Colegiado de 23 membros analisou provas por meses e concluiu não haver evidência de crime na morte do jovem negro Nolan Wells, no Mississippi.
O grande júri do condado de Jackson, no Mississippi, decidiu na noite de segunda-feira (21) não indiciar ninguém pela morte de Nolan Wells, jovem negro de 18 anos encontrado morto em julho após um passeio de barco com amigos brancos. A promotora Angel Myers McIlrath anunciou a decisão e divulgou o relatório do colegiado, formado por 23 pessoas, entre elas cinco integrantes negros, segundo o New York Times. O júri analisou 132 intimações, ouviu 43 testemunhas e teve acesso a laudos forenses de celular, dados de GPS e imagens de câmeras de segurança.
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Wells desapareceu em 4 de julho, durante um passeio de barco com amigos até Horn Island, ilha barreira a cerca de 16 quilômetros da costa de Pascagoula, no Mississippi, onde o grupo foi comemorar o feriado de Independência dos Estados Unidos. Ele foi visto pela última vez por volta das 15h daquele dia. Segundo os amigos, o rapaz optou por ficar na ilha depois que o grupo decidiu retornar mais cedo por causa de um problema no barco, e planejava voltar depois com outra turma. A mãe de Wells, Christine Wonsley, registrou o desaparecimento do filho ainda naquela noite. O corpo foi encontrado dois dias depois, em 6 de julho, na costa da ilha.
O grande júri concluiu não haver evidência crível de conduta criminosa por parte de ocupantes dos três barcos envolvidos no passeio, batizados Triton, Palm Beach e Tideline, e classificou como falsas diversas alegações que circularam nas redes sociais sobre o caso. Entre elas, a de que teria havido uma briga envolvendo Wells, a de que fotos de uma festa na piscina seriam do dia do desaparecimento (eram de datas anteriores) e a de que um áudio de uma ligação feita de um dos barcos para o serviço de resgate SeaTow teria sido adulterado. O relatório também informou que a posição, o estado, o horário de localização e o local em que o corpo de Wells foi encontrado são compatíveis com afogamento.
Tanto o legista-chefe do Mississippi quanto o patologista forense contratado pela família classificaram a causa e a forma da morte como indeterminadas, descrevendo o afogamento como um diagnóstico por exclusão. A promotora Angel Myers McIlrath rejeitou publicamente a hipótese de motivação racial no caso, afirmando não haver nenhuma evidência de que o desaparecimento ou a morte de Wells estivessem ligados a racismo.
Ben Crump, advogado de direitos civis que representa a família, contestou a decisão horas depois de sua divulgação. Segundo ele, o legista do estado já havia identificado dois hematomas na parte posterior da cabeça de Wells no início da investigação, e a autópsia independente, conduzida pelo patologista forense Roger A. Mitchell, documentou vestígios de sangue e ferimentos recentes por força contundente na parte posterior da cabeça e nas costas do jovem, sem explicação até o momento. Para Crump, a decisão do grande júri deixa mais perguntas do que respostas, e a família não vai descansar até saber o que aconteceu com Nolan.
Nolan Wells era ex-aluno do colégio Ocean Springs High School e cursava o segundo ano na Southwest Mississippi Community College, onde jogava como wide receiver no time de futebol americano. Segundo a legislação do Mississippi, não há prazo de prescrição para casos de homicídio, e o caso pode ser reaberto caso surjam novas evidências. A família e Ben Crump convocaram uma coletiva de imprensa para tratar do caso, e os pais do jovem, Christine Wells-Wonsley e Elmore Wonsley, devem se manifestar publicamente nos próximos dias.
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