.
Entre seus trabalhos mais conhecidos está o solo Traga-me a Cabeça de Lima Barreto, espetáculo criado em comemoração aos seus 40 anos de carreira e que contou com diversas apresentações pelo Brasil, propondo uma reflexão crítica sobre racismo científico, intelectualidade negra e memória histórica por meio da obra e da trajetória do escritor Lima Barreto.
Hilton Cobra integrou o elenco de Medida Provisória, filme dirigido por Lázaro Ramos e inspirado na peça Namíbia, Não!, de Aldri Anunciação, e, ao longo dos anos, consolidou-se como ator, diretor, gestor cultural e articulador de iniciativas para impulsionar a produção cultural negra no Brasil.
Em A Nobreza do Amor, o artista reforça seu legado e sua presença na televisão brasileira ao interpretar um personagem com uma narrativa pautada em valores como lealdade e sabedoria, contribuindo para ampliar a visibilidade de personagens negros no audiovisual.
Notícias Recentes
